domingo, 21 de outubro de 2007
DICAS E NOTAS
AGITO DO BOOBARELLAS - DICAS E NOTAS
#30/11 (Sexta) - Santos/SPLocal: Studio G (Rua Carvalho de Mendonça n°80)C/ Cinedisco, Phone Trio, Dandara, Fictícios, Agentes
#01/12 (Sabado) - São Paulo/SPLocal: Novo AeonC/ Cinedisco, Phone Trio, Dandara, Fictícios, Agentes
#02/12 (domingo) - Vinhedo/SPLocal: Mosh Sub BarC/ Cinedisco, Phone Trio, Dandara, Fictícios, Agentes
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DICAS E NOTAS
O QUE VEM POR AÍ
LANÇAMENTOS DE PÊSO
Durante o início da década de 1990, a escritora inglesa Angela Carter coletou em dois volumes, para a editora Virago, contos de fadas do mundo inteiro, tendo concluído a segunda coletânea pouco antes de morrer. 103 contos de fadas, baseado numa edição póstuma publicada na Inglaterra em 2005, reúne pela primeira vez todas as histórias organizadas por Carter, formando um verdadeiro e extenso painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos, do Ártico à Ásia. Mas apesar do nome, há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e similares. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras. Por terem sido registrados em papel pela primeira vez nos últimos duzentos ou trezentos anos, os contos oferecem - correndo por detrás da trama - um retrato do dia-a-dia no mundo pré-industrializado e um pouco das dinâmicas sociais e outros detalhes que com o tempo se perderam. Mais que isso, na tradição das histórias italianas reunidas por Italo Calvino, esses contos de fadas oferecem um registro precioso de algumas matrizes que posteriormente acabaram assimiladas pela literatura ocidental. Um delicioso lançamento da Cia das Letras.
DÁ MÊDO ATÉ DE ASSISTIR
A mocinha indefesa, o facão ilumina na luz da câmera, a música clássica aumenta no suspense escasso, o sangue jorra, o horror torna-se inevitável, mãos cobrem o rosto, sadismo, ambiente fúnebre, o mal algumas vezes vence o bem, o bem na verdade, pode ser o mal, que coisa é essa?A narração mostra um pouco do gênero cinematográfico conhecido como o cinema “Fantástico” ou simplesmente de “Horror”. Usurpado da literatura, o modelo de filme apresentou suas primeiras adaptações em “O Médico e o Monstro” de Robert L. Stevenson e no imortal “Drácula” de Bram Stoker, isso em meados de 1913. Hoje, o gênero é motivo de verdadeiras peregrinações em sebos e cinematecas por aficionados, quase como uma devoção religiosa. Para alguns, o cinema do “Horror” é o lado bizarro das telas, sem profundidade, sem sentido específico, morte, sangue, crueldade, covardia, simplesmente cultura inútil. Mas a história do gênero “Fantástico” nasceu exatamente no ambiente descrito acima. A Alemanha armava-se para sua primeira guerra mundial e, como a maioria dos movimentos artísticos, o “Horror” cresceu na adversidade. A juventude alemã encontrou no cinema a sua forma artística para retratar uma situação “quase” irretratável. Nesse ambiente nasceram produções como “O Estudante de Praga” e “O Golem”. O grande start para o movimento surgiu da arte expressionista alemã, em figuras emblemáticas como Dr. Caligari, Nosferatu e Dr.Mabuse, que deram suas consideráveis contribuições para fomentar este debut do "Fantástico".Por volta dos anos 30, o soturno mercado chega a América, como uma espécie de cinema de “verdade”, com isso, teve maior alcance e notoriedade. O ambiente para o desenvolvimento das obras não foi diferente da descrita na Alemanha, outra situação degradante estava em andamento. O "crash" da bolsa de valores em 1929, ocorrido nos EUA, criou outro cenário favorável para o crescimento do estilo. A multinacional Universal Pictures resolveu apostar no gênero, “com bala na agulha” e apetite para alavancar essa "nova