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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Imaginação Emancipatória - Desafios do Século 21






Imaginação Emancipatória - Desafios do Século 21

Ashis Nandy


  
Coleção:
    Humanitas

Ano | Edição:
    2015 | 1ª
Páginas:
    294

Dimensão:
    22,5 x 2,0 x 15,5 cm
Peso:
    545 g


Ashis Nandy, um dos principais intelectuais indianos contemporâneos, psicólogo social, psicanalista, bem como cientista político, que busca desenvolver o que chamou de "tradicionalismo crítico". 

Criado em Calcutá na segunda metade do século XX, ou seja, testemunha desde jovem da trajetória da Índia independente, Nandy se formou e pós-graduou em psicologia, com forte ênfase em psicanálise. Trabalhou clinicamente até optar em definitivo por uma carreira de pesquisador, vinculado ao Centro para o Estudo das Sociedades em Desenvolvimento (CSDS), em Nova Déli. Os temas da criatividade na ciência e na literatura, assim como a articulação entre personalidade e sociedade, foram seus focos iniciais, embora desde sempre trabalhasse com uma "psicologia política" e as questões da sociedade indiana estivessem no centro de suas preocupações, em parte sob a mediação da figura do Mahatma Gandhi (1869-1948), bem como de Rabindranath Tagore (1861-1941), o grande literato e compositor da primeira metade do século XX indiano. Cada vez mais busca um resgate da tradição indiana, a partir do que seriam, sobretudo, suas vertentes populares, indo contra noções de secularismo e desenvolvimento, criticando fortemente o Estado e os intelectuais mais explicitamente modernos. Na verdade, a meu ver um excesso de estridência vem prejudicando a elaboração de suas ideias e mais recentemente há de fato certa perda de substância em suas concepções, não obstante a importância de sua obra de modo geral.

O LIVRO
A obra do indiano Ashis Nandy se singulariza por aportar uma discussão, forjada em outras latitudes, que muito nos interessa como país ainda em busca de um futuro e de um destino. Na periferia do mundo desenvolvido, e desde sempre subordinados aos imperativos da acumulação e do comércio ditados pelo Norte, vivemos a contradição entre a modernidade – econômica, política, jurídica – estatutariamente universal e as demandas de construir um país que se descobre a cada dia mais diverso e desigual, ainda que extremamente incapaz de lidar com essa diversidade e desigualdade.
 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Para que filosofia?: um guia de leitura para o ensino médio

Para que filosofia?: um guia de leitura para o ensino médio

de Celso Martins Azar Filho e Luís Antônio Cunha Ribeiro

Edição: 1a


Número de Páginas: 272


Acabamento: brochura 
Medidas: 14x21cm




Este livro reúne extratos de algumas das obras filosóficas mais importantes, em traduções originais cuidadosamente preparadas por profissionais especializados no ensino de filosofia. Cada tradução é acompanhada por comentários que analisam e contextualizam a obra e seu autor, oferecendo um verdadeiro guia de iniciação ao pensamento filosófico ao longo da história. Desse modo, procura ocupar um espaço ainda vago na literatura didática da área, tendo sido especialmente elaborado para atender ao público de jovens estudantes, bem como a todos os neófitos. Aos professores, apresenta um valioso recurso que poderá auxiliá-los em suas práticas pedagógicas.

Para que filosofia? Nesta pergunta reside a própria essência da atividade filosófica, fundamentada no livre exercício da reflexão, e não na exigência de qualquer tipo de prática utilitária. Ao contrário de um “negócio” – aquilo que nega o valor do ócio –, a filosofia não pressupõe uma finalidade imediatista. Ela é a própria prática do pensamento que pode se servir de todos os conhecimentos e se debruçar sobre todos os assuntos, inclusive sobre sua própria condição de existência, fornecendo elementos para uma incessante reinvenção conceitual. Filosofia não é somente amor ao saber, como diz a etimologia da palavra, mas principalmente o cultivo do hábito de questionar, de refletir sobre o mundo e sobre si mesmo: um pensamento sem objetivo pré-definido, sempre pronto a pôr em xeque tudo o que foi estabelecido até então e encontrar novas maneiras de compreender a realidade.

O livro encara de frente esta que é a questão-chave de toda iniciação à filosofia, atualizando-a e contextualizando-a de acordo com os principais pensadores de nossa tradição filosófica. Através de textos curtos, estrategicamente selecionados de cada uma de suas obras seminais, podemos entender a maneira como cada filósofo concebeu a tarefa da filosofia, propondo interpretações que se colocam no lugar de respostas à questão-título, mas também nos colocam diante dos principais problemas do pensamento sobre o ser e o mundo ao longo da história do pensamento ocidental. Seja no campo da física, da metafísica, da ética, da estética, seja no da lógica, ou da política, é a filosofia que se encarrega de analisar as questões fundamentais e é ela que nos ensina a pensar com propriedade e de forma livre de preconceitos.

Conheça um pouco do que pensa  Celso Martins Azar Filho
Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro analisando Montaigne -
Leia - Método e estilo, subjetividade e conhecimento nos ensaios de Montaigne

A característica mais notável da filosofia renascentista foi também o que tornou sua assimilação pela história da filosofia tão difícil: a interação entre forma e conteúdo, entre ideia e sua expressão. Tal resulta da tentativa de realizar outra inter-relação que lhe é ainda mais essencial: aquela entre teoria e prática, pensamento e ação. Nos Ensaios de Montaigne, o método constitui antes de tudo um estilo de vida: a linguagem é aí o meio pelo qual a implicação entre mundos externos e internos, o eu e a realidade – assim entre intelecto e sensibilidade, arte e natureza, fato e valor, identidade e alteridade etc. – busca tornar-se evidente, permitindo a percepção de seu permanente remodelar recíproco.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Se só me restasse uma hora de vida


Se só me restasse uma hora de vidade Roger Pol-Droit


Título Original: Si je navais plus qu une heure à vivre

Tradutor: Clóvis Marques

E
Páginas: 98

Formato: 16 x 23 cm


     Por certo, nesta derradeira hora eu não estaria postando essa recomendação. Mas nestes dias aziagos, com retrocessos sociais batendo em nossas portas, e nos fazendo pensar com o figado, um pouco muito de filosofia viria a calhar.  Arrisquem! Sempre... (E.C.)


  
UM LIVRO FILOSÓFICO E POÉTICO SOBRE O SENTIDO DA VIDA



Esse pensamento, tão urgente e profundo, surge em algum momento da vida de cada um de nós e coloca em perspectiva todas as nossas prioridades e problemas. Mas e se essa fosse mais do que uma simples suposição? E se tivéssemos, de fato, apenas mais uma hora? E se você também tivesse apenas um breve momento para fazer um balanço, lembrar-se, encontrar aquilo que mais importa? E se só restasse uma hora para esquecer as ilusões e, finalmente, viver?

Roger-Pol Droit propõe neste livro um exercício radical, decisivo, que vale todas as lições de filosofia e sabedoria. De forma brilhante, o autor nos faz mergulhar em nossa própria consciência, para que, ao fim, possamos descobrir o que é essencial para nós.



·     Mais de 100 mil exemplares vendidos em uma semana, na França.


VISITE http://rpdroit.com/


Roger-Pol Droit - Si je n'avais plus qu'une heure à vivre





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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Somos destinados à beleza, ao jardim...

Somos destinados à beleza, ao jardim...

