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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

ESCURO de Ana Luísa Amaral

ESCUROde Ana Luísa Amaral



15,5x22,5cm | 80 páginas 


Que terra é essa que se devenda no claro/escuro da poesia de Ana Maria Amaral. Densa na lírica, faca de rima fatiando o escuro perto/distante (E.C.)

As reinvenções de Ana Luísa inserem-se criticamente na atualidade de maneira profunda, incitando reflexões sobre a questão do gênero, a tradição lírica e o sentido político da poesia enquanto móbil da imaginação.
Mariana Ianelli

"Escuro é um poema em que Ana Luísa Amaral revisita a poesia a partir dos poetas que poeticamente escreveram a história de si próprios, como San Juan de La Cruz, ou a história da história, como William Blake, ou a história da poesia-feita-história, como Fernando Pessoa. A lucidez de Escuro canta a história nossa, que sempre na escola nos deixaram por contar" nos explica Maria Irene Ramalho

"Tudo começa a partir da memória pessoal, de um acaso e uma iluminação. À noite, ao deitar-se, outra noite se sobrepõe à do presente, e com ela, como num desfile de beleza e de terror, surgem, do passado, a alegria dos momentos da infância, como também a própria história, com raízes profundas na vida e na imaginação europeia – e por que não dizer, em nossa própria vida, já que, brasileiros, somos frutos deste mesmo sonho, para o bem e para o mal.
São camadas de tempo que a sonda sensível da poeta Ana Luísa Amaral, uma das mais importantes da poesia portuguesa contemporânea, parece arrancar do fundo do escuro e expor à luz do presente, logo no primeiro poema deste livro. Estas camadas, por assim dizer, coabitam neste mesmo momento de crise do capitalismo, em que lemos jornais e deparamos, atônitos, com “a violência de ser em cima desta terra”. Ou, como diz a poeta, tudo passa por um mesmo corredor. Ao lembrar a infância, “a cama e as cascatas frescas dos lençóis/ macios como estrangeiros chegando a país novo”, memória pessoal e história se encontram, entroncadas.
Seria impossível ler Escuro sem topar com Mensagem, de Fernando Pessoa, que já ecoava, em outro plano, Os Lusíadas, de Camões. Mas aqui a mitologia petrificada portuguesa parece ser questionada a partir do presente, quando o mito já se sabe mito e o que ocultava. “Comecei a formar-me/ a partir do mito”, escreve a poeta em “Nevoeiro” (que dialoga com outro nevoeiro, o de Pessoa).
Essa consciência ilumina as três partes de Escuro: “Claro-escuro”, com dois poemas, um de recorte lírico e outro com uma voz narrativa mais ampla, em que as raízes do processo do colonialismo europeu são postas do avesso, com saques e destruições “em nome de um equilíbrio novo”. Na parte central, chamada “Por que outra noite trocaram o meu escuro”, a poeta dá voz ao passado, seja a partir da “cobiça dos poderosos”, seja a da “sede dos mais pequenos por moedas”, além de pôr em cena as torturadas vozes femininas – daquela mulher, rainha ou não, que “estava ali, de lado”. Na última parte, “Em outra fala”, o futuro ecoa neste corredor do tempo, na busca de um “outro mundo de harmonia e sons”. E todas as vozes se reúnem, por fim, no lirismo de “O drama em gente: a outra fala”: “O lume que as sustenta,/ a estas vozes,/ é mais de dentro, e eu não sei o que dizer”.
A Europa que emerge destes poemas não é mais a contemplativa e melancólica de Pessoa, mas aquela que “não tem olhos, nem mãos, nem fita nada”. Uma Europa “sem esfinge que deslumbre”."
Escreve Heitor Ferraz Mello

lançamento



quarta-feira, 22 de abril de 2015

Sermões- Nuno Ramos

Sermões

Nuno Ramos

13x20cm 
216 páginas 
 
Uma Critica
 
Que Falar sobre Sermões?
Falar que -  Era hora de falar de sexo. Eu precisava tratar isso, saber como o sexo passa para o texto — diz Nuno, lembrando a imagem que deu origem à trama, uma irônica relação entre sexo e religião.Falar que - Nuno escreveu “Sermões” entre 2009 e 2015, e nesse meio tempo, em 2011, sua mãe morreu.
Falar que estou me repetindo e assim me repito - Uma poesia áspera, como a areia da praia, incomoda, que se transfere da mão à boca, que suja a barra da calça e na barra reesfregou o tronco, um enorme estrepe em nosso olho. Olho que vê/lê a poesia dura, feia, mal cheirosa que sai ganindo atrás de nosso carro. A poesia de Nuno é tudo o que se confunde e o que se contrasta, um livro que me deu um soco na boca do estomago com as rimas rilhando como areia em meus dentes, ensanguentados. A poesia de Nuno , POESIA o é! 
(E.C.)