onda", arriscou em produções como, “Drácula” e “Frankenstein”, ambos dirigido por Tod Browning. Isso consagrou Bela Lugosi e Boris Karlof, o cinema fantástico finalmente atraiu grande visibilidade.Com "solo fértil e a semente plantada", uma enxurrada de "filmes fantásticos" invadiram os cinemas, que arrastou uma verdadeira legião de fãs reproduzido em títulos como: “A Múmia” de Karl Freund (1934), “O Gato Preto” de Edgar Ulmer (1934), “A Noiva de Frankenstein” de James Whale (1935), “A Ilha do Dr. Moreau” de Earle Kenton (1933). Com o "cinema normal" em ascensão e seus atores e atrizes "beatificados", o cinema Fantástico recebe a conotação de arte paralela, jogada à margem. A mesmice e o "fim dos mitos", dos temas, as mesmas histórias, enfim, a falta do ineditismo, que contribuíram para uma queda considerável deste gênero, criou uma crise que se arrastou até meados dos anos 50. Eis que entra em cena uma produtora britânica a "Hammer Films", incorporando novas tendências, enredos e o advento da cor, não esquecendo seus mestres Frankenstein e Drácula. O cinema fantástico dá sua volta por cima e reencontra os bons tempos de lado B, que se estende até o inicio dos anos 70. Infelizmente a Hammer Films acaba e o gênero é esquecido. Até hoje o gênero “sobrevive”, a trancos e barrancos, e tenta seguir, embora sem a mesma genialidade e originalidade dos áureos tempos de outrora.No Brasil, o movimento teve a sua época, mas foi nas mãos do mestre José Mojica Marins, o Zé do Caixão, que o gênero teve seu ápice nos anos 60 e ainda sobrevive graças a produtoras independentes que ainda desenvolvem suas edições inéditas e relançam DVD's e títulos cavernosos, que podem ser adquiridos no mercado alternativo, ou seja, no lado B da coisa. Talvez daí explique-se esta devoção por parte de cinéfilos, curiosos e descolados de plantão. O custo, para a aquisição de uma obra rara, chega à casa das três cifras "antes da virgula". Hoje, a procura e o estudo desses itens tem sido tema de palestras, cursos e até mesmo, “vejam vocês”, teses de mestrado. Não pensem que filmes como “Pânico”, “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo” não fazem parte do cinema de “Horror”, a única diferença é que tais títulos ficam no plural, ou seja, gêneros “Horrorosos”. Isso sim, dá medo, horror, raiva e sono de assistir”. Por isso eu sempre digo: na arte, prefiram os clássicos.
“Diversa coisa não dizia, ali pousada, a ave sombria,/com a alma inteira a se espelhar naquelas silabas fatais./Murmuro, então, vendo-a serena sem mover uma só pena/enquanto a mágoa me envenena: “Amigos... sempre vão-se embora”./Como a esperança, ao vir à aurora. Ele também há de ir-se embora “./E disse o Corvo : “Nunca mais”
O Corvo
De Edgar Allan Poe
continuando
UM MESTRE E OUTROS TANTOS
continuando
Para que esses mitos não se percam, contamos a tradição oral e sua inclusão nas mais variadas formas de arte. Foi assim que esses assustadores seres ganharam uma nova oportunidade em um livro infanto-juvenil de Luciana Garcia. A autora de “O Mais Misterioso do Folclore” (editora Caramelo) com auxilio dos ilustradores Roger Cruz e Bruna Brito atualiza o folclore brasileiro. Traz muito dos mitos antigos e indígenas e inclui os urbanos e recentes. São histórias de assustar e só recomendáveis para maiores de oito anos, porém, não há como negar que ela encontrou uma forma simpática de contá-las. Talvez por ser escritora e jornalista conseguiu traçar um perfil de cada personagem com qualificação digna de caderno variedades, e assim ficamos sabendo que o Boto detesta homens e adora uma balada ou ainda que A loira do Banheiro adora dar sustos e detesta a inspetora da escola, que insiste em dizer que ela não existe!
