terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pauliceia Literária realiza leitura dramática de peça inédita de Patrícia Melo


Atividade promovida pelo Festival Internacional de Literatura -- o Pauliceia Literária -- apeça inédita da escritora e dramaturga Patrícia Melo, O Buraco, terá leitura dramática na quinta-feira, 12 de setembro, a partir das 19 horas, na sede da Associação dos Advogados de São Paulo. Autora de nove romances, a escritora estreou como dramaturga em 2001, com a peça Duas mulheres e um cadáver, dirigida por Aderbal-Freire Filho, com Fernanda Torres e Debora Bloch no elenco. Neste ano, a autora será a homenageada da primeira edição do Pauliceia, que acontece entre os dias 19 e 22 de setembro. A leitura será dirigida por Pedro Granato. O evento é gratuito e não é necessária inscrição prévia para participação. O auditório está sujeito à lotação máxima de 60 pessoas.

SERVIÇO
Leitura Dramática – O Buraco, por Pedro Granato
Local: sede da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) – Rua Álvares Penteado, 151 –1º andar – Auditório 3

Horário: quinta-feira, dia 12 de setembro, a partir das 19 horas
Evento gratuito.
Lotação: 60 pessoas.

21/9 MARCELO MANSFIELD EM TEMPORADA NO TATUAPÉ


Marcelo Mansfield em


 


NOCAUTE




Integrante do programa “Agora é Tarde” (BAND),

com Danilo Gentili, volta em cartaz em temporada no Tatuapé



Estreia dia 21 de setembro no Teatro Fernando Torres



Imagem 03614©RonaldoAguiarImagem 048



Em NOCAUTE, Marcelo Mansfield traz

um nocaute no nariz da sociedade, com observações

do dia a dia que o ator

foi colecionando como mestre de cerimônia

no Clube da Comédia

(Inicialmente formado pelos humoristas Diogo Portugal,

Marcela Leal, Rafinha Bastos e Oscar Filho).

Temas como política, viagens,

programas de tv e sexo, são abordados no show

com duração aproximada de 60 minutos.





Com o seu olhar bem humorado sobre a vida,

o público irá perceber que o espetáculo trata

de uma conversa sincera entre ator e plateia,

como se eles tivessem acabado de se conhecer.

 Mansfield agora vem à cena num espetáculo

único na forma de stand-up comedy,

estilo que privilegia o texto e o humorista de cara limpa.

A supervisão é do seu amigo e parceiro Rafinha Bastos.





SERVIÇO

Nocaute

Texto, direção e interpretação: MARCELO MANSFIELD

Supervisão: RAFINHA BASTOS

Temporada: de 21 de setembro a 26 de outubro

Horário: 23h30

Preço: R$ 50,00

Meia: R$ 25,00

Duração: 60 minutos

Recomendação: 14 anos

Capacidade:  687 lugares

Teatro Fernando Torres
Rua Padre Estevão Pernet, 588 - Tatuapé

11. 2227-1025

Ingressos:

Pela Internet: www.ingressorapido.com.br

tel: 4003.1212

Bilheteria: das 14h às 20h de terça a domingo e até o horário do espetáculo aos sábados

Aceita todos os cartões

Café no local

Estacionamento conveniado no subsolo
Próximo aos metros Carrão e Tatuapé







BIOGRAFIA

Atualmente participa do programa “Agora é Tarde” (BAND), com Danilo Gentili. Integrou o elenco do programa "Zorra Total" (REDE GLOBO) como o “Seu Banana”, inspirado em um personagem de grande sucesso, o “Seu Merda”, criado para o show da Terça Insana. Foi mestre de cerimônias do Clube da Comédia, em cartaz há mais de quatro anos em SP.

 

Participou de várias novelas e minisséries, destacando-se em Mulheres de Areia, Chiquinha Gonzaga, Celebridade e Desejos de Mulher, além dos programas Mulher e Armação Ilimitada, todos pela TV Globo. Na TV Cultura, fez parte do elenco dos premiados Rá-Tim-Bum e X-Tudo. Trabalhou em O Direito de Nascer no SBT e Uma Luz na Escuridão na Record. Na década de 80 teve seu próprio programa de humor na TV Gazeta, o Marcelo Mansfield Show e por oito anos esteve à frente do TVLÂNDIA, pelo Canal de SP da TVA.



MARCELO MANSFIELD



Em cinema, atuou em 17 filmes, destaque para o premiado filme de Ugo Giorgetti, Festa e o cultuado Durval Discos, de Anna Muylaert, alem do trash Loira Incendiária, onde foi co-autor junto com Ângela Dip e Mauro Lima, baseado na PECa de memso nome.



