Carta Aberta a Lourival Barreira
sábado, 16 de maio de 2015
Cronica da Urda - Carta Aberta a Lourival Barreira
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Europeu também pode - Cronica reprise da Urda
Onde está escrito Bush, leia OTAN.
O resto é igualzinho.)
Tinha passado dois dias em Florianópolis, e vim pelo caminho imaginando como iria contar para vocês, desta vez, sobre uma goiabeira que foi muito importante na minha infância. Então chego, ligo para minha mãe para dizer que cheguei bem – as mães sempre querem saber tal coisa – e do alto dos seus 82 anos, ela me diz:
- Tu já viste o que aconteceu na Espanha? Peguei a notícia no meio, não sei muito bem, mas foi terrível! Deve sair tudo de novo agora nos noticiários da noite.
É claro que me aboletei no sofá para ver todos os noticiários. E como ando sentindo muita dor, porque quebrei um braço faz 40 dias, mas só há 4 que um médico descobriu que o braço estava quebrado, de imediato senti muita pena daquelas pessoas mortas, feridas, estraçalhadas, cheias de dor que resultaram do tríplice atentado madrilenho de hoje. A primeira informação que cada canal de televisão disse foi: “Atentado atribuído ao E.T.A.”, que é uma organização de uma região separatista ao norte da Espanha, o País Basco. Só que tem uma coisa: o E.T.A. até faz uns alguns atentados, mas muito menores, nada a ver com o massacre das estações de trem ocorridos hoje. Ficava bem ao Primeiro Ministro espanhol, no entanto, jogar a culpa no E.T.A. – se é um atentado caseiro, não tem nada a ver com a irresponsabilidade dele, juntando-se a um louco como Bush II para invadir outros países e massacrar muitas centenas de milhares de pessoas, que acho que é o que já foi massacrado recentemente na soma das mortes feitas pelos invasores só no Afeganistão e no Iraque. Rabo entre as pernas, o Ministro Aznar procurava ficar escondido atrás do E.T.A. – mas antes que a noite se adiantasse já havia uma associação ligada a Al Qaeda assumindo a responsabilidade, e dizendo que não tinha nenhuma pena de ver civis europeus tão bem estraçalhados quanto civis asiáticos. Al Qaeda vocês se lembram, é a organização do Osama bin Laden, a que derrubou as torres gêmeas nos Estados Unidos.
Daí imagino que metade de vocês está querendo comer Osama Bin Laden e a Al Qaeda por uma perna, porque gente legitimamente branca, ancorada na velha e boa Europa, aquela que gerou a maioria de nós, sofreu na pele um ATENTADO – meu braço aqui está doendo o suficiente para eu saber que braços e outras coisas quebradas doem muito – imaginem gente estraçalhada como explosivos estraçalham, gente que fica sem uma perna e meia barriga, ou gente que perde meio rosto e meia cabeça, como vi muito bem como ficam pessoas explodidas numas fotos realistas que estavam expostas em Porto Alegre, lá no Terceiro Fórum Social Mundial. Isto sem contar as crianças, pequenas vítimas inocentes da loucura de adultos loucos, com as barrigas abertas como couve-flores vermelhas e outras coisas horripilantes.
E daí uma coisa assim acontece na velha e boa Europa que nos “descobriu” (A América já estava “descoberta” há pelo menos 12.000 anos!), e a maior parte do nosso público se horroriza: como? Na Europa? Lá não pode! Lá é o berço da civilização! – e por aí vai. Esquecem-se, claro, que há diversas civilizações, e que a da Europa é apenas uma delas. Mas os europeus podem sair por aí na cola do Louco Bush, invadindo países que têm petróleo e explodindo gente a granel, sem que a gente ache que está errado. Não está errado uma ova! Gente explodida na Ásia e gente explodida na Europa é a mesmíssima coisa. E veja bem quantos países europeus estão ajudando a explodir gente na Ásia: Inglaterra, Itália, Estônia, Polônia, Dinamarca, Hungria, uma Espanha com um louco Aznar que decerto agora não sabe onde enfiar a cara, e até o nosso antepassado Portugal, coisa que nunca nem quis acreditar direito! Pois é, estão lá os europeus a fazer as barbaridades sem pensar que elas acabarão vindo parar dentro de casa. Já começou. E decerto ainda vai piorar. Europeu também pode explodir. Exatamente como asiático explode. É a mesma coisa.
E o mundo ocidental se horroriza com o que aconteceu na Europa. Mas por que não se horroriza quando acontece nos outros continentes?
Blumenau 12 de março de 2004.