OS CLÁSSICOS
Como em todo o tema temos os clássicos, e quando falamos em literatura melhor ainda. O clássico do terror competindo com múmias, bruxas e lobisomens é o vampiro. Vampiros de verdade, como bons Bela Lugosi e Christopher Lee (e mais tardiamente Peter Cushing) estão em falta, mas na história o terrível Drácula realmente existiu. O Conde Drácula, ou Grande Vampiro era Vlad Tepes, um príncipe romeno que herdou de seu pais o título Drácula, isso é “filho de Dracul”. Sanguinário, habitava um castelo como o personagem criado por Bram Stoker. Não saía voando e se transformando, porém torturava e tinha “refinado” gosto por sadismo sexual. Consta que empalava mulheres. Nunca se soube que gostava de beber sangue como seu personagem, mas era impiedoso para com seus inimigos e é considerado um herói em seu país, a Romênia.
Se Bram Stoker foi o iniciador (de sucesso) desta literatura de vampirismo, abriu uma senda para muitos outros. São considerados clássicos os pioneiros Dom Augustin Calme (1672-1757) com seu "Traité sur les apparitions, etc..."; John William Polidori (1795-1821) “O Vampiro" e logicamente Bram Stoker (1847-1912) “Dracula". Joseph Sheridan LeFanu escreveu o belo e assustador "Carmilla".
Depois vieram Howard Philippe Lovecraft (1890-1937) “A Mansão Maldita" e Catherine Moore "Shambleau"; Richard Matheson "Eu sou uma lenda"; Stephen King com "Salem" e Anne Rice. Vamos falar sobre estes dois últimos, novos campeões de vendagens.
SUSTOS PARA TODOS OS GOSTOS

Outro moleque que anda nu é nada politicamente correto e fuma desbragadamente é o curupira que, normalmente, aparece do tamanho de uma criança de seis ou sete anos. “Toma conta da mata e dos animais que nela vivem. Anda nu, fumando cachimbo de barro e mora nos buracos de árvores portadoras de sapopemas (raízes gigantescas muito comuns nas árvores da floresta amazônica). Anda a pé e é peludo como preguiça real. As unhas são compridas, o calcanhar para frente e os artelhos para trás. Quando alguém não consegue matar, caçar ou pescar, ou quando sua roça nada produz, faz contrato com o mesmo de oferecer tabaco (de meia arroba para cima), cachaça (pelo menos quatro litros) e fósforos (além de seis maços)”. Quem nos informa com tais detalhes de quantidades são os autores do livro Festas de Santos e Encantados Napoleão Figueiredo e Anaiza Vergolino Silva.
Como estamos vendo, em sua grande maioria, as lendas são relatos anônimos que tentam explicar os fatos e mistérios da vida por meio de episódios heróicos ou sobrenaturais, geralmente, misturando realidade e fantasia. Já os mitos, são narrativas simbólicas, que associam as forças da natureza e os aspectos da condição humana a fatos vivenciados por deuses, heróis ou seres sobrenaturais. “No folclore esses mitos costumam ser figuras fantásticas, ou mesmo assombrações, que aparecem para causar o mal ou alertar as pessoas sobre o futuro”.
Já a Moura Torta, nome mais popular da estória, denuncia sua antigüidade, alusiva à escravaria moura, com as velhas feiticeiras, cegas de um olho, misteriosas e sinistras. Faz parte da estória das Três Cidras de Amor, uma das mais vulgarizadas na Europa e constante em dezenas de coleções de contos nas principais línguas vivas. As intermináveis bibliografias registrando o três cidras de amor evidenciam não apenas sua popularidade, mas a extensão de sua circulação na literatura oral do mundo, explica Luís da Câmara Cascudo na edição de Contos Populares do Brasil (1954). Em Recife e Olinda diziam que a Moura Torta enfiava alfinetes na cabeça das crianças desobedientes. Pouco, perto do que fazia o Tutu, ou tutu-marambaia, ou ainda o roncador. É uma entidade com que se mete medo às crianças quando choram. A forma em que o idealizam na Bahia é a de um caititu ou porco do mato e daí talvez se origine o nome Tutu, que é popular em todo o Brasil. Na Bahia também Tutu-cambê: Quando os meninos choram o Tutu vem come-los e mais, o Tutu-Cambê é um bicho muito feio e só come os meninos bonitos! O Tutu do povo brasileiro segundo alguns estudiosos é idêntico ao Papão e à Cuca de Portugal.
