
Lugares para a história
de Arlette Farge
Tradução: Fernando Scheibe
Título original
Des lieux pour l’histoire
Páginas:
136
Coleções
História e Historiografia
A cada época, o historiador se esforça para conciliar as exigências da objetividade e a necessidade que tem de reinterpretar o passado à luz do presente. Mas em face do que é, em face do que vem, o que diz a história?
Neste livro, Arlette Farge reflete sobre a responsabilidade do historiador diante do presente: pensar o sofrimento, a crueldade, a violência, a guerra sem reduzi-los a fatalidades é também querer explicar os dispositivos, os mecanismos de racionalidade que os fizeram nascer.
As ciências do homem sempre tenderam a considerar o campo emocional como resultante apenas do fisiológico, dos sentimentos. Ora, o sofrimento humano não é anedótico: o acontecimento singular é um momento de história. A opinião das pessoas, a fala, o acontecimento que sobrevêm fazem parte dos lugares políticos da história. Do mesmo modo, a diferença dos papéis sexuais não é uma fatalidade; ela está submetida às variações da história.
Lugares para a história fomenta uma discussão fundamental para o historiador: reinterpretar a história de acordo com o nosso presente. Para tanto, a obra de Michel Foucault, com quem Arlete Farge publicou, em 1982, La Désordre des familles (A desordem das famílias, inédito em português), serve aqui de apoio para a análise de diversas questões que estão em jogo na escritura da história.
A AUTORA Arlette Farge
Arlette Farge é diretora de pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS – Centro Nacional de Pesquisa Científica, na França). Publicou, entre outros, Le Gôut de l’archive [O gosto do/pelo arquivo] (1989), Dire et mal dire. L’opinion publique au XVIIIe siècle [Dizer e mal dizer. A opinião pública no século XVIII] (1992) e Le Cours ordinaire des choses dans la cité du XVIIIe siècle [O curso ordinário das coisas na cidade do século XVIII] (1994).
Pesquisadora francesa explora descontinuidades e fragmentos históricos em livro que repensa o sofrimento e as relações humanas
Arlette Farge propõe o estudo da história a partir de suas descontinuidades, de seus fragmentos. Na obra Lugares para a história, lançada no Brasil pela Autêntica Editora, a pesquisadora francesa é fiel a esta abordagem até mesmo na construção narrativa do texto, que se dá em capítulos curtos e, embora relacionados, que guardam certa autonomia entre si. “A abordagem do descontínuo, do que não se conecta automaticamente a um sistema liso de continuidades e de causalidades evidentes, tem a vantagem de isolar cada acontecimento e de devolvê-lo a sua história pura, áspera, imprevisível”, lembra Arlette nas primeiras páginas desse livro, cuja cuidadosa tradução é assinada por Fernando Scheibe.
Inspirada na sagacidade crítica das análises de Robert Mandrou e na inteligência criadora de Michel Foucault – com quem publicou, em 1982, La Désordre des familles (A desordem das famílias) – Arlette se questiona sobre como conciliar as exigências da objetividade e a necessidade que tem o historiador de reinterpretar o passado à luz do presente.
A pesquisadora, que trabalha a partir de arquivos e documentos de registros, estabelece alguns “lugares” para os quais lança seu olhar: de um lado, situações do século XVIII marcadas pelo sofrimento, pela violência e pela guerra; de outro, certos modos singulares de existir no mundo, como a fala, o acontecimento e as relações entre homens e mulheres. Os dois conjuntos se articulam, segundo ela, pela presença, hoje, tanto de configurações sociais violentas e sofridas, quanto de dificuldades sociais que desequilibram as relações entre o um e o coletivo, entre os gêneros e entre os fragmentos separados e a história.
Literatura indicada para historiadores, pesquisadores e estudantes, o livro Lugares para a história não se restringe, porém, ao âmbito acadêmico – pode ser abraçado por todos os interessados em repensar o presente a partir de perspectivas históricas bem fundamentadas.
UM LANÇAMENTO
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Lançamento - Lugares para a história
Lançamento -História e Psicanálise – Entre ciência e ficção

História e Psicanálise – Entre ciência e ficção
de Michel de Certeau
Tradução: Guilherme João de Freitas Teixeira
Título original
Histoire et psychanalyse entre science et fiction
Páginas:
256
Coleções
História e Historiografia
Michel de Certeau (1925-1986) é, com toda a certeza, uma das figuras mais singulares – portanto, mais importantes – da Escola Francesa na área da história. Sem ter esperado o salvo-conduto de quem quer que seja nem ter solicitado a aprovação dos guardiões das diferentes disciplinas, ele atravessou as fronteiras entre os campos do saber ao se alinhar contra o empobrecimento da história por confinamento e ao assegurar sua indispensável abertura a outras áreas do conhecimento – aliás, o que se converteu, atualmente, em prática corrente. Trouxe um olhar incisivo sobre o intercâmbio dos métodos, objetivos e modelos que determinam as maneiras de escrever a história.