Manteve uma coluna semanal por mais de um ano na Folha de SP e colaborou com várias revistas e jornais, tais como: Marie Claire, Set, Contigo, Transamérica, Jornal da Tarde, entre outros. Nesse ínterim ainda achou tempo para se dedicar a pesquisa para Bolsa Vitae e para um estágio em comédia de situação em Hollywood, acompanhando as gravações dos seriados The Nanny e The Naked Truth.




Texto de Elaine Tavares - Levanta o povo charrua

Levanta o povo charrua


Por elaine tavares  - jornalista




Era uma fria manhã de 1834 na bela Lyon. Enquanto a cidade amanhecia, com seus odores de pão fresco e gentes malcheirosas, um homem jovem andava ligeiro pela rua ainda vazia. Carregava nos braços um bebê. Vestia-se pobremente e volta e meia olhava para trás, esperando ver soldados. Os poucos transeuntes não sabiam, mas ali ia um valente cacique charrua, chamado Tacuabé. Carregava a filha da também charrua Guyunusa que, como ele, fora aprisionada na região da Banda Oriental (hoje Uruguai), e remetida a Paris, como um bicho raro. Eram quatro os índios levados para a França: Tacuabé, de 23 anos, Vaimava, um velho cacique, Senaqué, um conhecido pajé charrua e Guyunusa. Obrigados a se apresentarem em circos pelos arredores de Paris, sofrendo maus tratos e saudosos de sua terra, os charrua foram morrendo um a um. O primeiro foi Senaqué, que definhou de tristeza, depois o velho Vaimaca. Guyunusa, com pouco mais de 20 anos, tomada pela tuberculose, morreu em Lyon, deixando um bebê que se acredita fosse filha de Vaimaca. Obteve de Tacuabé a promessa de que a garota haveria de ser livre. E assim, tão logo ela fecha para sempre os olhos, o jovem charrua decida escapulir do circo, levando com ele a menina. Os historiadores nunca acharam o rastro do cacique e da menina charrua, mas, se sobreviveram é possível que hoje o sangue charrua também corra em alguma família aparentemente francesa. Porque se ser charrua é ser valente, não há dúvidas de que Tacuabé conseguiu garantir a vida, dele e da menina, naqueles longínquos e tristes dias.



Quem eram os charrua



Corria o ano de 1513 quando Juan de Solis chegou ao Rio da Prata e isso marcaria para sempre a vida dos povos que ali viviam desde há séculos. O povo charrua era uma gente aguerrida que habitava as pradarias do que hoje é o Uruguai, a pampa argentina e parte do Rio Grande do Sul. Chamado de vale do rio Uruguai essa era uma região de coxilhas e muitas pradarias, espaço de ventos intensos tanto no verão como no inverno. Além da gente charrua e do povo minuano, dividiam o espaço as capivaras, ratos do banhado, pecaris, veados, jaguatiricas e o mítico ñandu (a ema).



Já em 1526, o espanhol Diego Mogger relata em suas cartas sobre esses indígenas que eram vistos de longe, observando e sendo observados bem na entrada do Rio da Prata. Os espanhóis descreviam os charrua como uma gente moreno-oliva, de estatura média, pomo de adão saliente, dentes bons, rosto largo, boca grande e lábios grossos. Os homens usavam cabelo bem comprido, muito lisos, e tinham por costume amputar um dedo da mão. Já os minuano eram um pouco mais baixos, de fala baixa, melancólicos e igualmente acobreados. Durante todo o processo de ocupação do território do que hoje é o sul da América Latina eles se mantiveram à distância, porque seu espaço era o interior e tantos os espanhóis quanto os portugueses preferiam se radicar nas margens do mar ou dos grandes rios. Mesmo assim, desde a chegadas dos invasores muitas foram as escaramuças, principalmente com os charrua. Desde o ano de 1573 já é possível encontrar relatos de lutas com os espanhóis.



Eles viviam como grupos seminômades, em acampamentos estáveis, ora aqui, ora ali, seguindo o ritmo das estações. Caçavam e plantavam coletivamente num território que, depois da invasão, ficou durante mais de dois séculos como fronteira não demarcada entre Espanha e Portugal. Era visto pelos invasores como “terra de ninguém”. Mas, ao contrário do que poderiam crer os que chegavam da Europa, aquele era um espaço já há centenas de anos ocupado não só pelos Charrua mas também pelos povos Minuano, Tapes, Chaná e até Guarani. Ainda assim, apesar das lutas esporádicas, os originários eram ignorados. "Sem alma", diziam os padres. Assim, para os europeus, Joãos e Marias ninguém.



