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domingo, 21 de outubro de 2007

DICAS E NOTAS


IMPERDÍVEL
FUGALAÇA de Mayra Dias Gomes é um retrato da juventude contemporânea e de seu desespero. Mas é também a história de uma garota. Em seu mundo nada cor-de-rosa, ela vive em algum lugar entre o prazer e a angústia. Em lançamento da Record utiliza uma linguagem pop, ágil e atual, surpreende ao contar a história de Satine, uma espécie de alter ego que mergulha fundo no clichê sexo, drogas e rock’n’roll depois de perder o pai aos 11 anos e ver sua entrada na vida adolescente tomar novos rumos.

AGITO DO BOOBARELLAS - DICAS E NOTAS

Acompanhe a programação da banda curitibana BOOBARELLAS

#30/11 (Sexta) - Santos/SPLocal: Studio G (Rua Carvalho de Mendonça n°80)C/ Cinedisco, Phone Trio, Dandara, Fictícios, Agentes
#01/12 (Sabado) - São Paulo/SPLocal: Novo AeonC/ Cinedisco, Phone Trio, Dandara, Fictícios, Agentes
#02/12 (domingo) - Vinhedo/SPLocal: Mosh Sub BarC/ Cinedisco, Phone Trio, Dandara, Fictícios, Agentes
Acompanhe outras notícias em http://www.myspace.com/zonapunkcompactdisc




DICAS E NOTAS


ZEN E A ARTE DA MANUTENÇÃO DE MOTOCICLETAS

UMA INVESTIGAÇÃO SOBRE OS VALORES

ROBERT M. PIRSIG


Este é um classico que a muito merecia uma edição bem cuidada. Sai pela Martins Fontes. Zen e a arte da manutenção de motocicletas é uma epopéia moderna que mudou a mentalidade de toda uma geração e continua servindo de inspiração a milhões de pessoas. Esta narrativa de uma viagem de moto feita por um homem e seu filho durante as férias de verão transforma-se numa odisséia pessoal e filosófica e trata de questões fundamentais do nosso modo de viver. Ecoando todas as confusões da existência, este clássico, emocionante e transcendente, tem por tema a própria vida. O volume traz ainda uma arguta introdução escrita pelo autor e um Guia de leitura que inclui uma entrevista com Pirsig, cartas e documentos que detalham o processo que deu origem a este livro extraordinário.


ADVOGADO DE PORTA DE CADEIA


Saindo pela Record mais uma obra de Michael Connelly . O livro conta a história de Michael Haller, um advogado diferente. Seu escritório é o banco traseiro de um sedã Lincoln. Haller roda Los Angeles visitando tribunais e farejando novas oportunidades para elevar seus honorários. Seu nome está estampado nas Páginas Amarelas, seu telefone está colado nos assentos dos ônibus das mais perigosas áreas da cidade. Haller defende motoqueiros, prostitutas e traficantes de drogas; clientes que lhe garantem baixos honorários, na maioria das vezes saldados por meio de pequenos serviços.Quando Michael Haller é escolhido para defender Louis Roulet, um jovem playboy de Beverly Hills detido por agressão e tentativa de estupro contra a prostituta Regina Campo, acredita que está diante do caso mais fácil e rentável de sua carreira. Mas a morte de alguém muito próximo o leva a se defrontar com o mal em sua forma mais assustadora.


O EVANGELHO SEGUNDO JUDAS


O Evangelho Segundo Judas é o resultado de uma colaboração entre um contador de histórias – Jeffrey Archer, um dos romancistas mais populares do planeta – e um erudito – Francis J. Moloney, um dos mais conceituados estudiosos da Bíblia. O objetivo do texto é redimir Judas: segundo este evangelho, redigido originalmente por Benjamim Iscariotes, filho de Judas, ele jamais teria traído Cristo. Pelo contrário: por acreditar que Jesus não era o Messias e saber que, por isso, seria assassinado, quis defendê-lo. A partir dessa visão, Archer e Moloney montam um evangelho com um ponto de vista absolutamente novo. E, segundo Jeffrey Archer, a perspectiva de Judas, trazendo uma visão mais humana de Jesus Cristo, é muito mais interessante que a dos outros onze apóstolos. Uma edição da Bertrand Brasil.


