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Sobre o artista
De segunda a sexta, das 10h às 18h; sábado, das 10h às 14h
Telefone: (11) 3882-7120/ 3051-2311
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Mostra que retrata 50 anos da obra do artista fica em cartaz até o dia 29 de maio
Em Abril de 1944, Alfredo Volpi ( Lucca, Itália – 1896, São Paulo, SP – 1988) realizou sua primeira exposição individual na Galeria Itá, em São Paulo, com apresentação de Mário Schenberg. A mostra foi um sucesso e todas as obras vendidas, um feito excepcional na época, e por isso amplamente noticiado.
Setenta anos depois a Galeria Almeida e Dale inaugura, no dia 27 de Março, a exposição VOLPI - A Emoção da Cor, com curadoria de Denise Mattar. A mostra apresentará 80 obras, de diferentes fases, revelando o percurso de Alfredo Volpi, um mestre singular e um dos maiores artistas que o Brasil já produziu.
Na seleção, a curadora priorizou obras inéditas, sem deixar de mostrar alguns trabalhos emblemáticos do artista, e manteve o caráter didático que caracteriza suas montagens. Assim será possível ouvir depoimentos do próprio Volpi e ver imagens de sua longa vida. A mostra apresenta pinturas da década de 1920, quando o artista era considerado um impressionista, revê trabalhos dos anos 1930, período do Grupo Santa Helena, e enfatiza a produção dos anos 1940, fase de transição, na qual se delineia um novo caminho. O Volpi já pleno da década de 1950, época das “bandeirinhas”, evolui para o domínio total da cor e da forma na década de 1960, atingindo em 1970 o ápice nos processos de ritmo e permutação das cores.
Volpi começou como pintor de paredes e viveu praticamente toda a vida numa modesta casa do Cambuci, casado com Judite, a sua “deusa de ébano”, ao lado de muitos filhos adotivos. Vem daí o mito de sua suposta ingenuidade. Ele de fato era tímido e não gostava de eventos sociais, mas acompanhava tudo à sua volta com olhos muito abertos e gulosos. Saboreava Giotto, Margueritone, Picasso, Cézanne e Dufy - mas seu preferido sempre foi Matisse. Conhecia tudo sobre técnica e usava a têmpera por opção. Fazer chassis, esticar telas e preparar as tintas era para ele parte do processo da pintura. Considerava pintar um trabalho árduo e trabalhava todos os dias. Sua sensibilidade artística era muito apurada e sua obra tem, em todas as fases, características originais e incomuns.
“Existe um equívoco em achar que a obra de Volpi só começa a ter importância nos anos 1950, quando é descoberto pelos concretistas”, diz a curadora Denise Mattar. “Muito antes disso seu trabalho já chamava a atenção. Em matéria de 1935, intitulada Volpi - O Wagner da pintura, escrevia o crítico Virgílio Maurício: ‘Sua pintura é ricamente construída, estranhamente disciplinada, sem nenhuma concessão ao brilho, ao malabarismo, ao virtuosismo e nem mesmo à fantasia. Arte pura, sem artifício(...) Planimetria perfeita, colorido justo, vibratibilidade, são os atributos que vivem na sua tela e que se prolongam em todos os outros trabalhos..’ Essa crítica, escrita sobre a obra figurativa de Volpi, bem poderia se referir aos trabalhos de anos muito posteriores demonstrando a coerência do artista. “
A obra de Volpi vem despertando paixões ao longo de décadas e sobre ele escreveram os mais importantes críticos e artistas brasileiros como: Paulo Mendes de Almeida, Mario Schenberg, Sérgio Milliet, Theon Spanudis, Mário Pedrosa, Willys de Castro, Murilo Mendes, Maria Eugenia Franco, Clarival do Prado Valladares, Flávio Motta, Décio Pignatari, Waldemar Cordeiro, Haroldo de Campos, Olívio Tavares de Araújo, Lorenzo Mammi, Rodrigo Naves, Paulo Pasta, Vanda Klabin, Sonia Salztein, Alberto Tassinari e Paulo Sérgio Duarte, entre outros.
A exposição tem o apoio do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna, criado com o objetivo de mapear a obra do artista, hoje reunida num catalogue raisonné virtual.