Só que, na verdade, esses povos já tinham desenvolvido uma cultura. Tinham uma organização comunitária e eram regidos por um conselho da aldeia. As tarefas eram definidas, os homens caçavam e as mulheres cuidavam dos toldos que lhe serviam de abrigos. Desenvolveram tecnologias eficazes para a caça como é o caso da boleadeiras, instrumento usado para derrubar os ñandus e bichos maiores. Já cozinhavam a carne e produziam vasos de barro escuro, os quais serviam para uso doméstico. Reverenciavam as forças da natureza e acreditavam na ressureição, uma vez que seus mortos eram enterrados com todos os seus objetos pessoais, para uso na outra vida. No verão andavam nus, no inverno se ungiam com gordura de peixe e usavam peles de animais. As mulheres usavam uma espécie de fralda de algodão, hoje conhecida como xiripá, chamado por eles de cayapi. Os homens usavam uma vincha (faixa de pano) na testa. Toda a organização girava em torno do núcleo familiar. Um homem quando queria se casar fazia o pedido ao pai da moça e já montava sua tenda. A comunidade não tinha hierarquia, tampouco chefe, tudo era decidido no conselho. Presos de guerra não eram escravizados, viravam família e se integravam na vida da comunidade. Todo grupo tinha uma mulher velha que cuidava da saúde. O grupo tinha por costume se reunir no cair da noite para planejar o dia seguinte, mas nada era imposto. Era um povo livre e essa forme de viver iria, três séculos mais tarde, encantar o jovem Artigas, que seria um dos libertadores nas guerras de independência.



A ocupação espanhola



A vida dos charrua começaria a mudar radicalmente a partir de 1607 quando os espanhóis introduzem o gado bovino e equino na região e, como as pradarias não tinham fim, os animais se espalhavam chegando a gerar imensos rebanhos selvagens chamados de “cimarrón”. Tão logo conheceram o cavalo, os charrua se encantaram com a beleza, a velocidade e a docilidade dos mesmos. Trataram de aprender a lidar com eles e em pouco tempo era exímios cavaleiros, imbatíveis no lombo nu dos velozes cimarrón. Nas batalhas, eles se agarravam às crinas e permaneciam deitados de um lado, praticamente invisíveis aos inimigos. Por algum motivo não sabido, charrua e cavalo passaram a ser quase como uma só criatura.



Por outro lado, foi justamente o crescimento exponencial do gado bovino o responsável pelo fim da mal arranjada paz no território charrua. Como a carne e o couro eram artigos disputados pelo comércio da época, a região que antes era dominada pelos indígenas passa a receber levas de faeneiros (a mando dos espanhóis) e changueadores (aventureiros) que buscavam arrebanhar o gado selvagem para a venda aos ingleses. Essa mistura com a gente europeia e criolla vai enfraquecendo o já frágil domínio que os charrua tinham sobre o território da campanha. Também é nessa época que ficam mais acirradas as relações com a gente branca que começava a adentrar para o interior, cercando terras e fazendo-as suas.



Em 1626 é a vez da chegada dos jesuítas que começam a criar missões para aldear os índios. O objetivo era domesticar e converter. Os guarani foram mais suscetíveis ao discurso e a ação dos jesuítas, mas os charrua não quiseram nem saber. Eram homens e mulheres livres, acostumados aos caminhos da pampa e não houve quem pudesse prendê-los, ainda que com discursos de salvação. Diz a história que chegou a existir uma pequena redução charrua, em torno de 500 almas, mas não durou mais que quatro anos. Os charrua prezavam a liberdade e, acossados pela invasão branca, acabavam por realizar operações de saque nos povoados, em busca do fumo e da erva-mate. Por conta disso a relação com os colonizadores se acirrava cada vez mais. Naqueles dias começavam a surgir as estâncias, e o gado deixava de ser solto nas pradarias, sendo recolhido em grandes currais. Assim, os animais livres escasseavam e os indígenas perdiam sua fonte de sobrevivência, passando a viver em estado de miséria. Sem terra, sem gado e sem comida, só restava o roubo.



Para os espanhóis e criollos que começaram a ocupar as terras da Banda Oriental, aquela "indiarada" começou a ser um problema e tanto. Era preciso exterminá-los. Foi nesse contexto que aconteceu a famosa "batalha de Yi" em 1702, quando os espanhóis decidiram encerrar a aliança que mantinham com os charrua e os minuano, e resolveram matar todo mundo. Para isso, de forma perversa, contaram com a ajuda dos guarani, os quais já mantinham aldeados há anos. E o resultado foi que mais de 200 charrua pereceram sob o exército de dois mil guarani. Outros quinhentos, levados como prisioneiros para as missões, foram assassinados pelos tapes, também orientados pelos jesuítas e chefes espanhóis. Era o que os espanhóis chamavam de "limpeza dos campos". Na metade do século muitos tinham sido passado pela faca e as mulheres e crianças mandadas a Buenos Aires e Montevidéu servindo como domésticas. Ainda assim, vários grupos resistiram e seguiram vagueando pelos campos, vivendo de contrabando de gado e roubo.