 
 UMA APRESENTAÇÃO
 

Quando, em 2011, o Nuno me pediu que lesse esta obra, queria uma resposta para a questão que se colocam os escritores inteligentes: se o que fizeram merece nascimento. A par, revelou-me que a coisa ficara maluca.
Corajosos, sábios os que questionam a maluqueira sem resposta da existência humana!, sejam eles Platão, o filósofo que baniu os poetas da República, ou o protagonista deste Sermões, professor de filosofia reformado, autobanido tornado poeta. Obsceno significa, etimologicamente, fora de cena. Esse, o lugar dos exilados.
Respondo que, além de nascimento, este livro merece júbilo, celebração. Não são hoje os leitores dos poetas, como os poetas, exilados?
No espaço linguístico e cultural da língua portuguesa europeia e sul-americana, o vocábulo “sermões” remete ao padre Antônio Vieira (Lisboa, 1608 – Salvador/ BA, 1697), cuja vida de pregador ecoa em nossa memória cultural coletiva.
Um sermão é uma obra de circunstância aplicada a uma ocasião (litúrgica, da vida política, religiosa ou institucional). O autor está fisicamente envolvido no sermão enquanto pregador, oferecendo o corpo, a voz, o pensamento à assembleia. Uma componente biográfica marca tanto a leitura pública (forma sui generis de publicação) quanto a redação.
Autobiográfico, o protagonista de Sermões escreve para si sobre si, não para se comemorar mas para se registrar, nisso condensando as questões identitárias que todos os seres humanos se colocam alguma vez. Quem sou? O que faço aqui? Vale a pena? Subjacente, a dúvida quanto ao valor das condutas humanas que parecem esvaziadas dele (o cio cego, por exemplo) e, consequentemente, as questões do suicídio e da loucura. Coisa maluca.
Se a identidade não é suficiente, então não é autêntica; aqui, a demanda por mais identidade é feita no registro das experiências, mostrando que o entendimento depende da forma discursiva. A reflexão prévia ao entendimento surge não no ato, mas no ato em diferido registrado, isto é, na obra. É no registro do físico (a cópula) que o professor de filosofia arranca. Questionar o físico almeja o metafísico (o sentido). A carne, feita verbo, torna-se metafísica e faz-se verso, ou seja: poética.
Laica ou sagrada, a oratória foi sempre cívica. Oratória é, como a poesia, trabalho de linguagem.

 O AUTOR



  Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos cursou filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, de 1978 a 1982. Trabalha como editor das revistas Almanaque 80 e Kataloki, entre 1980 e 1981. Começa a pintar em 1983, quando funda o ateliê Casa 7, com Paulo Monteiro (1961), Rodrigo Andrade (1962), Carlito Carvalhosa (1961) e Fábio Miguez (1962). Realiza os primeiros trabalhos tridimensionais em 1986. No ano seguinte, recebe do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP a 1ª Bolsa Émile Eddé de Artes Plásticas. Em 1992, em Porto Alegre, expõe pela primeira vez a instalação 111, que se refere ao massacre dos presos na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) ocorrido naquele ano. Publica, em 1993, o livro em prosa Cujo e, em 1995, o livro-objeto Balada. Vence, em 2000, o concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país. Em 2002, publica o livro de contos O Pão do Corvo. Para compor suas obras, o artista emprega diferentes suportes e materiais, e trabalha com gravura, pintura, fotografia, instalação, poesia e vídeo.


Escreveu os livros Cujo (1993) e O pão do corvo (2001), pela Editora 34; Minha fantasma (2000), edição do autor; Ensaio Geral (2007) e O mau vidraceiro (2010), pela Editora Globo; Ó (2009, prêmio Portugal Telecom Melhor Livro do Ano) e Junco (2011, prêmio Portugal Telecom Melhor Livro de Poesia), pela Iluminuras.

LANÇAMENTO






terça-feira, 11 de novembro de 2014

o perdão imperdoável de Maria Carpi



o perdão imperdoável

de    Maria Carpi


Páginas:     144

Formato:     14 x 21 cm


  


UMA VISÃO DELICADA E CORAJOSA SOBRE O PERDÃO

O perdão é, por definição, o processo espiritual de cessar o sentimento de raiva por alguém. Uma remissão de culpa. Em seu novo livro, a poetisa Maria Carpi inverte esta visão, afirmando que esta dor só será minimizada no momento em que cada um aprender a se perdoar.