Urda Alice Klueger
As opiniões aqui expressas são de inteira responsabilidade do seu autor,
não representando a visão do Suplemento Cultural ou de seus dirigentes.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Crônica da Urda para o dia de São Nicolau
O DIA DE SÃO NICOLAU
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Texto importante de Leonardo Boff
Leonardo Boff: Presidenta Dilma iniciou o diálogo aberto
Uma das principais propostas da recém reeleita Presidenta do país, Dilma Rousseff, começou a se realizar: dialogar aberta e construtivamente com a sociedade e com os diferentes segmentos sociais. Foi assim que no dia 26 de novembro, por quase duas horas, dialogou com representantes do Grupo Emaus, nomeadamente, Frei Betto, Luiz Carlos Susin, Rosileny Schwantes, Maria Helena Arrochellas, Marcia Miranda e Leonardo Boff.
Este grupo, composto por cerca de 40 pessoas que já existe há 40 anos nasceu como resistência à ditadura militar, reunindo intelectuais e religiosos de várias partes do pais para analisarem a conjuntura política e eclesial e traçarem ações concretas junto às bases para acelerar o resgate da democracia, manietada pelo regime ditatorial. O sonho nosso era e é grande: o de gestar um país que inclua no seu orçamento aqueles que há quinhentos anos estavam à margem. Entre os presentes havia presos políticos e torturados e praticamente todos vigiados. Mas enfrentamos os riscos e as ameças por uma causa maior que implica um país justo e solidário.
O encontro seu de nesta comunhão de espírito: o coração valente da Presidenta que suportou pesadas torturas sem nunca entregar ninguém e nós, de nosso jeito, expusemo-nos pela mesma causa, naquele tempo e agora. Ela logo entendeu o significado de nossa presença, solicitada por nós. Não íamos pedir nada, apenas reforçar sua determinação de seguir na construção do projeto originário do PT, o de criar uma sociedade com menos perversidade e que desse centralidade aos mais pobres e invisíveis, não obstante os constrangimentos da macroeonomia dominante.
Entregamos-lhe um documento - O Brasil que queremos – com 16 pontos que podem ser lidos no meu blog (leonardoboff.wordpress.com) onde ressaltam: a reforma do sistema político, tornar o modelo econômico mais social e popular, a promoção da reforma agrária e urbana, a defesa dos direitos dos povos indígenas e quilombolas entre outros.
A conversa transcorreu de forma extremamente franca e jovial, reconhecendo acertos e equívocos. Ressaltamos especialmente a necessidade de a Presidenta retomar o diálogo com a sociedade, principalmente com os movimentos sociais organizados. Imediatamente foi marcada na próxima semana um encontro com a Coordenação dos Movimentos Sociais e outra com a Coordenação Nacional do Movimento dos Sem Terra.(MST). Todos insistimos em retomar a educação política das bases, dentro da pedagogia de Paulo Freire, em especial dos jovens. Não adianta mostrar apenas obras. Há que se mostrar que elas obedecem a um projeto político do Governo em benefício dos mais necessitados como Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos e outras iniciativas. Este vínculo de causalidade torna consciente a população e reforça o projeto popular, que precisa ser fortalecido para superar a nossa abissal desigualdade social.
Salientamos a importância de reforçar e ampliar iniciativas de cunho social e ambiental como o projeto “Cultivando Água Boa” implementado pela hidrelétrica de Itaipu, envolvendo um milhão de pessoas que incorporou, mediante uma sistemática educação ecológica (formaram-se mais de 1600 educadores ambientais), recuperando rios, introduzindo a agricultura orgânica, integrando povos indígenas e quilombolas e outros tantos benefícios, melhorando a vida das populações e da comunidade de vida. A Presidenta se mostrou entusiasmada pelo projeto que já tem mais de 11 anos e pelas pessoas que o levam avante, com custos mínimos e em parceria com os 29 municípios lindeiros e de sua eventual implantação em outras hidrelétricas.
Ponto importante foi a educação política dos jovens para que não sejam meros consumidores mas cidadãos críticos e participantes. É um desafio para os grupos das Igrejas que se inserem nos meios populares e ao próprio PT que deve retomar uma ligação orgânica e dialogar e aprender com eles.
A Presidente se mostrou especialmente sensível à questão dos direitos humanos e aos Centros de Referência dos Direitos Humanos, na perspectiva de fortalecer iniciativas comprovadamente sérias que estão acontecendo em todo o nosso país.
A questão ecológica foi considerada tão importante e complexa que merecerá um outro encontro específico.
Nada pedimos. Não nos moveram interesses corporativos ou pessoais. Apenas oferecemos nossos préstimos, caso sejam solicitados pela Presidenta. Ela se mostrou comovida e aberta a outros encontros mais sistemáticos, pois se deu conta de nossa vontade de colaboração na construção de uma sociedade mais humana, mais justa e cooperativa, onde seja menos difícil a vontade de transformação social e o amor humano entre todos.