Artigas, os charrua e a independência



São esses valentes que o jovem José Artigas vai encontrar nas cercanias das terras onde vivia com os pais, na imensidão da campanha gaúcha. Desde bem guri ele fugia para as tolderias e aprendia com os charrua o valor da vida em liberdade. Aprendeu suas táticas de guerra, sua cultura, sua forma comunitária de viver. Quando então, finalmente, saiu de casa para não mais voltar, foi viver de aventuras como contrabandista de gado. Abdicando de ser um “filho de fazendeiro” era com os irmãos charrua que ele vagueava pelos campos na única rebelião possível naqueles dias: pegar os espanhóis pelo bolso. Em 1897, quando decide entrar para o batalhão de Blandengles, Artigas já tem muito claro os seus objetivos. Inspirado por tantas lutas que assomaram contra o domínio espanhol, Artigas decide que, junto com os negros e índios – os mais explorados entre os explorados – vai comandar a luta pela independência da Banda Oriental.



E é assim que as coisas acontecem. O soldado Artigas não é um soldado qualquer. Ele pensa e propõe. Tem do seu lado uma leva de homens livres que o seguem de livre vontade. Não como um líder, mas como a um irmão. Acreditam nele e nos seus desejos de vida digna, de terra repartida, de vida comunitária. Esse legado, aprendido com os charrua, é o que vai comandar toda a proposta artiguista de libertação. E é na valentia indígena que acontece a primeira grande batalha de Artigas, na comunidade de Las Piedras, em 1810. Armados apenas de facas, os comandados de Artigas colocam para correr os soldados bem armados da coroa. Depois disso, são inúmeras as páginas da guerra, com Artigas e seu grupo de índios e negros, aos quais chamava de “povo de heróis”. Com eles, praticava a política da soberania popular e da autodeterminação, gestando uma consciência de classe, de pertencimento, que se manteve firme até o massacre final. Nos acampamentos comandados por Artigas todas as coisas eram discutidas abertamente, cada soldado, cada mulher, cada ser, tinha direito a voz e voto. Era essa gente que deliberava, Artigas apenas cumpria. No primeiro grande êxodo, quando o povo seguiu com ele pelo lado norte do rio Uruguai, Artigas chegou a criar uma entidade sociológica, a qual dizia obedecer. Era o “povo oriental em armas”. Nunca traiu os seus companheiros e com eles levou a Banda Oriental à liberdade.



Mas, a história da libertação desta parte do sul do mundo tem também os seus traidores, que acabaram sendo os carrascos de Artigas e dos charrua. Logo depois da independência, os interesses da elite criolla foram se consolidando e “aquela gente suja” que andava com Artigas acabou virando uma pedra no sapato. Ninguém queria que as ideias de reforma agrária, democracia e autodeterminação vingassem por ali.  A revolução artigista representava uma transformação radical nos métodos e práticas de governo. A prioridade era a ação direta do povo. As comunidades elegiam seus representantes de forma livre e era nas assembleias que se discutiam os temas relevantes da nação. Este sistema foi cunhado como o “sistema dos povos livres”. Pela primeira vez, depois da conquista europeia, o território voltava a ser das gentes. E a proposta defendida por Artigas era tão avançada que ele conseguia manter unidos os povos originários e os descendentes espanhóis sob o mesmo desejo: criar uma pátria nova, livre, soberana, onde cada um tivesse o mesmo poder. Era coisa demais para as elites locais e para os que sonhavam em dominar a região, rica em carne e couro.



Foi aí que começou a se gestar o processo de destruição de Artigas e de seu povo. Através de intrigas e difamações, o comandante é escorraçado do Uruguai, partindo para o exílio no Paraguai. Com ele seguem dezenas de famílias charrua, decididas a compartilhar sua derrota. Mas, outros tantos permanecem no território uruguaio e passam a ser vistos como um perigo em potencial. Eram homens livres e não haveriam de aceitar a perda das terras e de todo o ideário construído com Artigas. O presidente da nação recém-criada, Fructuoso Rivera decide então chamar os charrua para uma armadilha.



