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terça-feira, 12 de outubro de 2010

VIAVÁRIA


VIAVÁRIA
Iacyr Anderson Freitas
136 páginas -


"Ser ao revés da cana:
algo que não se dobra.
Se o verso nos engana,
muda-lo quando em obra"

Um exemplo magnífico da melhor poesia ! (E.C)

Sobre a Obra

O MELHOR EXEMPLO DA POESIA CONTEMPORÂNEA

Viavária, de Iacyr Anderson Freitas, é um livro novo e depurado. Composto de 10 partes, os poemas são nelas distribuídos como uma espécie de “roteiro de leitura”, sendo, ao mesmo tempo, concentrados temáticos e formais. O título do livro – Viavária – é um feliz achado, que indica os múltiplos caminhos realizados pela extensa e consistente produção poética de Iacyr. Porque neste livro, esses concentrados poéticos, são cristalizações de sua própria poesia anterior, da poesia brasileira moderna (e modernista), da poesia nossa contemporânea e, ainda, dos novos rumos do poeta. Os temas mobilizados nos poemas são amplos e variados. Há o Brasil e Minas Gerais, de ontem e de hoje, as cidades, os processos sociais e as gentes neles, com ganhos, perdas e danos. A memória se repõe continuamente esclarecendo sujeitos obscuros (que somos nós), ora incompletos ora iludidos de si e dos outros. E também memórias de coisas quase mortas, mas persistentes e amores em desvãos, raramente à luz do sol. Essa variedade sobressalente do olhar e da voz de um poeta consumadamente moderno e contemporâneo se expressa em variadas formas poéticas (há inclusive métrica e rima em diversos poemas) através de dicções variadas, entrando o humor, a ironia, a melancolia, a meditação e não raro um certo enjoo frente à matéria do mundo. O leitor degusta em Viavária finíssimos cristais de poesia vivida e criada, pois Iacyr Anderson Freitas é “um dos nomes centrais entre os poetas brasileiros nascidos na década de 1960”, acrescentando com esse livro “mais um título de primeira ordem à sua obra de exemplar coerência”. Valentim Facioli

O AUTOR



um lançamento da

ACONSELHO-TE CRUELDADE




ACONSELHO-TE CRUELDADE
Fernando Fiorese
160 páginas -


Fernando Fiorese nos entrega o que promete. Contos para bons-gourmets , que apreciam variedade de estilos
ao se contar umas história. Cada um com o seu saber e tempero exclusivo. Aconselho-te a degustação! (E.C.)

SOBRE A OBRA

O BOM CONSELHO
Diante da pergunta: o que é conto?, Mário de Andrade, em 1938, diz que tentar respondê-la é uma preocupação com um “inábil problema de estética literária”. E acrescenta: “em verdade, sempre será conto aquilo que seu autor batizou com o nome de conto”. Entretanto, ao final de seu artigo (“Contos e contistas” – O empalhador de passarinho), retoma a “pergunta angustiosa” para, depois de ter citado os grandes contistas do século 19, afirmar o seguinte: “Em arte, a forma há de prevalecer sempre esteticamente sobre o assunto. O que esses autores descobriram foi a forma do conto, indefinível, insondável, irredutível a receitas”. Pois bem. Aconselho-te crueldade, de Fernando Fiorese, é um livro de contos que quadra à perfeição no terreno algo perplexo sondado por Mário de Andrade, especialmente nas questões de forma. Fernando Fiorese é um sujeito muito lido, culto, informado e criativo. Os quatorze textos enfeixados nesse livro são quatorze formas diferentes e originais de escrever contos. O que conta é que a pletora de contos escritos e publicados no Brasil no último meio século por autores bons, excelentes, mais ou menos, medíocres e ruins parece carecer, nestes tempos novos e atuais, de cristalizações e sínteses que ajudem os estudiosos, os apreciadores do gênero e os leitores em geral a abrir cortinas e chegar a terreno mais ou menos seguro. Sendo mineiro e vivendo em Minas Gerais, de repente, em Aconselho-te crueldade Fernando Fiorese, sem receitas, chega ao ponto alto da forma do conto, experimentando e inovando alternativas, de sorte a alcançar uma síntese rara. Essa síntese, ao mesmo tempo, retoma o muito que já foi feito e publicado por outros (os melhores) e dá um passo adiante, repropondo a forma conto de modo que lhe cabe o mérito especial dos três fortes adjetivos utilizados por Mário de Andrade. A leitura desses contos certamente permitirá ao leitor descartar muita palhada que circulou e circula nos arraiais literários nacionais com pretensão a conto. E ainda verá que a perícia literária e artística de Fernando Fiorese não pode deixar e não deixa de lado problemas centrais da literatura contemporânea: a ironia, o humor e a memória estilhaçada que põem a nu as contradições dos narradores, das linguagens e da matéria histórica recriada. E nesses contos estão as perguntas sobre os enigmas da vida e da arte, a permanente perplexidade sobre o sentido de tudo, das menores coisas, dos nossos atos e gestos, da nossa velhice solitária, da hipocrisia do cinema a que assistimos e comentamos, do nosso ser fragmentado e danificado neste mundo de mercadorias sem fim e, ainda, o futuro, que muito nos ameaça e nada nos promete.
Valentim Facioli

O AUTOR
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