ASA DE PRATA


No clima da edição, um juvenil estranho. Com mais de 800 mil exemplares vendidos em todo o mundo, Asa-de-prata (Editora José Olympio), do escritor canadense Kenneth Oppel, é uma fábula moderna e inovadora que conquistou leitores da Islândia ao Japão. Também ganhou edições na França, Reino Unido, Espanha, Alemanha, Itália, Holanda, Dinamarca, Itália e China – além de nos Estados Unidos e Canadá, onde é um grande best seller. O livro de Kenneth Oppel traz a história de Sombra, um jovem morcego, curioso e esperto, que acaba se perdendo de seu grupo a caminho do local de hibernação.

O QUE VEM POR AÍ


por MYRTHA RATIS



CRISTO SENHOR

A saída do Egito


Desta vez Anne Rice , deixa de lado os vampiros e bruxas e investe na fase adulta de Jesus Cristo. No livro a autora nos mostra Jesus aos 7 anos, tomando consciência aos poucos de que é diferente das outras crianças e tentando entender por que isso acontece. A autora mescla uma minuciosa pesquisa histórica a elementos de ficção para apresentar um Cristo humanizado, que conduz a narrativa em primeira pessoa e divide com os leitores suas dúvidas, seus medos e suas descobertas. Na livro da Rocco percebemos um Cristo totalmente sintonizado com o judaísmo, cuja educação é baseada na Torá e nas tradições orais contidas nela. Uma das fontes de consulta de Anne Rice foram os Evangelhos Apócrifos, que descrevem milagres feitos por Jesus ainda criança, como dar vida a pássaros de barro moldados durante uma aula em Alexandria, no Egito.


TRATADO DE ATEOLOGIA

MICHEL ONFRAY


“Os três monoteísmos, animados por uma mesma pulsão de morte genealógica, partilham uma série de desprezos idênticos: ódio à razão e à inteligência, ódio à liberdade; ódio a todos os livros em nome de um único; ódio à vida; ódio à sexualidade, às mulheres e ao prazer; ódio ao feminino; ódio ao corpo, aos desejos, às pulsões. Em vez e no lugar de tudo isso, judaísmo, cristianismo e islã defendem: a fé e a crença, a obediência e a submissão, o gosto pela morte e a paixão pelo além, o anjo assexuado e a castidade, a virgindade e a fidelidade monogâmica, a esposa e a mãe, a alma e o espírito. Equivale a dizer a vida crucificada e o nada celebrado...” (Michel Onfray) Um livro de peso da Martins Fontes.


ARLINGTON PARK

Rachel Cusk


Arlington Park acompanha um dia na vida de um grupo de mulheres num subúrbio londrino. Os limites do casamento e da criação dos filhos pontuam a trajetória de Juliet, professora que coordena um grupo de leitura no ensino médio; de Amanda, que trocou o emprego de gerente numa empresa de recursos humanos pelas tarefas domésticas; de Maisie, recém-chegada da capital; de Solly, que reforça o orçamento hospedando estudantes estrangeiras, e de Christine, dona de casa que prepara um jantar para aquela noite. Lançamento da Cia das Letras.

