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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

MAIS POESIA

Um pouco mais de poesia para este final de ano, pois afinal é preciso correr para cantar e sonhar nestas derradeiras noites de 2009, um aninho tacanho sem tamanho!(E.C.)


A coleção Ás de colete, parceria das editoras Cosac Naify e 7Letras, continua seu projeto de publicação de nomes consagrados da poesia brasileira e estrangeira contemporânea e também de sua produção recentíssima.

A versão “de bolso” da série, apresenta mais três lançamentos em 2009: Ambiente, de Walter Gam, Mapoteca, de Felipe Nepomuceno, e Sons: Arranjo: Garganta, de Ricardo Domeneck.

Nesta nova leva, os autores se destacam por circular efetivamente por outras áreas de atuação, como as artes plásticas, o vídeo e a música. Os três trazem na sua escrita um diálogo muito forte com estes meios de expressão artística: Felipe Nepomuceno é cineasta e artista plástico, Walter Gam também é artista plástico e Ricardo Domeneck, DJ.


Ambiente

Walter Gam


79 páginas


Walter Gam surpreendeu a muita gente quando, aos 19 anos, foi o vencedor do Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, promovido pela revista Cult, com o livro Variações de um movimento íntimo, de 2002. O autor, que preferiu esperar sete anos até dar à luz este novo volume, volta amadurecido em Ambiente. Nascido em Belo Horizonte, em 1983, é formado em artes plásticas pela Escola Guignard, UEMG, participou como residente do projeto de arte Idensitat (idensitat.net), na Espanha, em 2009, e desenvolve trabalhos com vídeo, instalação, desenho, pintura e fotografia. Com referências contemporâneas, sua originalidade reside na porosidade entre seu trabalho poético e seu trabalho como artista plástico.


Mapoteca

Felipe Nepomuceno


239 páginas

Felipe Nepomuceno já publicou três livros, Marciano, Calamares e Aquário. Mapoteca traz a reedição dessas três coletâneas seguidas de três livros inéditos. Nascido em São Paulo, em 1975, Felipe passou parte de sua infância vivendo fora do Brasil, como filho de exilados políticos. O autor apresenta em sua poesia, sintética e cortante, a Polaroid dolorosa e imparável dessas errâncias. Estudou fotografia na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e na New York School of Visual Arts. Também cineasta e autor de vários curta-metragens premiados, Felipe traz para a poesia o olho-câmera. Mapoteca é ilustrado com desenhos de sua autoria.



Sons: Arranjo: Garganta

Ricardo Domeneck

127 páginas


Ricardo Domeneck, que já publicou na Ás de colete o volume a cadela sem Logos (2007), é uma das mais interessantes personalidades poéticas surgidas na presente década. Armado de uma polêmica mas consistente leitura da poesia contemporânea, o autor planeja sua intervenção em várias frentes: edita com Angélica Freitas, Fabiano Calixto e Marília Garcia a revista Modo de Usar & Co, produz vídeos, é DJ e realiza performances em festivais pelo mundo inteiro. Com Sons: Arranjo: Garganta, sua voz inconfundível se volta para a poesia corporal, física, irônica e militante. Nascido no município paulista de Bebedouro, em 1977, atualmente vive e trabalha em Berlim, na Alemanha.


LANÇAMENTOS

MEU ÚLTIMO SUSPIRO

MEU ÚLTIMO SUSPIRO

de LUÍS BUÑUEL


Colaboração: Jean-Claude Carrière

Tradução: André Telles

Coedição Mostra Internacional de Cinema



376 páginas

35 ilustrações


Luis Buñuel definiu Meu último suspiro como um livro “semibiográfico”. Por não se considerar um “homem da escrita”, chamou seu constante colaborador em filmes, Jean-Claude Carrière, para auxiliá-lo neste grande roteiro que retrata a origem, os erros e acertos, as dúvidas e certezas do cineasta que levou o surrealismo ao cinema, em parceria com nomes como Salvador Dalí e Garcia Lorca. Escrito no início da década de 1980, o livro logo se destacou pela irreverência e diferente narrativa, segundo o autor, “uma narrativa inesperada, um retrato meu, com minhas afirmações, hesitações, repetições e brancos, com minhas verdades e minhas mentiras; para resumir: minha memória”. Esta nova edição, traduzida por André Telles diretamente do original francês, tem como grande novidade a inserção de imagens inéditas do acervo pessoal do cineasta, com seleção feita pelos próprios Buñuel e Carrière, cedidas por seu filho Juan Luis Buñuel.