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

De pronto, ponho-me a escrever. É fascinante o mistério que envolve as coisas. Assim o é com a beleza, pois há muita beleza no mundo. A beleza é fascinante, é divina, é encantadora, mas é preciso ouvir a voz das coisas, admirar-se com a vida, admitir o mistério. Há algo escondido na imensa vastidão da aparência. As pessoas querem ouvir geralmente o que lhes agrada, o que faz bem aos ouvidos, às suas necessidades e o que as colocam novamente na dinâmica da vida. Isso faz sentido porque elas estão tentando alimentar sua subjetividade. Talvez, por isso, as pessoas sejam constantemente mais seduzidas pela beleza do que pela verdade. A beleza está mais ao alcance dos olhos do que a verdade. A beleza parece ser mais acessível, talvez não, mas o que importa é que ela está em algum lugar, em algum estalo da natureza. Ela se esconde e se mostra rasgadamente aos sentidos. Alguém já disse que a beleza é filha do olhar.
(continue lendo em clicando aqui... - http://boletimodiad.blogspot.com.br )

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Do amor: uma filosofia para o século XXI de Luc Ferry


   

Do amor: uma filosofia para o século XXI

de  Luc Ferry

Título Original:     De l’amour: une philosophie pour le XXIe siècle

Tradutor:     Rejane Janowitzer


Páginas:     252

Formato:     16 x 23 cm



Escrito sob a forma de diálogo filosófico entre Luc Ferry e seu colega Claude Capelier, Do amor - Uma filosofia para o século XXI trata dos fundamentos históricos e éticos da sociedade do Ocidente contemporâneo. São abordados aspectos econômicos, educacionais, culturais, comportamentais, geracionais, entre outros. O título é retomado do escritor Stendhal, mas o amor a que faz referência é o “ágape”, a caridade pelo outro, inclusive pelo inimigo. Ferry associa a isso a atenção que as pessoas dedicam à família, baseada não mais no casamento arranjado, mas no casamento por amor, aos filhos e à sua descendência. O arco e a flecha do deus Eros não visam mais somente ao coração dos amantes, recíprocos ou não, mas também à família, acrescida da humanidade. Ainda de acordo com o autor, deste pensamento provêm a inquietude e o cuidado ecológicos, a caridade humanitária e a diplomacia da paz em uma sociedade bem menos egoísta.  Como em muitos de seus livros anteriores, Luc Ferry escreve de maneira cuidadosa, tentando conduzir até seu mais modesto leitor por uma caminhada voluntária de esclarecimento pedagógico. A riqueza conceitual é indubitável e inúmeras ideias são impactantes, como a sátira do pessimismo, ou "o intolerável, o ponto onde a extrema esquerda, à força de sacralizar o direito à diferença, junta-se à mais detestável extrema direita que recusa toda liberdade". Em Do amor, Luc Ferry fala da ascensão silenciosa do amor como valor central nas sociedades modernas, ascensão que cria um princípio de significado e uma completa redefinição da expressão “levar uma boa vida”.






O  AUTOR
Luc Ferry foi ministro da Educação entre 2002 e 2004, é doutor em filosofia e concursado tanto em filosofia quanto em ciência política. Foi professor universitário e atualmente se dedica a escrever livros, alguns traduzidos no mundo todo. Publicou, pela Difel, A nova ordem ecológica: a árvore, o animal e o homem, Kant: uma leitura das três “Críticas”, O que é uma vida bem-sucedida?, O homem-deus e Diante da crise: materiais para uma política de civilização.




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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Filosofia Viva - CARTA DE FLORIANÓPOLIS

Filosofia Viva

CARTA DE FLORIANÓPOLIS

Documento aprovado ao final
II Congresso Nacional de Educação para o Pensar.


  1. Nós, educadoras e educadores, num total de 756 participantes no II Congresso Nacional de Educação para o Pensar e Educação Sexual, reunidos de 22 a 25 de Julho de 2003, nesta cidade de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, Brasil, manifestamos nossos princípios e propósitos, de modo a registrar aqui diretrizes e proposituras que venham fortalecer nossas convicções e revitalizar nossas esperanças e objetivos.

  1. Reafirmamos nossa crença na educação humanista, que considera o homem e sua condição subjetiva e social como o fundamento de toda educação. Afirmamos a educação que prepara para a vida, que vincula a comunhão da cultura e do conhecimento com o compromisso com princípios éticos emancipatórios, com a elevação estética da vida, com a responsabilidade social e a promoção da participação política democrática e libertadora.

  1. Manifestamos nossa escolha por uma educação e escola que procure formar a pessoa humana, em todas as suas potencialidades e identidades, buscando partir da realidade inalienável de cada ser, de modo a integrar todos os educandos nos mais elevados ideais éticos, cívico, culturais  e políticos da humanidade.
  2. Num momento histórico aonde os valores de mercado afirmam-se como unilaterais, onde a corrida para a promoção de uma ciência e tecnologia sem parâmetros éticos...
(continue lendo...)

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Filosofia > Fracassou o casamento por amor?



   

Fracassou o casamento por amor?

de  Pascal Bruckner

Título Original:     Le mariage d’amour a-t-il échoué?
Tradutor:     Jorge Bastos

Gênero:     Filosofia
Páginas:     108
Formato:     14 x 21 cm

    

Pode-se afirmar tão categoricamente que o casamento por interesse não tem futuro? A invenção do casamento por amor deveria ser uma resposta às mazelas do casamento clássico: restabelecer a igualdade entre cônjuges, valorizar o sentimento mais do que a obrigação. Entretanto, há décadas, o número de casamentos vem diminuindo, o de divórcios disparando, o celibato se espalha e os filhos de pais separados se multiplicam. Com base em anos de pesquisa, Fracassou o casamento por amor?, de Pascal Bruckner, faz uma análise filosófica das questões envolvendo o matrimônio por amor.  Um dos pontos defendidos por Bruckner diz que a atual valorização do gozo, do desempenho, dos sentidos e dos sentimentos está, supostamente, em ebulição, revelando-se mais nocivo para a vida a dois do que as alianças de antigamente. Isso se deve ao fato de a razão, hoje, estar em segundo plano. Em Fracassou o casamento por amor?, sente-se, também, vibrar a angústia desse drama atual e banalizado em que se transformou a separação. As práticas matrimoniais contemporâneas, baseadas no amor único, multiplicaram-no de modo exponencial – sem torná-lo menos doloroso. Segundo o autor, a recusa de ser adulto e o medo de ser cruel ao abandonar o outro mantêm as pessoas inertes na vida. Pascal Bruckner faz parte de uma tradição literária, notadamente francesa, ilumina a face sombria do amor. Sem adotar um tom sarcástico, insiste nas ameaças do amor e do capricho nesses tempos de permissividade, e nos limites e na ponderação que cada um deveria impor a si próprio. O resultado, definitivamente, convence.

O AUTOR

Pascal Bruckner nasceu em Paris, em 15 de dezembro de 1948. Passou sua infância e adolescência na Áustria e na Suíça. Após o doutorado em Letras lecionou nas Universidades de San Diego e Nova York. Em 1981 teve seu romance Lua de Fel adaptado para o cinema por Roman Polanski. Escreveu várias obras tendo sido laureado com o Prêmio Renaudot 1997 pelo romance Les Voleurs de Beauté e com o Prêmio Médicis em 1995 pelo romance La Tentation de L´Innocence.