Corre o ano de 1831, num cálido abril, quando Fructuoso envia convites a todas as tolderias charrua para um encontro em Salsipuedes. Pede a ajuda dos indígenas para defender as fronteiras contra os portugueses. Os charrua acorrem, solícitos, em defesa da pátria oriental, a qual aprenderam a amar como sua. Eles chegam, armam seus toldos e esperam pelo presidente. Ele nunca chegaria. Durante a noite, enquanto os indígenas dormem, o exército ataca. A ordem é matar todo mundo. Nenhum charrua deve sair vivo.  O que se vê na manhã seguinte é um banho de sangue. O povo charrua está exterminado. Os poucos que restam vivos são vendidos como escravos. A nova nação se vê livre do incômodo: o valente povo charrua que, na verdade, foi o protagonista da liberdade.



Entre os “escravos” levados para Montevidéu seguem Vaimaca, Senaqué, Tacuabé e Guyunusa, que dois anos mais tarde são levados como “bichos de circo” para a França. Subsumidos como criados e perdidos de sua liberdade o povo charrua originário do Uruguai vai se apagando, até deles não restar mais vestígios. Alguns poucos homens que sobrevivem ao massacre de Salsipuedes, comandados pelo cacique Sepé atravessam o rio Uruguai pela cidade de Quaraí, e passam para o lado português, indo, mais tarde, se integrar às colunas do exército farrapo que iniciou a luta pela independência na região do Rio Grande do Sul. Misturados aos minuanos e tapes, eles irão escrever páginas gloriosas no chão brasileiro, mas, igualmente derrotados, também desaparecem na poeira da história.



O fim?



Até o final do século XX era dado como certo que o povo charrua era uma gente extinta. Dela restava só a memória daqueles anos longínquos da independência. Mas, pouco a pouco, pessoas foram se deparando com suas raízes, descobrindo seus ancestrais. Descendentes da gente charrua que passou para o Paraguai com Artigas, do grupo que cruzou o rio Uruguai e veio para o Brasil, dos que sobreviveram como escravos ou empregados domésticos. A história charrua voltou a ser contada, palavras da língua original começaram a ser lembradas e a vida brotou. O povo charrua foi assomando nos descendentes e hoje já são milhares os que se autodenominam assim. Há uma organização do povo charrua no Uruguai e outra no Rio Grande do Sul. Não há um território específico sendo reivindicado ainda, mas já se sabe que no início de 1900 havia um pequeno grupo fixado na região de Tacuarembó, no Uruguai, bem como atualmente há um grupo vivendo em comunidade próximo à Porto Alegre.



Para os descendentes o mais importante agora é recuperar a história. O povo do Uruguai precisa saber que só é livre porque um dia o povo charrua se levantou em armas, junto com Artigas, e defendeu as fronteiras ajudando a criar a nação. O povo do sul precisa saber que os charrua foram enganados, massacrados, mas ainda assim deixaram viva a sua marca. Não é sem razão que na entrada de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a estátua que representa a cidade é uma figura que é um misto de paisano e charrua. O famoso “laçador”, apesar de um semblante bem paisano, aparece com o xiripá, a vincha na testa e a boleadeira, elementos típicos da cultura charrua.



E, hoje, já na metade da primeira década do século vinte e um, os charrua se levantam e se mostram. Tanto que no dia 9 de novembro de 2007, após uma luta que já durava 172 anos, a Câmara Municipal de Porto Alegre reconheceu a comunidade charrua como um povo indígena brasileiro. Considerado extinta pela Fundação Nacional do Índio (Funai), essa foi uma vitória fundamental. O evento foi organizado em conjunto pelas comissões de Direitos Humanos da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa e do Senado Federal.



Há informações de que existem mais de seis mil charrua nos países que compõem o Mercosul. Só no Rio Grande do Sul, são mais de quatrocentos índios presentes nas localidades de Santo Ângelo, São Miguel das Missões e Porto Alegre. A terrível sentença de Fructuoso Rivera não se cumpriu. O povo que dominava todo o território da Banda Oriental não foi exterminado. Ele vive e avança!

TERÇA INSANA DE SETEMBRO


TERÇA INSANA 2013

Terças-feiras de Setembro,

às 21h, no Teatro Itália



Com  Grace Gianoukas,   Thália Bombinha e

Guilherme Uzeda



Zildo: personagem de Guilherme Uzeda





O Projeto Terça Insana,

idealizado pela atriz e diretora Grace Gianoukas

está em cartaz todas as terças-feiras no Teatro Itália.



Desde a estréia, em 2001, a Terça Insana

se tornou um divisor de águas no cenário

da comédia no Brasil. Levou aos palcos cerca

de 320 espetáculos diferentes,

repletos de personagens, cenas e textos originais,

que hoje compõem um enorme repertório de criações.