LANÇAMENTOS DE PÊSO


Por Myrtha Ratis


103 CONTOS DE FADAS

Angela Carter


Durante o início da década de 1990, a escritora inglesa Angela Carter coletou em dois volumes, para a editora Virago, contos de fadas do mundo inteiro, tendo concluído a segunda coletânea pouco antes de morrer. 103 contos de fadas, baseado numa edição póstuma publicada na Inglaterra em 2005, reúne pela primeira vez todas as histórias organizadas por Carter, formando um verdadeiro e extenso painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos, do Ártico à Ásia. Mas apesar do nome, há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e similares. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras. Por terem sido registrados em papel pela primeira vez nos últimos duzentos ou trezentos anos, os contos oferecem - correndo por detrás da trama - um retrato do dia-a-dia no mundo pré-industrializado e um pouco das dinâmicas sociais e outros detalhes que com o tempo se perderam. Mais que isso, na tradição das histórias italianas reunidas por Italo Calvino, esses contos de fadas oferecem um registro precioso de algumas matrizes que posteriormente acabaram assimiladas pela literatura ocidental. Um delicioso lançamento da Cia das Letras.

DÁ MÊDO ATÉ DE ASSISTIR


O Surgimento de um clássico: Cinema Fantástico
POR JEAN LIMA

A mocinha indefesa, o facão ilumina na luz da câmera, a música clássica aumenta no suspense escasso, o sangue jorra, o horror torna-se inevitável, mãos cobrem o rosto, sadismo, ambiente fúnebre, o mal algumas vezes vence o bem, o bem na verdade, pode ser o mal, que coisa é essa?A narração mostra um pouco do gênero cinematográfico conhecido como o cinema “Fantástico” ou simplesmente de “Horror”. Usurpado da literatura, o modelo de filme apresentou suas primeiras adaptações em “O Médico e o Monstro” de Robert L. Stevenson e no imortal “Drácula” de Bram Stoker, isso em meados de 1913. Hoje, o gênero é motivo de verdadeiras peregrinações em sebos e cinematecas por aficionados, quase como uma devoção religiosa. Para alguns, o cinema do “Horror” é o lado bizarro das telas, sem profundidade, sem sentido específico, morte, sangue, crueldade, covardia, simplesmente cultura inútil. Mas a história do gênero “Fantástico” nasceu exatamente no ambiente descrito acima. A Alemanha armava-se para sua primeira guerra mundial e, como a maioria dos movimentos artísticos, o “Horror” cresceu na adversidade. A juventude alemã encontrou no cinema a sua forma artística para retratar uma situação “quase” irretratável. Nesse ambiente nasceram produções como “O Estudante de Praga” e “O Golem”. O grande start para o movimento surgiu da arte expressionista alemã, em figuras emblemáticas como Dr. Caligari, Nosferatu e Dr.Mabuse, que deram suas consideráveis contribuições para fomentar este debut do "Fantástico".Por volta dos anos 30, o soturno mercado chega a América, como uma espécie de cinema de “verdade”, com isso, teve maior alcance e notoriedade. O ambiente para o desenvolvimento das obras não foi diferente da descrita na Alemanha, outra situação degradante estava em andamento. O "crash" da bolsa de valores em 1929, ocorrido nos EUA, criou outro cenário favorável para o crescimento do estilo. A multinacional Universal Pictures resolveu apostar no gênero, “com bala na agulha” e apetite para alavancar essa "nova onda", arriscou em produções como, “Drácula” e “Frankenstein”, ambos dirigido por Tod Browning. Isso consagrou Bela Lugosi e Boris Karlof, o cinema fantástico finalmente atraiu grande visibilidade.Com "solo fértil e a semente plantada", uma enxurrada de "filmes fantásticos" invadiram os cinemas, que arrastou uma verdadeira legião de fãs reproduzido em títulos como: “A Múmia” de Karl Freund (1934), “O Gato Preto” de Edgar Ulmer (1934), “A Noiva de Frankenstein” de James Whale (1935), “A Ilha do Dr. Moreau” de Earle Kenton (1933). Com o "cinema normal" em ascensão e seus atores e atrizes "beatificados", o cinema Fantástico recebe a conotação de arte paralela, jogada à margem. A mesmice e o "fim dos mitos", dos temas, as mesmas histórias, enfim, a falta do ineditismo, que contribuíram para uma queda considerável deste gênero, criou uma crise que se arrastou até meados dos anos 50. Eis que entra em cena uma produtora britânica a "Hammer Films", incorporando novas tendências, enredos e o advento da cor, não esquecendo seus mestres Frankenstein e Drácula. O cinema fantástico dá sua volta por cima e reencontra os bons tempos de lado B, que se estende até o inicio dos anos 70. Infelizmente a Hammer Films acaba e o gênero é esquecido. Até hoje o gênero “sobrevive”, a trancos e barrancos, e tenta seguir, embora sem a mesma genialidade e originalidade dos áureos tempos de outrora.No Brasil, o movimento teve a sua época, mas foi nas mãos do mestre José Mojica Marins, o Zé do Caixão, que o gênero teve seu ápice nos anos 60 e ainda sobrevive graças a produtoras independentes que ainda desenvolvem suas edições inéditas e relançam DVD's e títulos cavernosos, que podem ser adquiridos no mercado alternativo, ou seja, no lado B da coisa. Talvez daí explique-se esta devoção por parte de cinéfilos, curiosos e descolados de plantão. O custo, para a aquisição de uma obra rara, chega à casa das três cifras "antes da virgula". Hoje, a procura e o estudo desses itens tem sido tema de palestras, cursos e até mesmo, “vejam vocês”, teses de mestrado. Não pensem que filmes como “Pânico”, “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo” não fazem parte do cinema de “Horror”, a única diferença é que tais títulos ficam no plural, ou seja, gêneros “Horrorosos”. Isso sim, dá medo, horror, raiva e sono de assistir”. Por isso eu sempre digo: na arte, prefiram os clássicos.