"Nos couples meurent d'héroïsme"







LEIA TAMBÉM

O paradoxo amoroso
Pascal Bruckner
R$ 40,00






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Idade Média Tardia História das Ideias Políticas - Vol. III


Idade Média Tardia

História das Ideias Políticas - Vol. III

de Eric Voegelin



Tradução: Mendo Castro Henriques

Edição 01
Formato: 13,5 X 23,3 cm
Nº de Páginas: 336
Acabamento: Brochura

Lançamento: 2012

O estudo da Alta Idade Média realizado por Voegelin é, sem dúvida alguma, uma das preciosidades de seu vasto empreendimento histórico. Quando comparada com a perspectiva organizadora fornecida até mesmo pelos melhores historiadores do século XX, a abordagem de Voegelin se destaca por sua singular retidão teórica. Isso se dá sobretudo porque ela é, de todas, a mais fiel aos materiais históricos. Sua abordagem não insere no mundo medieval interesses extrínsecos ou posteriores. Antes, busca compreender a época tal qual ela era compreendida por aqueles que então viviam. Além disso, Voegelin também é capaz de encontrar os meios mais adequados de explorar a relação entre a Idade Média e o mundo moderno. Isso não significa que as continuidades de uma ordem constitucional e liberal emergente não sejam válidas; seu significado, porém, só pode ser adequadamente identificado se a cotejarmos com uma concepção abrangente da ordem da realidade. Esse reconhecimento é a principal força da análise que Voegelin apresenta neste volume. É ele que lhe permite notar que a fonte da unidade medieval é sobretudo filosófica e que sua desintegração é filosófica também.

O AUTOR
Eric Voegelin (1901-1985)

Foi um dos filósofos mais originais e influentes de nosso tempo. Nascido em Colônia, Alemanha,
estudou na Universidade de Viena, onde começou como professor de ciência política na Faculdade de Direito. Em 1938, ele e sua esposa, fugindo de Hitler, emigraram para os Estados Unidos. Tornaram-se cidadãos americanos em 1944. Voegelin passou a maior parte de sua carreira na Universidade do Estado da Louisiana, na Universidade de Munique, e na Instituição Hoover na Universidade de Stanford. Durante sua vida, publicou muitos livros e mais de cem artigos.

     Site:
www.artsci.lsu.edu/voegelin/





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terça-feira, 8 de outubro de 2013

Filósofos da Consciência Polanyi, Lonergan, Voegelin, Ricoeur, Girard, Kierkegaard de Eugene Webb

Filósofos da Consciência

 Polanyi, Lonergan, Voegelin, Ricoeur, Girard, Kierkegaard

de  Eugene Webb


Tradução: Hugo Langone

Formato: 13,5 X 23,3 cm
Número de Páginas: 448
Acabamento: Brochura

O LIVRO
Filósofos da Consciência: o leitor pode muito bem questionar o que esse título significa. O que se deve entender, aqui, por “filosofia” e “consciência”? E por que a escolha destas figuras – Polanyi, Lonergan, Voegelin, Ricoeur, Girard e Kierkegaard – como objeto de discussão? Temos aí perguntas sobre as quais poderíamos nos debruçar exaustivamente, e na verdade este livro como um todo será uma tentativa de respondê-las.

As seis figuras aqui discutidas foram selecionadas porque, juntas, suscitam questões incisivas e inter-relacionadas; além disso, as diferenças de perspectiva verificadas entre elas podem ser particularmente úteis no desvelamento de temas cruciais para a exploração do fenômeno da consciência humana. Esses pensadores têm muito em comum para serem colocados em diálogo, mas ao mesmo tempo são suficientemente diferentes para que, nesse contexto de discussão, revelem as aporias que existem ou podem existir nas tradições de pensamento que lhes dão respaldo. Ao fazê-lo, eles indicam onde se encontram os problemas que exigem investigações ulteriores.

Que o estudo desses seis pensadores seja uma porta de entrada para a exploração do problema e do mistério de toda experiência humana.
   
O AUTOR
Eugene Webb é professor de Literatura Comparada e de Inglês na Universidade de Washington. Ele também é autor de A Pomba Escura: O Sagrado e o Profano na Literatura Moderna e Eric Voegelin: Filósofo da História, que  publicados pela Editora É em 2012.






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sábado, 28 de setembro de 2013

Olá, Consciência Uma Viagem pela Filosofia de Mendo Henriques e Nazaré Barros


Olá, Consciência

Uma Viagem pela Filosofia



de Mendo Henriques e Nazaré Barros

Formato: 16 x 23 cm
Número de Páginas: 416
Acabamento: Brochura

O LIVRO
"Olá, Consciência!" propõe ao leitor uma viagem apaixonante pelo mundo da filosofia e mostra que para essa aventura do conhecimento não é necessário o uso de cinto de segurança ou qualquer outro aparato de proteção, somente a consciência.

Esta obra destina-se a todos que não se conformam com a facilidade do pensamento único ou da resposta pronta e desejam adentrar o mundo da consciência como uma experiência libertadora, a fim de compreender com maior clareza questões que envolvam ciência, política, economia, arte, metafísica, religião.

"Olá, Consciência!" comprova que a filosofia é para todos, basta querer pensar por si mesmo. Certamente, este é só o início de uma viagem rumo à compreensão de grandes e pequenas questões existenciais. Pode parecer uma jornada arriscada e até perturbadora, mas não há como ser diferente. Toda atividade filosófica é assim: levanta dúvidas e incomoda, para, enfim, trazer lucidez.


Olá, Consciência! é um convite a uma viagem apaixonante pelo mundo da filosofia. De leitura viva e acessível, com uma apresentação inovadora que conjuga rigor e linguagem atraente, esta obra de introdução à filosofia distingue-se das demais porque parte das experiências quotidianas para explicar conceitos filosóficos e mostrar como a vida faz mais sentido se for vista à luz da filosofia. Mendo Henriques e Nazaré Barros trazem de novo a filosofia à praça pública — onde ela nasceu — e introduzem os leitores no mundo da consciência como chave de compreensão do que nos rodeia, na ciência e na política, na arte e na religião, na economia e na metafísica, na comunicação e na ética.

Olá, Consciência! destina-se a todos os que não se conformam com a norma instituída, com o politicamente correto, com a superficialidade e o comodismo do pensamento único. Porque a filosofia é de todos os que ousam pensar por si próprios. Um espaço para refletir como quem passeia num jardim, sem pressas nem compromissos. Ou, para os mais apressados, um mapa de metro, em que o leitor pode escolher a linha que quer seguir. Boa viagem!












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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Uma prova para os professores

Uma prova para os professores
 
Profª. Irene Reis dos Santos
“Se você tem uma mente calma, será uma pessoa bela.
Se você é uma pessoa bela, criará um lar harmonioso.
Se o seu lar está em harmonia, sua nação se encontrará em ordem.
Se em sua nação há ordem, haverá paz no mundo.”  Lao Tsé

Se bem compreendida a profundidade das palavras de Lao Tsé¹ é possível começar a empreender verdadeiras mudanças na Educação. Pensemos: quanto do tempo escolar é destinado atualmente ao desenvolvimento humano?
            Somos testemunhas impotentes de atentados protagonizados, em muitas ocasiões, por pessoas com formação acadêmica, o que incita em nós espanto e perplexidade. Os veículos de comunicação expõem cotidianamente feitos de criminosos que parecem não valorizar suas vidas, menos ainda a alheia. Matam de maneira atroz e ainda nos perguntamos retoricamente: por quê?
E para esta resposta que não se delineia concretamente somam-se muitas outras, para muitas indagações que povoam nossa mente: que padrão de beleza estamos criando?; até quando exaltaremos a beleza construída nas academias, nas clínicas de estética, expostas em desfiles de moda, a beleza exterior, enfim, sem observar de fato como está o interior de cada indivíduo que nos cerca?
No mundo corporativo sempre se culpa a Instituição pela permanência de ultrapassados modelos,... (continue lendo)

 

sábado, 10 de agosto de 2013

Como viver em tempo de crise? de Edgar Morin, Patrick Viveret


   

Como viver em tempo de crise?

de   Edgar Morin, Patrick Viveret

Título Original:     Comment vivre en temps de crise?
Tradutor:     Clóvis Marques

Páginas:     80
Formato:     14 x 21 cm


Onde nasce e cresce o perigo, surge também aquilo que salva

Os tempos de crise são inevitáveis. Marcam o fim de uma era e trazem as transformações necessárias para o início da próxima. Edgar Morin e Patrick Viveret estão de mãos dadas em Como viver em tempo de crise? e mostram que todos precisam se unir em uma coletividade planetária, para usar a crise de forma positiva e construir uma nova fase, de mais solidariedade e compreensão, para a humanidade.