Dessa indagação incessantemente retomada, desse vaivém entre passado e presente, os textos reunidos neste volume entrelaçam os fios: tratam de Foucault, Freud e Lacan, mas também da análise do poder, do corpo, da loucura e da ficção na história. Em vez de uma tentativa de misturar – entre história, psicanálise, linguística ou antropologia – os gêneros e os métodos, ou até mesmo de embaralhar as identidades dos saberes, Michel de Certeau empreende o deslocamento necessário de um conhecimento para outro, a fim de acompanhar uma questão que, tendo surgido em determinado domínio, não recebeu tratamento satisfatório. Este livro traz a marca de uma exigência – rara – de pensamento.
Michel de Certeau discute relação entre ciência, história e ficção em livro recém-lançado no Brasil
Filósofo, historiador e teólogo, Michel de Certeau (1925-1986) foi exímio observador dos hábitos, práticas e crenças de diferentes épocas. Em sua dedicação ao fazer histórico, entretanto, sublinhava a distância entre a leitura das fontes e arquivos documentais e qualquer interpretação destes a posteriori – procedimento que, inevitavelmente, as transfere para outro registro de crenças e de usos sociais no qual os enunciados de outrora, até mesmo conservados em sua integralidade, assumem outro sentido. Para ele, a história conta com sua própria historicidade, visto que não pode apreender nem descartar “o ausente da história”, cuja irremediável ausência marca a operação historiográfica e seu resultado, ou seja, a história escrita. Esta relação entre ciência, história e ficção é explorada por De Certeau em História e Psicanálise – Entre a ciência e a ficção, lançamento da Autêntica Editora. Capaz de atravessar as fronteiras entre os campos do saber, De Certeau é uma das figuras mais singulares da Escola Francesa na área de história. O autor acreditava que a contribuição de estudiosos não deveria ser limitada apenas às condições previamente determinadas pelos princípios da disciplina estudada. Nessa obra, traduzida pela primeira vez no Brasil, ele propõe, na primeira parte, uma análise da relação entre a história e a psicanálise, a fim de refletir sobre a maneira como o historiador concebe e pratica seu ofício. A segunda parte do livro traz textos acerca de Michel Foucault e Jaques Lacan, autores admirados pelo historiador. A tradução é de Guilherme João de Freitas Teixeira. A obra, indicada para historiadores, pesquisadores e estudantes, é também referência para uma investigação mais detalhada sobre os limites e as aproximações entre a ficção e ciência, observados pelos olhos rigorosos de De Certeau. O livro faz parte da Coleção História e Historiografia, que já conta com os livros Leitura e seu público no mundo contemporâneo (Autêntica, 2008), de Jean Yves Mollier, Doze Lições Sobre a História (Autêntica, 2009), de Antoine Prost e Lugares para a história (Autêntica, 2011), de Arlette Farge.
UM LANÇAMENTO
quinta-feira, 9 de julho de 2009
O circo no risco da arte
O Circo no risco da arte
de Emmanuel Wallon (Orgs.)
com Tradução deAna Alvarenga, Augustin de Tugny, Cristiane Lage
Título original
Le cirque au risque de l’art
Páginas: 192
Os autores deste livro exploram um universo em que a noção de risco artístico recobre todas as direções.
Fala Emmanuel Wallon
“Tendo ouvido o aviso, o lobo da fábula ainda corre. Assim também o circo estará sempre tentado a pegar a tangente, quaisquer que sejam os lisonjeiros com os quais nós o gratificamos. Pois definitivamente seus intérpretes preferem as incertezas do estado nômade às seguranças das situações de repouso. Como a margem residiria no centro? A circularidade da pista se presta a redondezas regulares. As forças centrífugas não continuarão a dominar menos. No risco da arte.”
“O circo no risco da arte” trata do universo circense a partir da análise de pesquisadores franceses
O AUTOR
Emmanuel Wallon formou-se aos 20 anos pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris. Fez Doutorado em Sociologia na École des hautes études en sciences sociales EHESS (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais) e habilitou-se orientador de teses em Ciências políticas na universidade de Paris .Aos 50 anos Emmanuel Wallon é professor de sociologia política em Nanterre e no Centro de estudos teatrais da universidade de Louvain-la-Neuve (Bélgica). É ainda membro do comitê de redação das revistas Temps Modernes, Études théâtrales e L´Observatoire, a revista das políticas culturais na França. Foi presidente da associação Hors Les Murs (Associação nacional para a promoção e o desenvolvimento das artes da rua e do circo) de 1998 à 2003. Em junho de 2005, apresentou a pedido do então ministro da Cultura da França um relatório intitulado Sources et ressources pour le spectacle vivant, 2onde analiza a situação da pesquisa na área dos estudos do espetáculo vivo, ou as artes cênicas.
Confira aqui um capitulo do livro
UM LANÇAMENTO