“Diversa coisa não dizia, ali pousada, a ave sombria,/com a alma inteira a se espelhar naquelas silabas fatais./Murmuro, então, vendo-a serena sem mover uma só pena/enquanto a mágoa me envenena: “Amigos... sempre vão-se embora”./Como a esperança, ao vir à aurora. Ele também há de ir-se embora “./E disse o Corvo : “Nunca mais”
O Corvo
De Edgar Allan Poe

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O MESTRE
E como falamos de prêmio só poderíamos deixar para o final o maior de todos os clássicos. Edgar Allan Poe, nascido em Boston, em 19 de janeiro de 1809, sua família estava entre as melhores da região. Porém seu pai, David Poe apaixonou-se pela atriz inglesa Elizabeth Arnold, casou-se com ela e rompeu seus laços familiares, tornando-se ator.Edgar teve dois irmãos, Willian e Rosalie, e sua mãe com apenas 24 anos morre. Apesar da morte de seus pais os três irmãos conseguiram abrigo nas famílias de Richmond, sendo Edgar adotado pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.Da Universidade de Virgínia, acabou sendo expulso. Poe era um boêmio que se entregava à bebida, ao jogo e às mulheres, esbanjando o dinheiro que tinha. Com 22 anos, pobre e sem vontade , consola-se publicando: "Poemas". De regresso a Baltimore após aventuras pelo mundo, reencontra seu irmão William, de quem assiste a morte. A sua fama é relativa e dirige o "Southern Literary Messenger" em 1833. Pouco depois, escreveria seu primeiro conto: "Uma Aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal". Fica na direção da revista por dois anos, tendo escrito nessa época vários contos, poemas e resenhas. Aos 27 anos (1836), casa-se com sua prima de 13 anos, Virgínia Clemn. Em 1838 passa a viver na Filadélfia, Nova York, Fordham, até que, de novo, sem dinheiro, a desgraça novamente o alcança. Virgínia teria ido cantar na casa de amigos, mas sofre um acidente que lhe causa uma forte hemorragia interna. Muito doente acaba por morrer em 1847.Em 1849, Allan Poe publica "O Corvo". Porém seu comportamento público só provoca censura. Entrega-se então a mais uma fase de bebida Sua conduta provoca censuras acres da imprensa e da sociedade. O trabalho fica cada vez mais cansativo e Poe se entrega mais e mais à bebida. Em Baltimore certa manhã os passantes encontram um homem agonizante, na sarjeta. O homem sem documentos e dinheiro, era Edgar Allan Poe. Conduzido ao hospital, não resistiu e morreu aos 39 anos. Na manhã de domingo, 07 de outubro de 1849, aquietou-se e pareceu repousar por um breve momento. “Depois, movendo devagar a cabeça, disse: 'Senhor, ajudai minha pobre alma.'E assim morreu como vivera em grande miséria e tragicamente”, escreveu Hervey Allen na introdução de suas obras completas.