Dois anos após a crise financeira de 2008, não existe mais motivos para analisar-se os porquês, mas sim, fazer o balanço final entre os seus efeitos sociais e o inventário das possibilidades inéditas que ela proporciona. Diante da tensão que o mundo atravessa, é necessário notar que um ciclo está chegando ao fim e que uma nova ordem se descortina. Nesse período crítico, quando os desafios cruciais são também os piores possíveis, deve-se guardar na alma esta certeza: o improvável sempre pode acontecer.

Considerando a urgência da situação, Edgar Morin convida o leitor a compreender o mundo na sua complexidade.  Já Patrick Viveret, para quem "a ideia de que o mal impede a humanidade de tratar a sua própria barbárie", propõe o diálogo das civilizações no que elas têm de melhor.

Os dois filósofos lançam um apelo estimulante à inteligência humana e, acima de tudo, àquela do coração, para fazer da crise a oportunidade de uma metamorfose.

Em Como Viver em Tempo de Crise?, o momento obscuro atual é analisado e esclarecido por esses dois grandes intelectuais, que sempre puseram sua obra a serviço da compreensão do mundo e da abordagem das questões que a contemporaneidade suscita.



Roda Viva - Edgar Morin (2000)



    Um dos principais expoentes do pensamento mundial, Edgar Morin defende que o sistema de educação não produz apenas conhecimento e elucidação. Produz também ignorância e cegueira. A educação dominante troca o todo pela parte, separa os objetos do conhecimento de seu contexto, fragmentando o mundo, fracionando os problemas e impedindo as pessoas que tenham uma compreensão melhor da realidade. São idéias do filósofo, sociólogo, antropólogo e historiador francês, entrevistado pelo Roda Viva em 2000. Nascido em Paris, onde cresceu e estudou e construiu uma rica carreira acadêmica. Em sua obra, que ultrapassa de meia centena de livros, Edgar Morin insiste que a reforma do pensamento é uma necessidade-chave da sociedade. É a reforma do pensamento que permitiria o pleno emprego da inteligência, de forma que os cidadãos possam realmente entender e enfrentar os problemas contemporâneos. É a idéia de um pensamento não-fragmentado. A idéias de que o homem, ao analisar a vida e o mundo, perceba tudo o que está a sua volta e assim construa um entendimento melhor e mais abrangente a respeito dos problemas da humanidade.






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terça-feira, 30 de julho de 2013

Vivemos mais! Vivemos bem? Por uma vida plena

Vivemos mais! Vivemos bem? Por uma vida plena

       

de  Mario Sergio Cortella / Terezinha Azerêdo Rios

 

Coleção:     Papirus debates

Encadernação:     Brochura
Nº Páginas:     112

Público Alvo:     Geral


O LIVRO

Muito se tem escrito, falado e divulgado sobre o aumento da expectativa de vida. A todo momento ouvimos recomendações de como manter a qualidade de vida: prática de exercícios, alimentação saudável e assim por diante.
Para além de todas essas questões, há, contudo, uma experiência pessoal, única. A seu modo, cada um de nós pode fazer do próprio envelhecimento um processo de crescimento contínuo: não biológico, mas de aprendizado e convívio, de autoconhecimento e compreensão.
Assim, enfrentando a vida com coragem, partilhando as experiências, sendo vital no dia a dia, talvez, além de longa, nossa vida possa ser larga, ampla.

O CONTEÚDO

A vida como desafio
Viver mais e viver bem
Tempo amigo, tempo inimigo
Olhando para trás e adiante
A ditadura do relógio e o valor do tempo
A ampliação do horizonte de vida
A vida só vale porque é finita
Quais são seus planos para o futuro?
Aposentadoria não é desocupação!
Vida boa = Presença do desejo

SAIBA MAIS


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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Quando brinco com a minha gata, como sei que ela não está brincando comigo?



Quando brinco com a minha gata, como sei que ela não está brincando comigo?

de   Saul Frampton

Título Original:     When I am playing with my cat, how do I know she is not playing with me?

Tradutor:     Marina Slade

Páginas:     336
Formato:     16 x 23 cm

  

O livro que aproxima o leitor dos textos clássicos de um dos maiores filósofos de todos os tempos

Quando brinco com a minha gata, como sei que ela não está brincando comigo? – Montaigne e o estar em contato com a vida, de Saul Frampton, celebra, com leveza e bom humor, a vida e a obra de Michel de Montaigne, cujos ensaios tiveram enorme impacto em figuras como Shakespeare e Orson Welles, e cujos pensamentos, ainda hoje, ferecem uma visão sem precedentes sobre a simples questão de estar vivo.

O livro apresenta uma viagem pela evolução dos ensaios de Montaigne e os eventos que o inspiraram ao longo de sua vida. Um dos maiores méritos de Frampton é convidar o leitor a conhecer e a compreender as ideias do filósofo a respeito da morte, do sexo, da amizade, da natureza e, acima de tudo, do poder do comum e do banal, o valor do momento presente.

Por meio dos ensaios do filósofo francês, Frampton argumenta que ele usava, muitas vezes, a escrita como terapia, colocando seus sentimentos no papel.

O estilo do livro é divertido, fácil e pertinente, como quando comparado, de forma memorável, Montaigne com James Stewart, de A felicidade não se compra: “Montaigne começa a rejeitar a desesperança e a sentir a textura do tecido simples da existência.” (p.13)

Michel de Montaigne aposentou-se aos 37 anos e viveu o restante da vida em seu castelo. No entanto, em vez de acalmá-lo, o ócio fez Montaigne procurar algo mais para a vida. Essa foi a origem de seus ensaios.


A CRITICA
“Excelente. Saul Frampton se sobressai em seus insights inteligentes e perspicazes.” (The Washington Post)

“Esta viagem pela renascença é uma joia.” (Publishers Weekly)


Michel Eyquem de Montaigne (Saint-Michel-de-Montaigne, 28 de fevereiro de 1533 — Saint-Michel-de-Montaigne, 13 de setembro de 1592) foi um político, filosofo, escritor e cético francês, considerado como o inventor do ensaio pessoal. Nas suas obras e, mais especificamente nos seus "Ensaios", analisou as instituições, as opiniões e os costumes, debruçando-se sobre os dogmas da sua época e tomando a generalidade da humanidade como objecto de estudo. É considerado um céptico e humanista.

   
Vida e obra

Montaigne nasceu no Castelo de Montaigne, em Saint-Michel-de-Montaigne, após seu nascimento, o pai entregou-lhe a uma enfermeira de uma aldeia vizinha e veio com três anos de volta para a família.1 Seu pai lhe deu um tutor alemão que lhe falava apenas somente em latim. Assim, o latim era quase a língua materna de Montaigne. Este tinha um espírito por um lado vigilante e metódico e por outro, aberto às novidades. Após estes estudos enveredou pelo direito. Exerceu a função de magistrado primeiro em Périgueux (de 1554 a 1570) depois em Bordéus onde travou profunda amizade com La Boetie.1

Retirou-se para o seu Castelo de Montaigne quando tinha 34 anos para se dedicar ao estudo e à reflexão. Levou nove anos para redigir os dois primeiros livros dos Essais. Depois viajou pela primeira vez por Alemanha, Suiça e Itália durante dois anos (1580-1581). Faz o relato desta viagem no livro Journal de Voyage, que só foi publicado pela primeira vez em 1774.