Além do preconceito étnico contra a Moura temos ainda O Judeu Errante. Sua aparição se dá durante a Quinta-Feira Maior e a Sexta-Feira da Paixão. É um velho alto e magro, muito barbado, cabelo comprido e com um manto escuro. É uma figura mais literária que popular, e as menções vão desaparecendo nas estórias orais. Não lhe dão, no Brasil, outro nome além de "Judeu Errante".
Era sapateiro em Jerusalém, chamado Ahasverus, quando Nosso Senhor com a cruz aos ombros, passou diante de sua tenda. O sapateiro deixou o trabalho para empurrar o Salvador, gritando: "Vai andando! Vai logo!" Nosso Senhor respondeu: "Eu vou e tu ficarás até a minha volta!" E o homem ficou, até hoje, andando pelo mundo, liberto da lei da morte, sem pressa e sem descanso. Espera o regresso do Senhor, que lhe deu a imortal penitência. É de tradição portuguesa. Segundo João Ribeiro em seu livro O Folclore "há vários ditos populares que parecem relacionar-se a esta lenda. Assim é o de marca de Judas, que lembra Malcho Judas ou Marco, um dos nomes do judeu em algumas versões. Também a frase popular, usada para designar lugares remotos, onde Judas perdeu as botas, parece indicar a lenda do sapateiro Ahasverus".
EM TERRA DE PERERÊ

EM TERRA DE PERERÊ QUALQUER MEDO NOS DIVERTE
Nos parece pouco apropriado ficar falando de crendices, lendas e seres fantásticos neste ano domini de 2007. Mas a verdade é só uma, o medo é uma ótima ferramenta para a industria de entretenimento, principalmente, nestes tempos globalizados quando nos empurram goela abaixo, nos outubros, as festas de “ralouim”. Se ralou pouco se nos dá, mas o fato é que o “Hallowen” veio para ficar chutando para escanteio outras muitas manifestações populares e as criancinhas pouco conhecem da cuca, da moura torta de antanho e se fantasiam de bruxas, jasonzinhos e/ou massacradores da inteligência alheia. Mas essa história do terror que vira cult e acaba sendo “terrir” deixamos para o colega de página. Voltando a essa globalização, muitos acreditam que criando o dia do Saci estaremos resgatando nossos mitos, mais ou menos críveis, mas sabidamente incorporados à cultura popular e folclore. Muitos políticos na cidade de São Paulo, Santana do Parnaíba, outros lugares de Minas Gerais e sabe-se lá por onde deste Brasil afora, já encheram o olho com tal idéia.
Montando nesta mula sem cabeça que solta fogo pelas ventas, vamos fazer uma pequena incursão por este mundo mágico.
E TOME MEDO!
Medo de brasileiro é tanto urbano como rural e muitas vezes se mescla e se adapta. Vamos observar mais detidamente alguns desses mitos. O Saci, por exemplo, muito simpático pela pena de Ziraldo, mas um diabinho dos mais cruéis, segundo Monteiro Lobato e outros tantos que o enfrentaram... Seria ele, o Saci-pererê um negrinho de uma perna só, que fuma cachimbo e cobre a cabeça com uma carapuça vermelha? É inofensivo segundo uns e cruel segundo outros, que afirmam que ele se diverte assustando gado no pasto, dando nó em rabo de cavalo e criando pequenas dificuldades domésticas.