UM MESTRE E OUTROS TANTOS


POR MYRTHA RATIS
Sem dúvida alguma Stephen King é o grande fenômeno de vendas quando se trata de literatura de terror. Um pouco gênio, um pouco pródigo negociante de obras literárias, tem altos e baixos, talvez por que muito de sua lavra saia da mão de seus colaboradores. Nascido em 21 de setembro de 1947, em Portland, foi criado por sua mãe, uma vez que seu pai abandonou a casa. Stephen dava aulas de inglês no Instituto Público de Hampden, Maine e escrevia às noites e aos fins de semana. Contando com o apoio e a crítica de Tabitha sua esposa, foi aperfeiçoando sua técnica narrativa e em 1973, a editora Doubleday concordou em publicar Carrie, que obteve espantosa vendagem, possibilitando que King passasse então a se dedicar exclusivamente a escrever. Após a morte de sua mãe, King transferiu-se para o Colorado, onde escreveu O resplendor e A Zona Morta, ambos em 1975. Em 1976, Carrie foi adaptado para o cinema, fazendo com que a carreira de Stephen King tivesse um impulso meteórico. Stephen King mora em Bangor, no Maine, e tem sérios problemas de visão e está ficando dia a dia mais cego. Seu patrimônio está baseado em mais de 82 milhões de livros impressos.Anne Rice nasceu em 4 de outubro de 1941 em Nova Orleans, cidade que serve de cenário para grande parte de seus romances. Ela é formada em Ciência Política e Escrita Criativa pela Universidade de San Francisco. Publicou seu primeiro romance, o hoje consagrado Entrevista com o vampiro, em 1976, após a morte de sua filha Michele, vítima de leucemia. Atualmente, a autora vive em Nova Orleans, em um casarão vitoriano no Garden District, próximo ao cemitério Lafayette. Foi casada com o poeta e artista plástico Stan Rice, morto em 2002. Ela é mãe do também escritor Christopher Rice.A Editora Rocco já publicou de Anne Rice A História do Ladrão de Corpos, A Hora das Bruxas Vol. I e vol. II, A Múmia, A Rainha dos Condenados, chore Para o Céu, Entrevista com o Vampiro, Lasher, Memnoch, Merrick, O Servo dos Ossos, O vampiro Armand, O Vampiro Lestat, Pandora, Sangue e Ouro, Taltos, Violino, Vittorio e O Vampiro e A Fazenda Blackwood - Crônicas vampirescas, onde Tarquinn Blackwood, um jovem sedutor e excêntrico, é o único herdeiro da imensa propriedade às margens do Pântano de Sugar Devil que leva o nome de sua família. Robert Louis Stevenson é outro clássico, em especial por suas obras “O Médico e Monstro” e “O Demônio na Garrafa”. O que muita gente não sabe é Stevenson usava o pseudônimo Tusitala, que na língua das ilhas Samoa significa “aquele que conta histórias”. Por volta de 1892 o seu conto “O Demônio na Garrafa”, para ele esta era a mais importante peça da coletânea intitulada Serões das Ilhas. Stevenson chega a considerar que essa obra prima era história já contada e que seria certamente aproveitada por outros autores. Quem nos desvenda tudo isso Carlo Ginzburg em seu livro “Nenhuma ilha é uma ilha” quatro visões da literatura inglesa (Companhia das Letras) Não dá para deixar de fora Ira Levin, considerado pelo próprio Stephen King como o “relojoeiro suíço do romance de suspense”. Ira, que já nos deu no passado o Bebê de Rosemary que virou um angustiante filme com Mia Farrow, e depois Mulheres Perfeitas.