Foi presidente da Câmara de Bordéus durante quatro anos. Regressou ao seu castelo e continuou a corrigir e a escrever os Essais, tendo em vista o estilo parisiense de exposição doutrinária. Os seus Ensaios compreendem três volumes (três livros) e vieram a público em três versões: Os dois primeiros em 1580 e 1588. Na edição de 1588, aparece o terceiro volume. Em 1595, publica-se uma edição póstuma destes três livros com novos acrescentos.2

Seus Essais são principalmente auto-retratos de um homem, mais do que o auto-retrato do filósofo. Montaigne apresenta-se-nos em toda a sua complexidade e variedade humanas. Procura também encontrar em si o que é singular. Mas ao fazer esse estudo de auto-observação acabou por observar também o Homem no seu todo. Por isso, não nos é de espantar que neles ocorram reflexões tanto sobre os temas mais clássicos e elevados ao lado de pensamentos sobre a flatulência. Montaigne é assim um livre pensador, um pensador sobre o humano, sobre as suas inconsistências, diversidades e características. E é um pensador que se dedica aos temas que mais lhe apetecem, vai pensando ao sabor dos seus interesses e caprichos.3

Se por um lado se interessa sobremaneira pela Antiguidade Clássica, esta não é totalmente passadista ou saudosista. O que lhe interessa nos autores antigos, especialmente os latinos mas também gregos, é encontrar máximas e reflexões, que o ajudem na sua vida diária e na sua auto-descoberta. Montaigne tenta assim compreender-se, através da introspecção, e tenta assim compreender os homens.

Montaigne não tem um sistema. Não é um moralista, nem um doutrinador. Mas não sendo moralista, não tendo um sistema de conduta, uma moral com princípios rígidos, é um pensador ético. Procura indagar o que está certo ou errado na conduta humana. Propõe-se mais estudar pelos seus ensaios certos assuntos do que dar respostas. No fundo, Montaigne está naquele grupo de pensadores que estão a perguntar em vez de responder, e é na sua incerteza em dar respostas, que surge um certo cepticismo em Montaigne. Como não está interessado em dar respostas apriorístico tem uma certa reserva em relação a misticismos e crenças. É de notar um certo alheamento em relação ao Cristianismo e às lutas de religião que se viviam em França na época.1 Embora não deixe de reflectir em assuntos como a destruição das novas índias pelos espanhóis. Ou seja, as suas reflexões visam os clássicos e a sua própria contemporaneidade. Tanto fala de um episódio de Cipião como fala de algum acontecimento do seu século como fala de um qualquer seu episódio doméstico.

O facto de ter introduzido uma outra forma de pensar através de ensaios, fez com que o próprio pensamento humano encontrasse uma forma mais legítima de abordar o real. A verdade absoluta deixa de estar ao alcance do homem, sendo doravante, possível tão-somente uma verdade (?) por aproximações.

Registre-se que Michel de Montaigne foi tio pelo lado materno de Santa Joana de Lestonnac.



um lançamento da





quinta-feira, 16 de maio de 2013

Crianças Espiritualizadas






Crianças Espiritualizadas por

Prof. Nei Alberto Pies




Somos nós que fazemos a vida/ Como der, ou puder, ou quiser.../

E a pergunta roda/ E a cabeça agita/

Eu fico com a pureza da resposta das crianças/

É a vida, é bonita/ E é bonita...(Gonzaguinha)




A família e a escola foram constituídas, historicamente, alicerces da formação humana. Delas se espera que construam ferramentas que permitam aos indivíduos, de um lado, inserir-se socialmente e, de outro, realizarem-se como seres desejantes, física, moral e espiritualmente. Neste sentido, é imprescindível a espiritualidade, tomada como “unidade sagrada do ser humano (...), convivência dinâmica de matéria e de espírito entrelaçados e inter-retro-conectados”.(Leonardo Boff)

Nas aulas de ensino religioso, para além do conhecimento de diferentes credos e crenças, buscamos estimular opções de vida e comportamento que tragam sentido de vida às crianças e adolescentes. Ensinar sentido de vida pressupõe processos educativos que implicam na autonomia, na responsabilização das ações na medida das forças de cada um, na vivência da liberdade, na abertura do eu para com o outro.

As crianças produzem as mais puras obras da sensibilidade humana e nos orgulham com seus ingênuos e inocentes encantos. Na infância e adolescência, os sentimentos são mais efervescentes, por isto a necessidade de educar em e para os sentimentos.
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terça-feira, 16 de abril de 2013

A Via para o futuro da humanidade

A Via para o futuro da humanidade

de Edgar Morin


TÍTULO ORIGINAL: LA VOIE POUR L'AVENIR DE L'HUMANITE

ENCADERNAÇÃO: Brochura
FORMATO: 15,5 x 23
PÁGINAS: 392
ANO DA OBRA/COPYRIGHT: 2011
ANO DE EDIÇÃO: 2013
EDIÇÃO: 1ª


TRADUTOR: Edgard de Assis Carvalho | Mariza Perassi Bosco


O caminho para a reestruturação de práticas e pensamentos coletivos na sociedade

Em A Via, Edgar Morin responde à seguinte pergunta: estamos caminhando para uma cadeia de desastres? Para respondê-la, dividiu o livro em quatro análises: a regeneração das relações sociais; as bases da democracia cognitiva, da reforma da educação, da formação de intelectuais; os problemas cotidianos e as reformas morais necessárias.

É marcante a melancolia de um investigador que, tendo analisado, durante toda a sua vida, a caminhada da humanidade em direção a um provável abismo, não estará vivo para assistir ao desastre. É também marcante, em toda a sua obra, uma esperança de onde o autor tira sua força, esperança essa que se nutre da desesperança.

Edgar Morin continua enriquecendo sua teoria de uma "antropolítica". O que poderia parecer obviedade ingênua transforma-se em assunto principal, obsessivo e imensamente complexo. O autor empreende uma análise do possível e uma indicação de caminhos vicinais da utopia

Conflitos étnicos, religiosos, políticos. Instabilidade econômica. Degradação da biosfera. Derrocada das sociedades tradicionais e, ao mesmo tempo, da modernidade. Para Morin, eis o cenário atual. Uma época de inúmeras, infinitas crises, cujos responsáveis diretos são a mundialização, a ocidentalização e o desenvolvimento.

O filósofo e pensador francês busca traçar A Via para a reestruturação de práticas e pensamentos coletivos na sociedade, algo possível apenas quando se toma a metamorfose como meta prioritária, utopia realizável, sonho possível. 