O AUTOR
Luis Buñuel (Calanda, 22 de Fevereiro de 1900 — Cidade do México, 29 de Julho de 1983) foi um realizador de cinema espanhol, nacionalizado mexicano[1]. Trabalhou com Salvador Dalí, de quem sofreu fortes influências na sua obra surrealista.

A obra cinematográfica de Buñuel, aclamada pela crítica mas sempre cercada por uma aura de escândalo, tornou-o um dos mais controversos cineastas do mundo, sempre fiel a si mesmo.


FILMOGRAFIA

1928 Un Chien Andalou Um Cão Andaluz co-dirigdo por Salvador Dalí
1930 L'Âge d'Or A Idade do Ouro co-dirigido Salvador Dalí (embora este não apareça creditado no genérico)
1933 Las Hurdes As Hurdes
1936 ¿Quién Me Quiere a Mí?
1947 Gran Casino
1949 El Gran Calavera
1950 Los Olvidados Os Esquecidos
1951 Subida al Cielo Subida ao Céu
1951 Una Mujer Sin Amor
1951 Susana Susana, Mulher Diabólica
1951 La Hija del Engaño
1952 El Bruto O Bruto
1952 Él O Alucinado
1953 Robinson Crusoe Robison Crusoé
1953 Abismos de Pasión Escravos do Rancor
1953 La Ilusión Viaja en Tranvía A Ilusão Viaja de Trem
1954 El Río y la Muerte
1955 Ensayo de un Crimen Ensaio de um Crime Ensaio de um Crime
1956 La Mort En Ce Jardin
1956 Cela S'Appelle L'Aurore Cela s'Appelle l'Aurore
1958 Nazarín Nazarin
1959 La Fièvre Monte à El Pao
1960 Joven ou The Young One
1961 Viridiana Viridiana
1962 El Ángel Exterminador O Anjo Exterminador O Anjo Exterminador
1964 Le Journal d'une Femme de Chambre O Diário de uma Camareira Diário de uma Criada de Quarto com Jeanne Moreau
1965 Simón del Desierto Simon do Deserto
1967 Belle de jour A Bela da Tarde A Bela de Dia com Catherine Deneuve
1969 La Voie Lactée Via Láctea
1970 Tristana Tristana, uma Paixão Mórbida Tristana com Catherine Deneuve
1972 Le Charme Discret de la Bourgeoisie O Discreto Charme da Burguesia O Charme Discreto da Burguesia
1974 Le Fantôme de la Liberté O Fantasma da Liberdade
1977 Cet Obscur Objet du Désir Esse Obscuro Objeto do Desejo




UM LANÇAMENTO

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Alice no País das Maravilhas



Alice no País das Maravilhas

de Lewis Carroll


Ilustração: Luiz Zerbini

Tradução: Nicolau Sevcenko

Quarta capa: Ana Maria Machado



Alice no País das Maravilhas, um dos grandes clássicos de todos os tempos ganha edição radical, em versão integral, traduzida pelo historiador e professor da Universidade de Harvard Nicolau Sevcenko (1952-). As ilustrações de Luiz Zerbini (1959-) são um espetáculo à parte. O artista plástico paulista criou cenários feitos de cartas de baralho das quais saltam os personagens, por meio de recortes. As maquetes foram fotografadas com iluminação teatral.

No estilo nonsense que o tornou único, o livro conta a história das aventuras de Alice ao cair numa toca de coelho, que a leva a um lugar povoado por criaturas fantásticas e enigmas.

A edição é complementada por indicações de ensaios sobre Alice, biografia do autor e uma relação de artistas que já se aventuraram pelo País das Maravilhas, além de uma pequena filmografia baseada na obra original.