Terça Insana

Direção: Grace Gianoukas

Elenco: Grace Gianoukas e convidados

Temporada por tempo indeterminado

Recomendação: 14 anos

Duração: 70 minutos

Local: Teatro Itália

www.teatroitalia.com.br

Av. Ipiranga, 344 – Centro

278 lugares

Ingressos: R$ 80,00 / R$ 40,00 meia

Bilheteria:terça a domingo – das 15h ás 21h
Vendas on line – www.compreingressos.com

11. 2122.2474

Cartões aceitos – Todos
Cheques: Não
Venda e reserva por telefone: Não
Meia entrada para aposentados, professores da rede

estadual e estudantes (mediante documento comprobatório)

Ar condicionado
Acesso e banheiro para deficientes físicos
Estacionamento – serviço de valet conveniado ao Edifício Itália

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Blumenau, uma cidade sem alma - texto de Sally Satler

Pessoal,
Uma interessante reflexão:

"Antes que muitos levantem seus cajados e atirem pedras, tenho a dizer que o título que leva esse artigo não foi dito por mim. Foi por um francês, que trabalhou por muitos anos na Alemanha, mas hoje mora na fronteira com a Suíça e esteve aqui na cidade no início deste ano (janeiro/2013). Veio até Blumenau a convite de uma amiga; e, passeando por aqui, disse que não entendia o porquê dessa paranóia da cultura alemã - se a essência dessa cultura vem sendo demolida e arrancada. Perguntou também onde estariam os jardins, as praças, os parques, as sombras e as árvores da cidade. Ao visitar a Vila Germânica, questionou porque Blumenau quer ser algo que ela não é.

As perguntas são difíceis de responder, mas foram essas as questões que me motivaram a escrever esse artigo.

Fazendo uma breve análise do cotidiano blumenauense, fica difícil dizer que ele não tenha razão. Blumenau enche a boca de orgulho pra dizer que tem famosos eventos turísticos regados a cerveja e chopp, mas parece não ter muita sede de cultura, arte ou mesmo de lazer, que não seja aquele amortecido pelo álcool. Os investimentos públicos em arte e cultura na cidade ainda andam a passos lentos e dormentes. A maior parte dos incentivos são dados para manter uma hegemonia da identidade alemã, que já não se justifica mais dentre tantas outras. Sem falar nos empresários blumenauenses, que não contribuem sequer pela lei de mecenato, mesmo não lhes causando qualquer prejuízo financeiro, eis apenas direciona os impostos para atividades culturais da sua cidade." Sally Satler

Texto Completo:
http://sallysatler.blogspot.com.br/2013/08/blumenau-uma-cidade-sem-alma.html

ATENÇÃO - Extrema-direita prepara manifestação golpista para 7 de setembro




Radicais da oposição articulam o 7 de setembro: Protestos convocados para o feriado da Independência, que já geram a expectativa de quebra-quebra, estão sendo articulados por grupos políticos que alimentam o golpismo, entre eles, uma ONG ligada à família do deputado Jair Bolsonaro. Outro organizador já foi funcionário fantasma do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB/PR). Em nota, grupo Anonymous ressalta o caráter apartidário [sic] do protesto que está convocando 4,5 milhões de brasileiros em 147 cidades no País. Será?


Qual é a mão que balança o berço do 7 de setembro? Cercado de expectativa, o próximo feriado da Independência deve marcar a reabertura da temporada de protestos no País. Manifestações convocadas pelas redes sociais projetam que 4,5 milhões de brasileiros poderão ir às ruas, em 147 cidades brasileiras. Grupos mais radicais já falam até, de forma explícita, em promover quebra-quebra.


E os coxinhas ainda dizem que é um movimento apartidário. Cadê o trensalão tucano?


Mas será que são manifestações autônomas da “cidadania” ou há uma articulação política por trás dessas convocações? Uma reportagem da revistaCartaCapital (“O desfile golpista”, de André Barrocal) lança algumas luzes sobre essa movimentação. Segundo o texto, entre os agitadores do 7 de setembro estão a ONG Brazil No Corrupt, ligada à família do deputado homofóbico Jair Bolsonaro (PP/RJ), que defende abertamente o regime militar de 64, e um militante virtual na internet. Ele se chama Ari Nogueira e já trabalhou no gabinete do deputado estadual Valdir Rossoni (PSDB/PR), que comanda há anos a Assembleia Legislativa do Paraná – Ari, que usa no Twitter o pseudônimo Ary Kara, estaria sendo investigado por ser um dos funcionários fantasma do Legislativo paranaense, lotado no gabinete de Rossoni.