EDGAR MORIN FALA SOBRE A VIA -

LA VOIE


aplique legendas se necessário



Leia aqui em PDF
 
Edgar Morin: La Vía para el Futuro de la
Humanidad. Breve presentación
del libro en español
Dr. Pascal Galvani y Dra. Ana Cecilia Espinosa


 lançamentos











segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Estâncias: A palavra e o fantasma na cultura ocidental de Giorgio Agamben

Estâncias: A palavra e o fantasma na cultura ocidental

de Giorgio Agamben

Tradução de Selvino José Assmann

Coleção: Humanitas
2007 - 1ª edição. 2012 - 1ª reimpressão.
263 p. Dimensão: 22,0 X 15,0


A partir da questão do lugar próprio dos produtos do fazer humano, este livro propõe a reconstrução de quatro momentos fundamentais da cultura europeia: a teoria do fantasma na poesia de amor do século XIII; o conceito de melancolia, desde os pais da Igreja até Freud; a obra de arte frente ao domínio da mercadoria; a forma emblemática, desde o século XVI até o nascimento da semiologia. A pesquisa une a devoção filológica pelos detalhes, típica da escola de Warburg, a uma concepção da crítica inspirada em Walter Benjamin e que, numa perspectiva interdisciplinar, vai da filosofia de Averróis à poesia de Baudelaire, de Cavalcanti a Saussure e da medicina medieval a Lacan.


O AUTOR
Giorgio Agamben nasceu em Roma, em 1942.
Formado em Direito.
Escreveu uma tese de doutorado sobre o pensamento
político de Simone Weil.É exaluno
de Heidegger.n É o responsável pela edição italiana da obra de Walter
Benjamin.Foi professor da Universidade de Verona e da
Universidade de Nova York. Leciona Estética na Facoltá Di Design e Arte em
IUAV(Veneza) .

Principais obras
Homo Sacer I, II e III
Infância e História: Destruição da
Experiência da História (2005)
Linguagem e Morte: um Seminário sobre o
lugar da negatividade (2006)
Profanações (2007)


LANÇAMENTO DA



terça-feira, 23 de outubro de 2012

Prabhupada Conversa sobre Platão







O fundador do Movimento Hare Krsna discute divisões sociais e educação, bem como o objetivo destes.

Discípulo: Em A República, a principal obra de Platão sobre teoria política, Platão escreveu que a sociedade pode gozar de prosperidade e harmonia unicamente caso ordene as pessoas em categorias ou classes de trabalho de acordo com suas habilidades naturais. Ele considerava que as pessoas deveriam encontrar suas habilidades naturais e usar essas habilidades em sua máxima capacidade – como administradores, militares ou artesãos. E o mais importante, o chefe de Estado não deveria ser um homem medíocre ou médio, senão que a sociedade deveria ser liderada por um homem muito sábio e bom – um “rei filósofo” – ou um grupo de homens muito sábios e bons.

Srila Prabhupada: Esta ideia parece ser tirada do Bhagavad-gita, onde Krsna diz que a sociedade ideal possui quatro divisões: brahmanas, ksatriyas, vaisyas e sudras. Essas divisões acontecem pela influência dos modos da natureza. Todos, tanto na sociedade humana como na sociedade animal, são influenciados pelos modos da natureza material [sattva-guna, rajo-guna e tamo-guna, ou bondade, paixão e ignorância]. Classificando cientificamente os homens de acordo com essas qualidades, a sociedade pode se tornar perfeita. Caso, entretanto, coloquemos um homem no modo da ignorância no posto de filósofo, ou coloquemos um filósofo para trabalhar como um trabalhador comum, grande caos resultará.

No Bhagavad-gita, Krsna diz que os brahmanas – os homens mais inteligentes, que estão interessados em conhecimento transcendental e filosofia – deveriam receber os postos mais elevados, e, sob suas instruções, os ksatriyas deveriam trabalhar. Os administradores devem certificar-se de que há lei e ordem e que todos estão cumprindo seu dever. A próxima seção é a classe produtiva, os vaisyas, que se ocupam em agricultura e proteção às vacas. E, finalmente, há os sudras, os trabalhadores comuns que ajudam as outras seções. Isto é a civilização védica: pessoas vivendo de maneira simples com base na agricultura e na proteção às vacas. Se você tem leite, grãos, frutas e legumes o suficiente, você pode viver muito bem.

O Srimad-Bhagavatam compara as quatro divisões da sociedade às diferentes partes do corpo – a cabeça, os braços, a barriga e as pernas. Assim como todas as partes do corpo cooperam para manter o corpo bem; no Estado ideal, todas as seções da sociedade cooperam sob a liderança dos brahmanas. Comparativamente, a cabeça é a parte mais importante do corpo, uma vez que fornece direções às outras partes. De modo semelhante, o Estado ideal funciona sob as diretrizes dos brahmanas, que não estão pessoalmente interessados em assuntos políticos ou administrativos em virtude de terem um dever mais elevado. No momento presente, este movimento da consciência de Krsna está treinando brahmanas. Se os administradores aceitarem o nosso aconselhamento e conduzirem o Estado de maneira consciente de Krsna, haverá uma sociedade ideal ao longo do mundo.

Discípulo: Como a sociedade moderna difere da sociedade védica ideal?

Srila Prabhupada: Agora, há uma industrialização em larga escala, que significa a exploração de uma pessoa por parte de outra. Semelhante indústria era desconhecida na civilização védica – era desnecessária. Ademais, a civilização moderna adotou a matança de animais para alimentação, o que é incivilizado – não é sequer humano.

Na civilização védica, quando uma pessoa era inapta para reger, ela era deposta. Por exemplo, o rei Vena mostrou-se um rei inapto. Ele estava interessado simplesmente em caçar. É claro que os ksatriyas eram autorizados a caçar, mas não caprichosamente. Eles não são autorizados a matar muitas aves e bestas desnecessariamente, como o rei Vena estava fazendo e como fazem as pessoas hoje. Naquele tempo, os inteligentes brahmanas objetaram e imediatamente o mataram com uma maldição. Antigamente, os brahmanas tinham tanto poder que podiam matar simplesmente amaldiçoando; armas não eram necessárias.

Atualmente, a sociedade é como um corpo morto, porque falta a cabeça do corpo social. A cabeça é muito importante, e o nosso movimento da consciência de Krsna está tentando criar alguns brahmanas que formarão a cabeça da sociedade. Os administradores, então, serão capazes de reger muito bem sob as instruções dos filósofos e teólogos, isto é, sob as instruções das pessoas conscientes de Deus. Um brahmana consciente de Deus jamais aconselha a abertura de matadouros. Agora, todavia, os muitos patifes a conduzirem o governo autorizam o abate de animais. Quando Maharaja Pariksit viu um homem degradado tentando matar uma vaca, ele imediatamente desembainhou sua espada e disse: “Quem és tu? Por que estás tentando matar esta vaca?”. Ele era verdadeiramente rei. Hoje em dia, homens desqualificados assumem o posto presidencial. E, embora eles talvez se façam passar por muito religiosos, são simplesmente patifes. Por quê? Porque, debaixo de seus narizes, milhares de vacas estão sendo mortas enquanto recebem bons salários. Qualquer líder que seja em algo religioso deve renunciar seu posto em protesto caso o abate de vacas prossiga pelo seu governo. Dado que as pessoas não sabem que esses administradores são patifes, elas estão sofrendo. E as pessoas também são patifes porque estão votando nesses patifes maiores. A visão de Platão é que o governo deve ser ideal, e isto é o ideal: os filósofos santos devem ficar no topo do Estado; segundo o aconselhamento deles, os políticos devem governar; sob a proteção dos políticos, a classe produtiva deve proteger as vacas e providenciar as necessidades da vida; e a classe trabalhadora deve auxiliar. Esta é a divisão científica da sociedade advogada por Krsna no Bhagavad-gita (4.13), catur-varnyam maya srstam guna-karma-vibhagasah: “De acordo com os três modos da natureza material e o trabalho atribuído a eles, as quatro divisões da sociedade humana foram criadas por Mim”.