UM LANÇAMENTO

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CLARICE


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domingo, 26 de julho de 2009

Suicídios exemplares


Suicídios exemplares,
de Enrique Vila-Matas


208 páginas

Em seu quinto livro pela Cosac Naify, o catalão Enrique Vila-Matas constrói, com ironia e humor afiado, dez histórias em que os protagonistas flertam constantemente com o suicídio. Este, porém, nunca chega a acontecer de fato - pelo menos não da forma como se imagina. Escrito em 1991, o livro já possui o germe do "não" (suicidar-se, desparecer, não escrever) que aparecerá em Bartleby e companhia e outros títulos do autor. Em Suicídios exemplares, a ideia de se matar torna-se a saída para as decepções ou ausências nas vidas dos personagens, mas algo sempre acontece e muda o desfecho esperado. Com narrativas cheias de imaginação, sutileza e inteligência, a obsessão pelo suicídio acaba, paradoxalmente, por afastar a tentação da morte, e torna-se um incentivo para a vida, transformando positivamente a ação dos heróis de Vila-Matas.

Ao contrário do que acontece nas páginas de um Juan Carlos Onetti, com sua quantidade verdadeiramente prodigiosa de suicidas, os personagens que nos guiam pelos dez contos de Suicídios exemplares não se matam. Em Onetti, há também os derrotados que escapam do suicídio por meio da fantasia – personagens que, nas palavras de Vargas Llosa, “inventam para si mundos puramente imaginários nos quais se refugiam e conseguem sobreviver”. No livro de Vila-Matas, no entanto, o que afasta a tentação do suicídio é, paradoxalmente, a obsessão pela ideia de se matar. Parece irônico, e é.

Se em O mal de Montano “as doenças são chaves que podem nos abrir certas portas”, aqui é a ideia do suicídio que tem este poder. No conto “Rosa Schwarzer volta à vida”, a protagonista, uma funcionária de museu que leva uma vida monótona, passa o tempo todo imaginando modos de morrer: cometer haraquiri, envenenar-se, atirar-se na frente de um carro. Precisa percorrer este itinerário sombrio, o de um mundo que não lhe parece suficiente, para no fim afastar a ideia de se matar e “voltar à vida”.

O personagem de “Morte por saudade”, por sua vez, lembra de quando, na infância, ouviu falar pela primeira vez “de um movimento que às vezes se produzia no homem e que se chamava suicídio” e de como isso o acompanhou por toda a vida. “Em busca do parceiro eletrizante” é a história de um ator decadente que sai à procura de um parceiro para formar uma dupla cômica e voltar a fazer sucesso. Mas descobre que o tal parceiro ideal morreu, só lhe restando o suicídio, para conseguir formar, no além, a incrível parceria. Há contos passados em ilhas inventadas, histórias em que o protagonista morre às vésperas de se suicidar, tramas que se desenrolam em uma sociedade secreta de suicidas.

Por meio de implacável ironia e histórias cheias de ação, Suicídios exemplares comemora e celebra a vida ao perder-se no labirinto do suicídio. O que prevalece na obra, além da grande imaginação, são o humor, a sutileza, a inteligência. “Sofisticada ou impulsiva, ponderada ou captada no ar em um instante de tédio, a ideia do suicídio aqui nunca é um signo de derrota”, escreve o argentino Alan Pauls no texto de apresentação desta edição. “É um princípio de potência: algo na vida range, se abre e começa a ser possível quando as criaturas que povoam estas páginas se deixam possuir pela ideia de se matar.”


O AUTOR
Enrique Vila-Matas
Nascido em Barcelona (1948), Enrique Vila-Matas estreou na ficção em 1973 e desde então teve romances e contos publicados em vários países. Mas foi a partir de 2001, quando A viagem vertical ganhou o prêmio Rómulo Gallegos, um dos mais importantes entre os países hispano-americanos, que se transformou em um dos principais escritores contemporâneos. Premiado não só na Espanha, mas também na França, Vila-Matas é considerado hoje um autor cult, um escritor de escritores. Desde 2004, a Cosac Naify vem publicando seus principais livros, A viagem vertical (2004), Bartleby e companhia (2004), O mal de Montano (2005), Paris não tem fim (2007) e Suicídios exemplares (2009). Dando continuidade à publicação das obras do autor, a editora prepara o lançamento de Doutor Pasavento, ganhador do prêmio da Real Academia Española em 2006 e do Mondello - Città di Palermo (2009).

