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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Designers discutem a criação e evolução da identidade do Festival Sesc_Videobrasil



Na última mesa do Foco 2, Design, conceito e espaço, os designers Kiko Farkas, Bill Martinez, e as duplas Celso Longo e Daniel Trench, Angela Detanico e Rafael Lain, falaram sobre o processo de criação da identidade visual do Festival Sesc_Videobrasil ao longo de seus trinta anos.
Criador de duas identidades visuais do festival, entre elas a da primeira edição, Kiko Farkas falou das mudanças tecnológicas ocorridas ao longo desse período na criação gráfica. “O cartaz era a peça básica e hoje não é mais. Você não tem mais uma imagem, você tem uma paisagem.” Farkas conta também que, na primeira edição, voltada para o vídeo, “a ideia era que houvesse uma reflexão sobre o conteúdo. O processo de criação dos cartazes tinha a ver com a dos próprios vídeos.”
Depois de um momento em que a evolução tecnológica foi a principal questão para a estética do vídeo e da criação gráfica, ele vê hoje um movimento similar ao da primeira edição do festival, em que a questão mais documental, de conteúdo político, volta a preponderar. “Eu tenho a sensação de que o que importa é mostrar o que a mídia mainstream não mostra”, afirma ele, que atribui isso à própria evolução tecnológica, que transformou os meios tecnológicos e digitais como parte do cotidiano.
Bill Martinez, que criou a identidade visual da terceira edição, sucedendo Farkas, disse que, nos tempos 1980, criar a identidade do festival era fazer o cartaz. “Não existia computação gráfica, existia computação”, diz.
Daniel Trench, um dos criadores da identidade visual da atual edição, disse que “a ideia não era de romper, de criar algo novo, mas era buscar uma relação de continuidade, que dissesse respeito ao festival e criar duas identidades, uma vez que são dois os projetos da atual edição, a exposição 30 Anos e a Mostra Competitiva Panoramas do Sul.”. Ao que Celso Longo, parceiro de Trench, completou: “tentamos fazer algo mais simples, mais duro, que buscasse esta relação com as identidades anteriores de Rafael Lain e Angela Detanico” “A gente pensava em criar um ambiente que tivesse uma espécie de neutralidade, uma tentativa de criar uma semântica mais próxima dessa edição”, conta. O outro ponto da proposta era utilizar o espaço do Sesc Pompeia, que Longo classifica como uma das joias arquitetônicas de São Paulo. “A ideia era ocupar este espaço de outra maneira, aproveitando sua arquitetura e se relacionando com ela”.
Rafael Lain, que ao lado de Angela Detanico criou as identidades visuais da 13ª à 17ª edição, apresentou o processo de criação da dupla por meio de animações, num contraponto aos cartazes ainda feitos a mão, com nanquim, de Kiko Farkas. O trabalho da dupla buscava a integração dos conceitos da curadoria, por meio de uma investigação baseada na tipografia e semântica, voltada a aplicação em diferentes suportes, como vinhetas, site, e peças da própria exposição. “O Videobrasil oferece a possibilidade de integração do design ao próprio festival, que acaba refletindo a evolução e mudanças da própria instituição”, disse Angela.
 Criadora e curadora do festival, Solange disse que não consegue pensar no Videobrasil sem estar numa troca constante com os designers, cujo trabalho começa até um ano antes da edição seguinte. “O design é integrado ao trabalho da curadoria, fazendo parte deste processo e refletindo o conceito do festival”, conta.
Agenda
No domingo, a partir das 11h, haverá, no Galpão do Sesc Pompeia, os dois encontros do Foco 3 do Festival, Residências e rotas para pesquisas artísticas.
O primeiro, Hospitalidade e políticas da mobilidade, tratará da influência da pesquisa artística nas questões de acolhimento de outros povos e raças em países e fronteiras. O debate terá participação da artista Annalee Davis; da curadora Koyo Kouoh e do dançarino e produtor cultural Aaron Cezar. A mediação é da artista Amilcar Packer.
O segundo, A “transnacionalidade” como horizonte, debaterá a questão das “redes transacionais” e de intercâmbio nas práticas artísticas e curatoriais. A mesa terá participação da curadora Gabriela Salgado; da gestora cultural Ika Sienkiewicz e do pesquisador e crítico de arte Mario Caro. O encontro acontecerá a partir das 14h.
No Cinesesc, às 14h, haverá as exibições dos Programas 1,História, regresso e pertencimento, e 2, A experiência do espaço humano. A partir das 16h, serão exibidos os programas 3,Consciência política e experiência sensível, e 4, Imersões no espaço sociocultural brasileiro. Os vídeos são parte da mostraPanoramas do Sul.
Lançamento e premiação
Às 15h30 haverá o lançamento do livro Em residência – rotas para pesquisa artística em 30 anos de Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, no Galpão do Sesc Pompeia.
Às 20h, haverá a Premiação Panoramas do Sul, no teatro do Sesc Pompeia.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

LEITURAS SOBREPOSTAS


Artistas e curadores criam intervenções a partir da interação com o público e o diálogo com as obras do Festival SESC_Videobrasil
 
 
Voltado para ações de ativação da mostra Panoramas do Sul e da exposição 30 Anos, o Foco 7 dos Programas Públicos da 18ª edição do Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, Leituras Sobrepostas, terá como destaques intervenções que tratam da interação do público com as exposições e a relação da arte com a escrita. A artista Galciani Neves e os curadores Júlio Martins, Carolina Mendonça e Paulo Miyada são os convidados deste foco, apresentando de 16 a 18 de janeiro, nos espaços expositivos do Sesc Pompeia, o resultado de suas leituras sobre o 18º Festival.
 