De acordo com o texto de Barrocal, os núcleos que organizam os protestos estão no Rio e no Paraná, agindo com nítidas intenções golpistas. Desta vez, a presidente Dilma seria um dos alvos principais de um movimento que vem sendo chamado de “Operação Sete de Setembro”. Não se sabe se o plano vai funcionar, mas uma coisa é certa: ao contrário dos acontecimentos de junho, o movimento nada tem de apartidário”, diz a reportagem.


O texto já gerou, é claro, reações nas redes sociais. Homofóbica, a ONG Brazil No Corrupt criticou a revista e seus “cu mpanheiros”. Mas o grupo Anonymous também se viu forçado a divulgar nota para negar qualquer caráter partidário na “Operação Sete de Setembro”.


O deputado Valdir Rossoni, por sua vez, afirmou que Ari Nogueira não trabalha mais em seu gabinete e disse não ser responsável por suas atitudes e por sua ideologia política. Mas os órgãos de inteligência do governo e o próprio Ministério Público estão atentos à mobilização da Operação Sete de Setembro nas redes sociais. A ordem, desta vez, é mapear a gênese de protestos que, inevitavelmente, podem descambar em violência.


por Teca Notari

Obras em técnicas variadas integram mostra no Memorial de Curitiba



O Salão Brasil do Memorial de Curitiba abriga, a partir das 19h desta quinta-feira (29), a exposição Abstractus, reunindo obras dos artistas Ana Serafin, Katia Kimieck, Silvana Camilotti, Vavá Diehl, Faisal Iskandar e Jorge Kimieck, que expressam sua arte em várias técnicas, proporcionando um intercruzamento de linguagens que enfatiza os aspectos formais e estruturais dos trabalhos.
Ana Serafin, Katia Kimieck, Silvana Camilotti e Vavá Diehl apresentam pinturas sobre tela em diferentes técnicas, como óleo, colagem e acrílica. As composições remetem a um universo cromático particular, cada qual com sua visão de abstracionismo. Cursando Pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná – Embap, com várias exposições no Brasil e no exterior, além de possuir prêmios e obras em acervos nacionais e estrangeiros, Ana Serafin vê a linha como movimento de transformação, utilizando-a em seu trabalho com a preocupação de estabelecer as relações entre pintura, luz, sombra e contrastes, criando planos de nuances. Segundo a artista, “a linha provoca os sentidos, construindo o novo por meio da forma e materializando no suporte o que sentimos a partir do olhar”. 
Formada em Artes Plásticas pela Faculdade de Artes do Paraná – FAP e com diversas exposições coletivas e individuais, Katia Kimieck explora texturas sinuosas, rostos abstraídos de sua identidade formal e corpos estilizados, no intuito de instigar o olhar por meio da continuidade implícita do movimento. Silvana Camilotti – que possui formação em Pintura pela Embap e exibe no currículo extensa lista de exposições no Brasil e em países como Espanha, Austrália, Colômbia e Venezuela – utiliza materiais distintos, propondo o diálogo sujeito-objeto. A artista rasga, cola, pinta e mancha, compondo e ocupando o suporte em planos interligados como expressão do próprio ato criador, tendo a existência como forma de linguagem.
Vavá Diehl atua dentro do conceito upcycling, processo que transforma materiais e embalagens descartáveis, recicláveis ou não, em novas peças. O principal foco de seu trabalho é reutilizar sempre, respeitando premissas de sustentabilidade e meio ambiente. Formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos (RS), Vavá dedicou-se à pintura frequentando ateliês de artistas conhecidos, no Rio Grande do Sul e no Paraná, além de experimentação autodidata. Também participou da Oficia Permanente de Gravura da Universidade Federal do Paraná e da Oficina de Litografia do Solar do Barão. Com grande número de exposições individuais e coletivas, a artista une à pintura colagens e linoleogravuras, em suportes diversos.