Para mais informações sobre o autor: www.enriquevilamatas.com

UM LANÇAMENTO

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O NEGÓCIO DA MODA, POR DIDIER GRUMBACH


Histórias da moda
de Didier Grumbach

Tradução: Do
rothée de Bruchard, Joana Canêdo e Flávia Varella

Capa dura

456 páginas;
384 ilustrações;


Ninguém melhor que Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa da Costura, do Prêt-à-porter dos Costureiros e dos Criadores de Moda, bem como da Câmara Sindical da Alta-Costura, para escrever com propriedade sobre a trajetória da indústria da moda e sua evolução no mundo dos negócios. E nada mais atual do que a discussão de suas ideias num momento em que a moda brasileira busca sua consolidação no mercado nacional e internacional.

Grumbach esteve em São Paulo, no dia 15 de junho, para uma aula magna no auditório Eva Herz, na Livraria Cultura, na qual falou sobre as mudanças da moda neste século. O evento lançou Histórias da moda, uma parceria entre o Instituto Nacional da Moda e Design - In-Mod e a Cosac Naify.

O LIVRO
O livro, lançado na abertura do SP Fashion Week, com a presença do autor, narra as transformações sociais e estéticas da moda por meio de pesquisas históricas enriquecidas com as memórias pessoais de Grumbach, que dedicou toda sua vida ao métier, e dos criadores que fizeram parte desta evolução. Publicada pela Editions du Seuil, em 1993, e republicada pela Editions du Regard, erm 2008, na França, a obra foi atualizada pelo autor especialmente para a edição brasileira, incluindo temas como os efeitos da globalização, além de tratar de questões polêmicas como a propriedade intelectual.

Do surgimento da alta costura na França ao processo de organização das indústrias, passando por questões políticas e econômicas, o autor mostra a lógica da indústria da moda, desmistificando-a e revelando-a como um grande negócio, sem diminuir a importância da criação, do glamour e do espetáculo que sempre estão a ela associados. Daí o lugar especial que o autor reserva aos grandes estilistas, fornecendo informações preciosas e enfatizando a importância de cada um deles na linha cronológica.

A trajetória da indústria da moda começa em 1675, quando o rei Louis XIV decreta que as costureiras teriam o direito de vestir as mulheres da corte, o que antes somente era concedido aos mestres alfaiates. Quase duzentos anos depois, surge o primeiro grande nome: Charles Frédéric Worth, um inglês estabelecido em Paris. No século XX o termo "alta-costura" é cunhado pela Câmara Sindical de Costura Parisiense, órgão que se dividiu de acordo com os segmentos de moda, estabelecendo padrões de qualidade e definindo os critérios para uso dos diferentes termos - alta-costura, costura e criação, prêt-a-porter e confecção. Os dias atuais são marcados pela associação dos nomes dos criadores a grandes marcas, financiadas por grupos de investidores.

Fica evidente a particularidade deste negócio que se iniciou pelas mãos de alfaiates e costureiras prestando serviços à nobreza e à aristocracia, passando a uma organização profissional e ao privilegiado de grandes criadores. A presença da moda na vida cotidiana pode, às vezes, dissimular o poder de uma indústria que movimenta milhões de dólares todos os anos e emprega milhares de pessoas em todo o mundo. Grumbach oferece dados numéricos bastante expressivos, além de documentos e fotos de várias épocas para ilustrar e comprovar detalhes de todo o processo que resulta no que a moda é nos dias atuais.

A inserção de mercados emergentes e a grande circulação dos produtos no cenário globalizado é prova de que também a moda não escapa dos efeitos do mundo sem fronteiras e da comunicação em rede. Grumbach sempre reforça a ideia de que o sucesso internacional exige que a criação não se paute mais por interesses localizados, mas pelo mundo, um mundo de tendências mestiças.

Histórias da moda traz, como o autor mesmo diz, um desejo de propor perspectivas a uma indústria que atualmente engloba muitos fatores - grandes investimentos, gerenciamento, capacidade de produção e difusão dos produtos -, mas que tem como ponto chave a criatividade, a inventividade e a capacidade de reinventar a si própria. Um livro indispensável para estudantes, profissionais e pesquisadores da área.



Patrocínio: In-Mod - Instituto Nacional de Moda e Design
Apoio: SPFW - São Paulo Fashion Week

Outros Livros de MODA NA COSAC NAIFY
Coleção Moda Brasileira, em 10 volumes
Coleção Universo da Moda, em 17 volumes
Moda: uma história para crianças, de Kátia Canton e Luciana Schiller






UM LANÇAMENTO