Discípulo: Platão também observou divisões sociais. Ele, contudo, defendeu três divisões. Uma classe consistia nos guardiões, homens de sabedoria que governavam a sociedade. Outra classe consistia nos guerreiros, que eram corajosos e que protegiam o resto da sociedade. E a terceira classe consistia nos artesãos, que realizavam seus serviços de maneira obediente e trabalhavam apenas para satisfazerem seus desejos.

Srila Prabhupada: Sim, a sociedade humana possui essa divisão tríplice também. O homem de primeira classe está no modo da bondade, o homem de segunda classe está no modo da paixão, e o homem de terceira classe está no modo da ignorância.

Discípulo: O entendimento da ordem social por parte de Platão baseava-se em sua observação de que o homem possui uma divisão tríplice de inteligência, coragem e desejo. Ele disse que a alma possui essas três qualidades.

Srila Prabhupada: Isso é um equívoco. A alma não possui nenhuma qualidade material. A alma é pura, mas, por causa de seu contato com as diferentes qualidades da natureza material, ela está “vestida” em vários corpos. Este movimento da consciência de Krsna visa remover essa veste material. A nossa primeira instrução é: “Você não é este corpo”. Parece que, em seu entendimento prático, Platão identificou a alma com a veste corpórea, e isso não demonstra uma inteligência muito boa.

Discípulo: Platão acreditava que a posição do homem é marginal – entre a matéria e o espírito –, razão pela qual enfatizava o desenvolvimento do corpo. Ele ensinava que todos deveriam ser educados desde a infância, e que parte dessa educação deveria ser a ginástica, para manter o corpo em forma.

Srila Prabhupada: Isso significa que, na prática, Platão identificou muito fortemente o eu como o corpo. Qual era a ideia que Platão tinha de educação?

Discípulo: Despertar o estudante para sua posição natural: quaisquer que sejam suas habilidades ou talentos naturais.

Srila Prabhupada: E o que é essa posição natural?

Discípulo: A posição da bondade moral. Em outras palavras, Platão julgava que todos deveriam ser educados para trabalhar da maneira que melhor se adequasse ao despertar de sua bondade moral natural.

Srila Prabhupada: Mas bondade moral não é o bastante, porque mera moralidade não satisfará a alma. É preciso ir além da moralidade – ir à consciência de Krsna. Neste mundo, é claro, a moralidade é tida como o princípio mais elevado, mas existe outra plataforma, que se chama plataforma transcendental, ou plataforma vasudeva. A perfeição mais elevada do homem está em tal plataforma, o que é confirmado no Srimad-Bhagavatam. Porém, como os filósofos não têm informação da plataforma vasudeva, consideram o modo material da bondade como sendo a perfeição mais elevada e a meta da moralidade. Neste mundo, entretanto, mesmo a bondade moral é afetada pelos modos inferiores da ignorância e da paixão. Não é possível encontrar bondade pura, suddha-sattva, neste mundo material, porque a bondade pura é a plataforma transcendental. Para chegar à plataforma de bondade pura, que é a ideal, a pessoa tem que se submeter a austeridades, tapasa brahmacaryena samena ca damena ca. A pessoa tem que praticar o celibato e controlar a mente e os sentidos. Se o indivíduo possui dinheiro, ele deve distribuí-lo em caridade. Ademais, ele também deve ser muito limpo. O indivíduo, deste modo, pode elevar-se à plataforma da bondade pura.

Para se chegar à plataforma da bondade pura, existe outro processo, o qual é a consciência de Krsna. Se o sujeito se torna consciente de Krsna, todas as boas qualidades automaticamente se desenvolvem nele. Automaticamente ele conduz uma vida de celibato, controla sua mente e seus sentidos, e possui uma disposição caridosa. Nesta era de Kali, inexiste a possibilidade das pessoas serem treinadas a se ocupar em austeridade. Antigamente, um brahmacari se submetia a austero treinamento. Muito embora ele pudesse ser de uma família real ou erudita, o brahmacari se humildava e servia o mestre espiritual como um criado servil. Ele imediatamente fazia o que quer que o mestre espiritual ordenasse. O brahmacari mendigava de porta em porta e levava as esmolas para o mestre espiritual, não exigindo nada para si. O que quer que ele ganhasse, ele dava ao mestre espiritual, porque o mestre espiritual não arruinava o dinheiro gastando-o na gratificação sensorial – ele usava-o para Krsna. Isso é austeridade. O brahmacari também observava celibato, e, porque ele seguia as direções do mestre espiritual, sua mente e seus sentidos eram controlados.

Hoje, no entanto, essa austeridade é muito difícil de ser seguida, em virtude do que Sri Caitanya Mahaprabhu forneceu o processo de adoção direta da consciência de Krsna. Nesse caso, a pessoa precisa simplesmente cantar Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare e seguir os princípios reguladores dados pelo mestre espiritual. O sujeito, então, imediatamente ascende à plataforma da bondade pura.



Discípulo: Platão considerava que o Estado deveria treinar os cidadãos para serem virtuosos. Seu sistema de educação era o seguinte: Pelos três primeiros anos de vida, a criança deveria brincar e fortalecer o seu corpo. Dos três aos seis anos, a criança deveria aprender histórias religiosas. Dos sete aos dez, ela deveria aprender ginástica; dos dez aos treze, ler e escrever; dos quatorze aos dezesseis, poesia e música; dos dezesseis aos dezoito, matemática. Então, dos dezoito aos vinte, o indivíduo se submetia ao treinamento militar. Dos vinte aos vinte e cinco anos, aqueles que fossem científicos e filosóficos deveriam permanecer na escola e continuar aprendendo, e os guerreiros deveriam se ocupar em exercícios militares.

Srila Prabhupada: Esse programa educacional é para todos os homens ou há diferentes tipos de educação para diferentes homens?

Discípulo: Não, isto é para todos.

Srila Prabhupada: Isso não é muito bom. Se um garoto é inteligente e inclinado a filosofia e teologia, por que ele deveria ser forçado a se submeter a treinamentos militares?

Discípulo: Bem, Platão disse que todos devem se submeter a dois anos de treinamento militar.

Srila Prabhupada: Mas por que alguém deveria desperdiçar dois anos de sua vida? Ninguém deve desperdiçar sequer dois dias. Isto é disparate – ideias imperfeitas.

Discípulo: Platão disse que esse tipo de educação revela a que categoria uma pessoa pertence. Ele tinha sim a ideia correta de que o indivíduo pertence a uma classe em particular de acordo com sua qualificação.

Srila Prabhupada: Sim, isso nós também dizemos, mas discordamos que todos devam passar pelo mesmo treinamento. O mestre espiritual deve avaliar a tendência ou disposição do aluno no começo de sua educação. Ele deve ser capaz de ver se o garoto se adequa ao treinamento militar, à administração ou à filosofia e, então, ele deve treinar o garoto completamente de acordo com sua tendência particular. Se alguém é naturalmente inclinado ao estudo filosófico, por que ele deveria desperdiçar seu tempo no exército? E se alguém é naturalmente inclinado ao treinamento militar, por que ele deveria perder seu tempo com outras coisas? Arjuna pertencia a uma família ksatriya. Ele e seus irmãos jamais foram treinados como filósofos. Dronacarya era mestre e professor deles e, embora fosse brahmana, ensinou-lhes dhanurveda, não brahma-vidya. Brahma-vidya é filosofia teísta. Ninguém deve ser treinado em tudo; isso é perda de tempo. Se alguém é inclinado à produção, negócios ou agricultura, deve ser treinado nessas esferas. Se alguém é filosófico, deve ser treinado como filósofo. Se alguém é militarista, deve ser treinado como um guerreiro. E se alguém possui habilidades ordinárias, deve ser treinado como sudra, ou trabalhador. Isso é declarado por Narada Muni no Srimad-Bhagavatam: yasya yal-laksanam proktam. As quatro classes da sociedade são reconhecidas por seus sintomas e qualificações. Narada Muni também diz que a pessoa deve ser selecionada para treinamento de acordo com suas qualificações. Mesmo se nasce em uma família brahmana, o indivíduo deve ser considerado sudra caso suas qualificações sejam de sudra. E, se alguém nasce em uma família sudra, ele deve ser aceito como brahmana caso seus sintomas sejam bramânicos. O mestre espiritual deve ser perito o bastante para reconhecer as tendências do estudante e imediatamente o treinar nessa linha. Isso é educação perfeita.