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Já a Loira do Banheiro não é tão feia e consta no folclore jornalístico que foi mais uma criscuolada (adjetivo da imprensa paulistana) para vender-se mais jornal e livremente inspirada em uma propaganda televisiva, onde aparecia uma loira que ajudava os homens a fazer uma barba com mais suavidade (sic). Esta lenda urbana é muito famosa entre os alunos de escolas da rede pública na cidade de São Paulo e acabou por chegar por Recife assustando até coleguinhas aqui do nosso Suplemento Cultural.A “versão oficial” da lenda é que uma garota muito bonita de cabelos loiros com aproximadamente 15 anos, sempre planejava maneiras de matar aula. Uma delas era ficar no banheiro da escola esperando o tempo passar. No entanto um dia, um acidente terrível aconteceu. A loira escorregou no piso molhado do banheiro e bateu sua cabeça no chão. Ficou em coma e pouco tempo depois veio a falecer.


Para que esses mitos não se percam, contamos a tradição oral e sua inclusão nas mais variadas formas de arte. Foi assim que esses assustadores seres ganharam uma nova oportunidade em um livro infanto-juvenil de Luciana Garcia. A autora de “O Mais Misterioso do Folclore” (editora Caramelo) com auxilio dos ilustradores Roger Cruz e Bruna Brito atualiza o folclore brasileiro. Traz muito dos mitos antigos e indígenas e inclui os urbanos e recentes. São histórias de assustar e só recomendáveis para maiores de oito anos, porém, não há como negar que ela encontrou uma forma simpática de contá-las. Talvez por ser escritora e jornalista conseguiu traçar um perfil de cada personagem com qualificação digna de caderno variedades, e assim ficamos sabendo que o Boto detesta homens e adora uma balada ou ainda que A loira do Banheiro adora dar sustos e detesta a inspetora da escola, que insiste em dizer que ela não existe!
OS CLÁSSICOS
Como em todo o tema temos os clássicos, e quando falamos em literatura melhor ainda. O clássico do terror competindo com múmias, bruxas e lobisomens é o vampiro. Vampiros de verdade, como bons Bela Lugosi e Christopher Lee (e mais tardiamente Peter Cushing) estão em falta, mas na história o terrível Drácula realmente existiu. O Conde Drácula, ou Grande Vampiro era Vlad Tepes, um príncipe romeno que herdou de seu pais o título Drácula, isso é “filho de Dracul”. Sanguinário, habitava um castelo como o personagem criado por Bram Stoker. Não saía voando e se transformando, porém torturava e tinha “refinado” gosto por sadismo sexual. Consta que empalava mulheres. Nunca se soube que gostava de beber sangue como seu personagem, mas era impiedoso para com seus inimigos e é considerado um herói em seu país, a Romênia.
Se Bram Stoker foi o iniciador (de sucesso) desta literatura de vampirismo, abriu uma senda para muitos outros. São considerados clássicos os pioneiros Dom Augustin Calme (1672-1757) com seu "Traité sur les apparitions, etc..."; John William Polidori (1795-1821) “O Vampiro" e logicamente Bram Stoker (1847-1912) “Dracula". Joseph Sheridan LeFanu escreveu o belo e assustador "Carmilla".
Depois vieram Howard Philippe Lovecraft (1890-1937) “A Mansão Maldita" e Catherine Moore "Shambleau"; Richard Matheson "Eu sou uma lenda"; Stephen King com "Salem" e Anne Rice. Vamos falar sobre estes dois últimos, novos campeões de vendagens.
POR EDUARDO CRUZ