Imagens – A abstração da imagem é o caminho escolhido pelos artistas Faisal Iskandar e Jorge Kimieck, que usam fotografias digitais, explorando texturas, formas e cores. Fotógrafo e videomaker, Faisal Iskandar participou de vários cursos de fotografia, cinema, vídeo e artes, respondendo por diversos trabalhos nessas áreas, atuando em fotografia social desde 1983. No ano passado, realizou a exposição Cores do Inconsciente, no Museu Guido Viaro, dando continuidade à pesquisa da imagem abstrata na fotografia contemporânea. O artista ressalta que o seu olhar inquieto procura imagens descompromissadas com a realidade, que provocam o imaginário do espectador. Assim, a arquitetura humana, integrada aos elementos da natureza, compõe um cenário ideal, principalmente onde a água está presente com seus reflexos, revelando imagens que passam despercebidas ao olhar mais atento.
O fotógrafo, desenhista e arte-educador Jorge Kimieck, mestre em Tecnologia pela UTFPR, iniciou-se na fotografia em 1974, mantendo-se sempre aberto a experimentações. Em 2007, iniciou o projeto pessoal de street photography “... em...”, escolhendo Paris para a primeira incursão, quando registrou o cotidiano das ruas daquela cidade, sob o título de “... em Paris...”. Em 2010 foi a vez de Barcelona (Espanha), Santiago (Chile) e Curitiba. Atualmente, Kimieck desenvolve projetos artísticos fotográficos, investindo em novos experimentos. Em Abstractus, o artista apresenta um universo imagético, formado por elementos que, somente a partir da captura por meio de lentes macro, passam de uma realidade despercebida para uma nova significação no mundo visível, instigando interpretações daqueles que observam as obras.

Serviço:
Exposição Abstractus, com trabalhos dos artistas Ana Serafin, Katia Kimieck, Silvana Camilotti, Vavá Diehl, Faisal Iskandar e Jorge Kimieck.
Data: de 29 de agosto (abertura às 19h) a 3 de novembro de 2013.
Local: Salão Brasil do Memorial de Curitiba (Rua Claudino dos Santos, 79 – Setor Histórico).
Horário de visitas: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados e domingos, das 9h às 15h.
Entrada franca.

PROGRAMAÇÃO SEMANAL JAMES DE 28 A 31 DE AGOSTO







PROGRAMAÇÃO DA SEMANA
DE 28 A 31 DE AGOSTO

QUARTA 28.ago: 22h
QUARTA ROCK recebe Audac
DJs residentes
Ale Dantas, Claudinha Bukowski e Pablo Busetti.
DJs convidados
Audac (DJ set).
SORTEIO de baldes de cerveja.DOUBLE DRINK* até 1h.
*Destilados nacionais.
22h/R$ 12.

QUINTA 29.ago: 22h
CAMBALACHO
DJs residentes
Anaum e Jeff Bass (B-day).
DJ convidado
Schasko (Funk You).
22h/R$ 15.

SEXTA 30.ago: 22h
ALTA FIDELIDADE
DJs residentes
Ale Dantas, Anaum e Claudinha Bukowski.LISTA FIDELIDADE, a partir das 13hrs, na fanpage da festa no Facebook.22h/R$ 20.

SÁBADO 31.ago: 22h
POP LINE
DJs residentes
Lu Padilha, Ale Dantas e Denis Pedroso.DEGUSTAÇÃO DE DRINKS ao longo da noite.SORTEIO DE VIPs com participação a partir das 13h, na fanpage da festa no Facebook.22h/R$ 22.

JAMES
Av. Vicente Machado, 894. Curitiba/PR. (41) 3222-1426. Formas de pagamento: Todos os cartões de débito e crédito Amex, Diners, Master, Visa e Visa Vale-Refeição.


II Feira Cultural Libertária

II Feira Cultural Libertária
Sábado, 14 de dezembro de 2013, 15:00 - 21:00 em Casa do Tambor de Crioula de Mestre Amaral, Rua Montanha Russa, S/N, Centro, São Luís/MA
 

Shadowside procura por estrela de novo videoclipe





Em busca de jovens atrizes, a banda brasileira Shadowside, um dos nomes mais respeitados do heavy metal nacional, está realizando testes para escolher a estrela que interpretará o personagem principal do próximo videoclipe do grupo.

Dani Nolden durante mega apresentação em São Paulo – foto: Henrique Pimentel
A banda brasileira Shadowside, um dos nomes mais respeitados do heavy metal nacional, está realizando casting call de atrizes interessadas em estrelar o próximo videoclipe do grupo. O papel é para interpretar a protagonista, uma jovem viciada em drogas.
A candidata não precisa ter vasta experiência, mas ser desinibida e estar disposta a dar vida ao personagem. A atriz será escolhida por seu talento e postura profissional.
A primeira fase da seleção será analise do material de cada candidata. As interessadas devem enviar e-mail para manager@shadowside.ws com os seguintes detalhes:
- Nome, idade, foto atual e, se tiver experiência, descreve-las;
- enviar vídeo com interpretação de diferentes emoções ligadas ao abuso de drogas, como prazer, alívio, medo, desespero e depressão. Falas não são necessárias, buscamos apenas expressões faciais e corporais.
- Disponibilidade para gravações em Santos/SP e/ou São Paulo/SP, durante todo o mês de Setembro de 2013.
Menores de 18 anos precisam de autorização dos pais. Não haverá cenas de nudez, nem de conteúdo sexual.
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