Paulo Miyada e Carolina Mendonça construíram propostas de ativação a partir da relação do público com as mostras. "A participação do público costuma ser pouco reconhecida dentro dos espaços expositivos", afirma o curador, arquiteto e urbanista Paulo Miyada, que apresentará no sábado (18) Mixtape: Videobrasil, um filme semi-documental (ou semi-ficcional) feito a partir dos diálogos de um casal sobre a exposição. " A gente passa a maior parte do tempo falando dos artistas e curadores, eu quis falar do público. O que me interessa é fazer uma homenagem ao público", afirma.
 
O filme, concebido e realizado ao longo de um mês, foi idealizado a partir da observação da interação do público com o espaço expositivo. Daí a opção do diretor em não utilizar atores nem artistas como casal, mas sim pessoas que, em suas vidas, tivessem alguma ligação com a arte, visitassem exposições, tivessem interesse no tema. No caso, um designer e uma arquiteta. "Os artistas partem de uma premissa roteirizada, para depois abrir espaço para lidar com o imprevisto", conta Paulo.
 
 
É da interação do público com as obras expostas que nasce também a intervenção da artista Carolina Mendonça, a performance Público, criada ao longo de dois meses, durante os quais ela estudou a história do Festival, visitou a exposição por diversas vezes e observou a maneira com que o público regia a ela. “Minha ideia é que a performance aconteça a partir do público, com performers contratados interagindo com ele, no espaço expositivo, mas de uma forma que ele não saiba exatamente o que se passa”, explica Carolina.
 
É a primeira vez que a artista participa de uma intervenção desse tipo, ou seja, que cria uma obra a partir de outra(s) em uma exposição. "Mas já participei em exposições que tinham essa natureza", afirma. Em 2009, na exposição Verbo, Carolina, junto do artista Bruno Freire, fez um muro que era construído e destruído durante a abertura da exposição. "Foi bem numa época em que a prefeitura estava fazendo várias intervenções, fechando bares", conta.
 
 
Já em 4 Livros à Margem, a intervenção volta-se para a escrita. Curador, historiador e crítico de arte Júlio Martins criou textos que apresentam uma visão particular sobre a mostra Panoramas do Sul a partir de reflexões sobre a sua expografia e espaço expositivo, obras e artistas. Quatro livretos estarão dispostos em extremos do espaço expositivo, representando um dos quatro eixos geográficos - Norte, Sul, Leste, Oeste - com as anotações pessoais dele sobre a exposição. "A ideia era produzir um comentário, um desdobramento da mostra. No meu processo de analise crítica, eu anoto algumas ideias, então trouxe isso para o espaço expositivo como se fosse uma nota de rodapé", conta.
 
Júlio conta que a prática da escrita lhe interessa muito enquanto curador. A diferença, neste caso, é que ele utiliza uma voz em primeira pessoa para narrar suas impressões, ao contrário do que costuma fazer e do que costuma ser feito na crítica de arte. "Todas essas questões da exposição, como a do Sul Geopolítico, me levam a querer tomar partido, uma coisa que eu não costumo fazer", afirma.
 
No caso do Festival, o seu objetivo era dialogar com as obras dos artistas. Para tanto, visitou várias vezes a exposição Panoramas do Sul. Sobre sua intervenção, ele afirma que "num gesto simples você consegue que a sua linguagem acompanhe a dos artistas."
 
Gal Neves, crítica e curadora, participa pela primeira vez de uma ativação como a que será realizada no Foco 7 com uma intervenção também voltada para a escrita. Leituras Sobrepostas foi feita com a colaboração de catorze artistas - tanto alguns participantes do Festival, quanto artistas de fora -, todos convidados a escrever sobre uma das obras expostas na Panoramas do Sul. São eles: Fabio Morais, Jorge Menna Barreto, Haroldo Saboia, Maíra Dietrich, Matheus Leston, Patricia Osses, Ana Luiza Dias, Natercia Pontes, Gui Mohallem, Michel Zózimo, Mariana Xavier, Omar Salomão, João Loureiro e Coletivo Madeirista. A própria Gal também escreve sobre a sua ação. 
 
Na exposição, os textos ficarão expostos ao público durante uma semana, ao lado das legendas técnicas das obras. "O meu objetivo era dar um direcionamento para a percepção do público que acontece a partir da sua relação com a obra, a legenda oficial e o espaço entre elas", explica. "Há uma diversidade de estilos entre os textos que intensificam a proposta."
 
FOCO 7 - LEITURAS SOBREPOSTAS | PROGRAMAS PÚBLICOS
Escrituras Sobrepostas, de Galciani Neves
16.1.2014, 20h — Sesc Pompeia / Galpão e Quadra 
Público, de Carolina Mendonça
17.1.2014, 17h — Sesc Pompeia / Galpão e Quadra
18.1.2014, 10h — Sesc Pompeia / Galpão e Quadra 
4 livros à margem, de Júlio Martins
17.1.2014, 20h — Sesc Pompeia / Galpão e Quadra

Mixtape: Videobrasil, de Paulo Miyada
18.1.2014, 18h — Sesc Pompeia / Galpão e Quadra 
 
 
Local: Sesc Pompeia
Rua Clélia, 93 – Pompeia, São Paulo SP

Telefone: 11 3871-7700
Entrada gratuita