SUSTOS PARA TODOS OS GOSTOS




Para esclarecer mais sobre os Sacis, basta entrar em contato com duas associações existentes a de caçadores e a de criadores. O engenheiro José Oswaldo Guimarães, por exemplo, é presidente da Associação Brasileira de Caçadores de Sacis, entidade que possui mais de cem sócios. Dá entrevista para revistas, jornais e TVs com a maior naturalidade.
Outro moleque que anda nu é nada politicamente correto e fuma desbragadamente é o curupira que, normalmente, aparece do tamanho de uma criança de seis ou sete anos. “Toma conta da mata e dos animais que nela vivem. Anda nu, fumando cachimbo de barro e mora nos buracos de árvores portadoras de sapopemas (raízes gigantescas muito comuns nas árvores da floresta amazônica). Anda a pé e é peludo como preguiça real. As unhas são compridas, o calcanhar para frente e os artelhos para trás. Quando alguém não consegue matar, caçar ou pescar, ou quando sua roça nada produz, faz contrato com o mesmo de oferecer tabaco (de meia arroba para cima), cachaça (pelo menos quatro litros) e fósforos (além de seis maços)”. Quem nos informa com tais detalhes de quantidades são os autores do livro Festas de Santos e Encantados Napoleão Figueiredo e Anaiza Vergolino Silva.
Como estamos vendo, em sua grande maioria, as lendas são relatos anônimos que tentam explicar os fatos e mistérios da vida por meio de episódios heróicos ou sobrenaturais, geralmente, misturando realidade e fantasia. Já os mitos, são narrativas simbólicas, que associam as forças da natureza e os aspectos da condição humana a fatos vivenciados por deuses, heróis ou seres sobrenaturais. “No folclore esses mitos costumam ser figuras fantásticas, ou mesmo assombrações, que aparecem para causar o mal ou alertar as pessoas sobre o futuro”.
Já a Moura Torta, nome mais popular da estória, denuncia sua antigüidade, alusiva à escravaria moura, com as velhas feiticeiras, cegas de um olho, misteriosas e sinistras. Faz parte da estória das Três Cidras de Amor, uma das mais vulgarizadas na Europa e constante em dezenas de coleções de contos nas principais línguas vivas. As intermináveis bibliografias registrando o três cidras de amor evidenciam não apenas sua popularidade, mas a extensão de sua circulação na literatura oral do mundo, explica Luís da Câmara Cascudo na edição de Contos Populares do Brasil (1954). Em Recife e Olinda diziam que a Moura Torta enfiava alfinetes na cabeça das crianças desobedientes. Pouco, perto do que fazia o Tutu, ou tutu-marambaia, ou ainda o roncador. É uma entidade com que se mete medo às crianças quando choram. A forma em que o idealizam na Bahia é a de um caititu ou porco do mato e daí talvez se origine o nome Tutu, que é popular em todo o Brasil. Na Bahia também Tutu-cambê: Quando os meninos choram o Tutu vem come-los e mais, o Tutu-Cambê é um bicho muito feio e só come os meninos bonitos! O Tutu do povo brasileiro segundo alguns estudiosos é idêntico ao Papão e à Cuca de Portugal.
Além do preconceito étnico contra a Moura temos ainda O Judeu Errante. Sua aparição se dá durante a Quinta-Feira Maior e a Sexta-Feira da Paixão. É um velho alto e magro, muito barbado, cabelo comprido e com um manto escuro. É uma figura mais literária que popular, e as menções vão desaparecendo nas estórias orais. Não lhe dão, no Brasil, outro nome além de "Judeu Errante".
Era sapateiro em Jerusalém, chamado Ahasverus, quando Nosso Senhor com a cruz aos ombros, passou diante de sua tenda. O sapateiro deixou o trabalho para empurrar o Salvador, gritando: "Vai andando! Vai logo!" Nosso Senhor respondeu: "Eu vou e tu ficarás até a minha volta!" E o homem ficou, até hoje, andando pelo mundo, liberto da lei da morte, sem pressa e sem descanso. Espera o regresso do Senhor, que lhe deu a imortal penitência. É de tradição portuguesa. Segundo João Ribeiro em seu livro O Folclore "há vários ditos populares que parecem relacionar-se a esta lenda. Assim é o de marca de Judas, que lembra Malcho Judas ou Marco, um dos nomes do judeu em algumas versões. Também a frase popular, usada para designar lugares remotos, onde Judas perdeu as botas, parece indicar a lenda do sapateiro Ahasverus".