(*) Leonardo Boff, ecoteólogo e escritor
sábado, 29 de novembro de 2014
Crônica da Urda - MEU PRIMEIRO UNIVERSITÁRIO
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
ESCRITORA QUE ESBANJA EMPATIA - Texto de Pedro J. Bondaczuk
Pedro J. Bondaczuk
A escritora catarinense Urda Alice Klueger conquistou-me de vez por sua sensibilidade, inteligência e capacidade literária. Tornei-me seu leitor compulsivo e mais, seu admirador incondicional. A rigor, não demorou nada para que isso acontecesse. Bastou ler pela primeira vez um texto dela para querer ler outro, e mais outro, e mais outro e vai por aí adiante. Essa compulsão não passou. Na verdade, só cresceu. E à medida que lia suas crônicas memorialísticas, ou relatos de viagem, ou mesmo considerações de caráter político, meu encantamento por sua escrita só crescia. Urda tem uma característica (cada vez mais rara em escritores) que a identifica: a empatia. Os temas de que trata, e a abordagem que faz deles, nos convencem de imediato. Como se dá essa magia? Não sei explicar. O fato é que ela nos acumplicia com a maior facilidade. Basta, tão somente, que leiamos o que escreve.
Meu primeiro contato com seus textos se deu há quatro ou cinco anos, não tenho certeza. Desde então, minha admiração por essa historiadora, sobretudo escritora, só cresceu. Continua crescendo. Prova é que já tive o privilégio e a honra de publicar, no Literário, 255 textos dela, em 255 sábados consecutivos, sem falhar um único. Como se vê, não sou mais “marinheiro de primeira viagem” no que diz respeito à apreciação de sua obra. Um de seus livros de maior sucesso, o romance “Verde Vale” (já em décima edição), mexeu, particularmente, comigo. Concluí sua leitura profundamente comovido, com lágrimas nos olhos. O relato que ela fez, da saga dos alemães, pioneiros na fundação de Blumenau, remeteu-me à infância, na minha Horizontina natal. Identifiquei, em seus personagens, sobretudo nos membros da família Sonen, figuras sumamente familiares, só que de procedência russa e não germânica (como os da sua narrativa), que deram vida à cidadezinha do noroeste do Rio Grande do Sul em que nasci. Lembraram, sobretudo meu avô, meus tios e meus primos, além dos meus pais, claro.
A sequência desse romance de tirar o fôlego, “No tempo das tangerinas” (cuja décima segunda edição foi lançada recentemente), teve, sobre mim, efeito semelhante. Tornei-me, quase sem perceber, seu “cúmplice” nessas duas histórias. É o efeito da empatia que Urda desperta. E por que estou escrevendo tudo isso? Porque essa escritora prolífica e tão hábil está prestes a lançar seu trigésimo terceiro livro. Em texto anterior que escrevi a seu respeito enganei-me ao quantificar o montante da sua obra. Afirmei que ela havia publicado quinze livros. Na verdade, foram mais do que o dobro dessa cifra. Com a nova publicação, já serão trinta e três! Nada mau, não é mesmo?
O novo livro de Urda trata de algo que também me apaixona, e muito: a “amizade” que estabelecemos com animais domésticos. Já tive cães e gatos que considerei (pois de fato eram) membros da minha família. Ainda não me refiz, por exemplo, da morte do meu amigão de quatro patas, o “Nick”, um Poodle “Toy”, branquinho, que morreu há pouco mais de um ano, de velhice. Ficou conosco por catorze anos, brindando-nos com amor irrestrito, raríssimo de se ver em humanos dada sua constância e fidelidade. Quanto a gatos, tenho, atualmente, sete (já tive muitos mais), Cada um tem “personalidade” única, caprichos e hábitos peculiares, maneiras próprias de nos dedicar afeição. Mas todos, óbvio, são muito queridos.
O novo livro de Urda, que será lançado, oficialmente, em Blumenau, no próximo dia 3 de dezembro de 2014, intitula-se “Nossa família aumentou”. Ela, que em 2010 já havia nos apresentado seu cãozinho muito especial, na publicação “Meu cachorro Atahualpa”, agora apresenta novo membro de seu “clã”: uma gatinha recém-chegada, que modificou (para melhor, sem dúvida) sua rotina de vida e, sobretudo, sua estrutura familiar. Estou certo de que, a exemplo dos outros livros, este também (lançado pela Editora Hemisfério Sul Ltda) será estrondoso sucesso. O que é bom tem que ser prestigiado. E Urda Alice Klueger merece um superlativo: é excelente!!!
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Cronica da Urda - Churrasco de igreja
Churrasco de igreja
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Crônica da Urda - Na esquina da casa verde
Na esquina da casa verde