Serviço
Volpi – A Emoção da Cor
Até 29 de maio
Galeria Almeida e Dale
R. Caconde, 152 - Jardim Paulista, São Paulo - SP
Tel.: 11 3887-7130
De segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados das 10h às 14h. Entrada gratuita. Classificação livre.
A
galeria Almeida e Dale apresenta a exposição Aldo Bonadei (1906-1974), a
partir de 8 de novembro. A mostra, em homenagem aos 40 anos de sua
morte, reúne cerca de 30 trabalhos do artista entre óleos, colagens e
tecidos, reunindo obras produzidas nas diferentes épocas de sua vida.
Com curadoria de Denise Mattar, a exposição inclui uma cronologia
ilustrada, poemas e textos do artista, objetos do seu atelier e suas
músicas preferidas.
Aldo
Bonadei foi uma personalidade rara entre os artistas paulistas.
Participou do Grupo Santa Helena, formado por artistas como Francisco
Rebolo Gonsales, Manoel Martinse Alfredo Volpi. Mas, apesar da afinidade
com o grupo, sua produção é mais complexa, e seu estilo é
inconfundível.
Suas
paisagens urbanas registram, com certa nostalgia, uma São Paulo que
crescia assombrosamente engolindo as paisagens bucólicas das bordas da
cidade. Suas naturezas-mortas são composições construídas à maneira de
Cézanne. Quase nunca registra a figura humana e seu olhar lírico cria
poesia em todos os detalhes.
Ao
mesmo tempo, poucos artistas brasileiros tiveram tão grande
envolvimento com a pesquisa plástica, e a busca da inovação foi uma
constante em sua trajetória. Seus primeiros trabalhos são quase
acadêmicos, aos poucos as lições do cubismo foram por ele assimiladas
numa expressão inteiramente pessoal, e de forma pioneira trilhou os
caminhos da abstração. Na década de 1940, quando, no Brasil, havia uma
absoluta rejeição à abstração, pintou as suas impressões musicais,
transmitindo plasticamente suas sensações. Uma dessas pinturas será
apresentada na exposição juntamente com a música que inspirou o artista a
produzi-la.
Bonadei
exercitou sua criatividade em várias áreas. Criou quadros-objetos
incorporando diversos materiais, como bordados e costuras sobre tela,
projetando experiências profissionais próprias, oriundas de seu grupo
familiar, dedicado à costura e ao bordado. Fez gravuras utilizando
processos inéditos de gravação. Mudou o suporte da pintura de forma
inovadora eliminando a moldura. Pintou tecidos e criou padrões para a
indústria. Fez projetos gráficos, criou cenários e figurinos para a Cia
Nydia Lícia e para Walther Hugo Khoury. Escreveu poesias e considerações
sobre os processos de criação plenas de lirismo.
Aldo
Bonadei foi um artista atuante e participante. Junto ao Sindicato dos
Artistas Plásticos, defendeu arduamente o reconhecimento da profissão.
Expôs em várias edições do Salão Paulista de Arte Moderna recebendo os
mais importantes prêmios do certame. Participou da Bienal de São Paulo,
representou o Brasil na XXVI Bienal de Veneza, expôs no Japão, Chile,
Cuba e Paris e realizou exposições individuais nas mais importantes
galerias da época como Domus e Bonfiglioli.
Todas
essas facetas serão relembradas pela exposição, que segue em cartaz até
dia 6 de dezembro. Segundo a curadora Denise Mattar “Esta exposição
pretende resgatar a plenitude de Aldo Bonadei um artista que sabia
harmonizar contradições produzindo uma obra densa, lírica, nostálgica, e
ao mesmo tempo vibrante e sem estridência. Um trabalho que surpreende
pela inovação e pela naturalidade com que ela brota do seu fazer
artístico”.
Sobre
Aldo Bonadei escreveram grandes críticos brasileiros como: Pietro Maria
Bardi, Mario Schenberg, Walter Zanini, Lourival Gomes Machado, Roberto
Pontual, Arnaldo Pedroso D’Horta, Lisbeth Rebolo, Emanoel Araújo, entre
outros.