Como se não bastasse tão distinta plêiade os moradores das grandes cidades passaram a criar seus novos mitos, que obviamente, absorvidas pela cultura popular seguem a linha do quem conta um conto aumenta um ponto. E daí vieram o Bebê-diabo, criado pelo jornalista paulistano Criscuolo do extinto Noticias Populares e mais três outros que merecem um certo destaque. São eles o Chupa Cabras e a Loira do Banheiro .O chupa Cabras é um fenômeno espalhado por toda a América latina, que mistura seres extraterrestres com maldições e sortilégios. O personagem ganhou notoriedade na imprensa, inclusive da Pernambucana graças a suas inusitadas formas de matança de animais. Araripina também teve o seu, e população aterrorizada lia que...”Os moradores desta cidade do sertão do Araripe, a 700 quilômetros do Recife estão apreensivos com a possibilidade do fenômeno do chupa-cabras ter chegado à região. O indício é o aparecimento de trinta cabras mortas, sem o sangue, em duas regiões da zona rural”. Isso foi nos idos de 1997, e as cabras que tinham uma perfuração no pescoço receberam o veredicto de que foram atacadas por cachorros e ponto final. O mito já havia sido registrado anteriormente no Equador, Porto Rico e México. O folclorista Paulo de Carvalho-Neto transcreve a seguinte descrição, de um informante de Guaiaquil, no Equador em junho de 1996: "tem a forma de animal, um par de asas, é muito selvagem, mede um metro e quinze e é horrível".



EM TERRA DE PERERÊ



EM TERRA DE PERERÊ QUALQUER MEDO NOS DIVERTE

Nos parece pouco apropriado ficar falando de crendices, lendas e seres fantásticos neste ano domini de 2007. Mas a verdade é só uma, o medo é uma ótima ferramenta para a industria de entretenimento, principalmente, nestes tempos globalizados quando nos empurram goela abaixo, nos outubros, as festas de “ralouim”. Se ralou pouco se nos dá, mas o fato é que o “Hallowen” veio para ficar chutando para escanteio outras muitas manifestações populares e as criancinhas pouco conhecem da cuca, da moura torta de antanho e se fantasiam de bruxas, jasonzinhos e/ou massacradores da inteligência alheia. Mas essa história do terror que vira cult e acaba sendo “terrir” deixamos para o colega de página. Voltando a essa globalização, muitos acreditam que criando o dia do Saci estaremos resgatando nossos mitos, mais ou menos críveis, mas sabidamente incorporados à cultura popular e folclore. Muitos políticos na cidade de São Paulo, Santana do Parnaíba, outros lugares de Minas Gerais e sabe-se lá por onde deste Brasil afora, já encheram o olho com tal idéia.
Montando nesta mula sem cabeça que solta fogo pelas ventas, vamos fazer uma pequena incursão por este mundo mágico.
E TOME MEDO!
Medo de brasileiro é tanto urbano como rural e muitas vezes se mescla e se adapta. Vamos observar mais detidamente alguns desses mitos. O Saci, por exemplo, muito simpático pela pena de Ziraldo, mas um diabinho dos mais cruéis, segundo Monteiro Lobato e outros tantos que o enfrentaram... Seria ele, o Saci-pererê um negrinho de uma perna só, que fuma cachimbo e cobre a cabeça com uma carapuça vermelha? É inofensivo segundo uns e cruel segundo outros, que afirmam que ele se diverte assustando gado no pasto, dando nó em rabo de cavalo e criando pequenas dificuldades domésticas.

sábado, 20 de outubro de 2007