Discípulo: Platão acreditava que a tendência natural do estudante não viria à tona a menos que ele praticasse tudo.

Srila Prabhupada: Não, isso é errôneo, porque a alma é contínua, e, portanto, todos têm alguma tendência de seu nascimento anterior. Acredito que Platão não tenha compreendido essa continuidade da alma de corpo a corpo. Segundo a cultura védica, imediatamente após o nascimento de um garoto, os astrólogos calculavam a que categoria ele pertencia. A astrologia pode ajudar caso haja um astrólogo de primeira classe. Semelhante astrólogo pode dizer de que linha o garoto está vindo e como ele deve ser treinado. O método educacional de Platão era imperfeito porque era baseado em especulação.

Discípulo: Platão observou que uma combinação particular dos três modos da natureza está agindo em cada indivíduo.

Srila Prabhupada: Por que, então, ele diz que todos devem ser treinados da mesma maneira?

Discípulo: Porque ele alegava que as habilidades naturais da pessoa não se manifestarão a não ser que ela receba a chance de experimentar tudo. Ele observou que algumas pessoas ouvem primeiramente à sua inteligência, e ele disse que eles são governados pela cabeça. Ele observou que algumas pessoas têm uma disposição agressiva, e ele disse que esses tipos corajosos são governados pelo coração – pela paixão. E ele viu que algumas pessoas, que são inferiores, querem apenas satisfazer suas apetências. Ele disse que essas pessoas são animalescas, e ele acreditava que eram governadas pelo fígado.

Srila Prabhupada: Isso não é uma descrição perfeita. Todos possuem um fígado, um coração e todos os membros corpóreos. Se a pessoa está no modo da bondade, da paixão ou da ignorância depende de seu treinamento e das qualidades que adquiriu durante sua vida anterior. Segundo o processo védico, o indivíduo, no nascimento, recebe imediatamente uma classificação. Sintomas psicológicos e físicos são considerados, e, em geral, apura-se a partir do nascimento que a criança tem uma tendência particular. Essa tendência, no entanto, pode mudar de acordo com as circunstâncias, e, se a pessoa não preenche o papel designado a si, ela pode ser transferida para outra classe. Alguém talvez tenha recebido treinamento bramânico em uma vida anterior, e ele talvez exiba sintomas bramânicos nesta vida, mas o indivíduo não deve pensar que, porque nasceu em uma família brahmana, ele automaticamente é brahmana. A pessoa pode ter nascido em uma família brahmana e ser sudra. Não é uma questão de nascimento, mas de qualificação.

Discípulo: Platão também acreditava que a pessoa tem que se qualificar para o seu posto. O sistema de governo dele era bastante democrático. Ele julgava que todos deveriam receber a chance de ocupar os diferentes postos.

Srila Prabhupada: Na verdade, nós somos os mais democráticos, porque nós estamos dando a todos a chance de se tornarem brahmanas de primeira classe. O movimento da consciência de Krsna está dando mesmo ao membro mais baixo da sociedade a chance de se tornar um brahmana tornando-se consciente de Krsna. Candalo ’pi dvija-srestho hari-bhakti-parayanah: Embora talvez nascido em uma família de candalas, tão logo o sujeito se torna consciente de Deus, consciente de Krsna, ele pode se elevar à posição mais elevada. Krsna diz que todos podem voltar ao lar, voltar ao Supremo. Samo ’ham sarva-bhutesu: “Sou igual para com todos. Todos podem vir a Mim. Não há impedimento”.

Discípulo: Qual é o propósito das ordens sociais e do governo estatal?

Srila Prabhupada: O propósito último é tornar todos conscientes de Krsna. Essa é a perfeição da vida, e toda a estrutura social deve ser moldada com essa meta em vista. É claro que nem todos podem se tornar inteiramente conscientes de Krsna em uma vida, assim como nem todos os alunos em uma universidade podem obter o título de doutor em uma tentativa. A ideia de perfeição, entretanto, é passar na prova do doutorado, e, portanto, os cursos de doutorado devem ser mantidos. Similarmente, uma instituição como este movimento da consciência de Krsna deve ser mantido a fim de que ao menos algumas pessoas possam alcançar a meta última e a fim de que todos possam se aproximar da meta última: a consciência de Krsna.

Discípulo: A meta do governo estatal, portanto, é ajudar que todos se tornem conscientes de Krsna?

Srila Prabhupada: Sim, a consciência de Krsna é a meta mais elevada. Portanto, todos devem ajudar este movimento e tirar proveito dele. Independente de seu trabalho, todos podem vir ao templo. As instruções são para todos, e a prasada é distribuída a todos. Portanto, não há dificuldade. Todos podem contribuir para este movimento da consciência de Krsna. Os brahmanas podem contribuir com sua inteligência, os ksatriyas com sua caridade, os vaisyas com seus grãos, leite, frutas e flores, e os sudras com seu serviço corpóreo. Mediante esse esforço coletivo, todos podem alcançar a mesma meta: a consciência de Krsna, a perfeição da vida.





Discípulo: Em uma alegoria muito famosa em A República, Platão descreve representantes da humanidade presos em uma caverna escura e capazes de ver apenas sombras projetadas pela luz de uma fogueira. Uma pessoa se liberta e vê o mundo externo, e essa pessoa retorna para a caverna para dizer às pessoas lá que elas estão vivendo na escuridão. Os residentes da caverna, porém, consideram-no louco.

Srila Prabhupada: Essa história é como a nossa história do Dr. Sapo. Ele jamais havia saído de seu poço escuro, logo ele pensava: “Aqui está tudo”. Quando ele foi informado acerca da existência do vasto oceano Atlântico, ele não pôde conceber um corpo d’água tão extenso.

Similarmente, aqueles que estão no poço escuro deste mundo material não podem conceber a luz exterior, no mundo espiritual. Mas esse mundo é um fato. Suponha que alguém tenha caído em um poço e esteja gritando: “Caí neste poço! Por favor, salvem-me!”. Então, um homem de fora do poço solta uma corda e diz: “Apenas pegue esta corda e eu trarei você para fora!”. Mas não, o homem caído não tem fé no homem de fora e não pega a corda. Similarmente, estamos dizendo a todos no mundo material: “Vocês estão sofrendo. Apenas adotem esta consciência de Krsna e todos os seus sofrimentos serão aliviados”. Infelizmente, as pessoas se recusam a segurar a corda, ou elas sequer admitem que estão sofrendo.

No entanto, aquele que for afortunado segurará a corda da consciência de Krsna, após o que o mestre espiritual o ajudará a sair deste escuro mundo de sofrimento e o levará ao feliz e iluminado mundo da consciência de Krsna.


Leia no Blog a conversa Srila Prabhupada Conversa sobre Carl Jung. (clique aqui)


Do Blog Volta ao Supremo da BBT Brasil. Leia outros artigos em www.voltaaosupremobr.wordpress.com.