Por meio de poemas sensíveis, mas ao mesmo tempo, afiados, Maria argumenta que, provavelmente, o perdão é o sentimento mais complexo do ser humano. O perdão imperdoável ilustra os diversos tipos de perdão que cada um enfrentará na vida, desde o nascimento até a morte, propondo uma reflexão a respeito do amor e questionando: estarão as pessoas prontas para amar e serem amadas?


um lançamento





terça-feira, 5 de agosto de 2014

ERA UMA VEZ OS PALESTINOS Gilberto Nogueira de Oliveira

ERA UMA VEZ OS PALESTINOS
Gilberto Nogueira de Oliveira

Da faixa negra de tanta fumaça
Da faixa vermelha de tanto sangue
Um choro surdo que nem Deus dá ouvidos
Grita aos inúmeros cantos do mundo
Salvem os palestinos.
Choro ao ver tantos pedaços de carne
De crianças que ainda não viveram.
É um covil de degradações humanas.

Eu vi, eu senti.

Um vasto campo de crianças famintas
Um campo de desgraças tantas
De sionistas sanguinários
Especialistas em infanticídio. 
O câncer do mundo moderno
Cometendo velhos crimes;
Mulheres e crianças palestinas 
Reduzidas a pedaços, apenas.

Eu vi, eu senti.

Eu vi um monstro sionista
Armado pelos Estados Unidos
A sorri com frieza 
Ao olhar crianças e mulheres
Com cabeças arrebentadas 
Seus cérebros expostos.
Espalhados pelos escombros.
Foi apenas o que restou.

Eu vi, eu senti.

A ordem é exterminar os palestinos
Para ocupar seu território
E aumentar o braço armado
Num país já desgraçado
Com crianças explodidas,
Crianças com cabeças ocas,
Seus cérebros espalhados pelo chão
E disputados pelos abutres.

Eu vi, eu senti

Que pensam de mim?
Que estou destilando meu ódio
À podridão dos sionistas
Com sua bandeira de Davi
Enrolada em seu corpo protegido
E ensanguentado pelos restos de seus crimes.
Tétrica visão, apenas,
Do seu capitalismo selvagem.

Eu vi, eu senti
Crianças mortas em série 
Como se fossem códigos de barras
Seus pais com os corações dilacerados
E feridos por balas assassinas.
Num mundo infernal e bíblico
Eu assisti ao verdadeiro holocausto
Diante da estrela de Davi.

sábado, 26 de julho de 2014

SERES HUMANOS Raul Longo

SERES HUMANOS
Raul Longo

Quando eles nos massacraram 
Incas, Maias e Astecas;
fomos Incas, Maias e Astecas
por sermos humanos.

Quando eles nos massacraram 
Tupis e Guaranis
fomos Tupis e Guaranis
por sermos humanos.

Quando eles nos massacraram
Negros Africanos
fomos Negros Africanos
por sermos humanos

Quando eles nos massacraram
Navajos e Comanches
fomos Navajos e Comanches
por sermos humanos

Quando eles nos massacraram 
Judeus e Ciganos
fomos Judeus e Ciganos
por sermos humanos

Quando eles nos massacraram
Asiáticos
fomos Asiáticos 
por sermos humanos

Agora que nos massacram 
Palestinos
somos todos Palestinos 
porque eles continuam não sendo 
seres humanos.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tradução de Nicolas Guillén, feita por Urda Alice Klueger

BARES

Autor: Nicolas Guillén – (poeta cubano) escrito em 1958

Tradução: Urda Alice Klueger – (brasileira) traduzido em 2006


Amo os bares e botequins

Junto ao mar
Onde a gente conversa e bebe
Só por beber e conversar.

Donde João Ninguém chega e pede
Seu trago básico
E estão João Bronco e João Navalha
E João Narizes e até João
Simplório, e só, e simplesmente
João.

Ali a branca onda
Bate de amizade; uma amizade de povo, sem retórica,
Uma onda de: “ Oi, como estás?”
Ali cheira a peixe
A mangue, a rum, a sal
E a camisa suada posta a secar ao sol. 

Busca-me, irmão, e me acharás
(em Havana, no Porto,
Em Jacmel, em Shangai)
com a gente simples
que só por beber e conversar
povoa os bares e botequins
junto ao mar.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

As quatro estações de João Proteti/Marília Cotomacci

As quatro estações

       

de  João Proteti/Marília Cotomacci


Edição:     01
Área:     Literatura infantil
Coleção:     Catálogo geral

Lançamento:     17/09/2013
Ano 1ª Edição:     2013
Acabamento:     Colado e costurado
Encadernação:     Brochura
Nº Páginas:     64
Orelha:     Sim
Público Alvo:     Pais, educadores e crianças.

           

O LIVRO

A primavera chega com seus versos cheios de cor. O verão, depois, pede poemas fresquinhos, de preferência acompanhados de um delicioso sorvete!
Já o outono vem tímido, sem saber se veste botas ou chinelos. E o inverno?

Descubra aqui o que As quatro estações levaram o João e a Marília a inventar!

LANÇAMENTO






sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Ciranda de Sombras de Silvério Duque


Ciranda de Sombras

de Silvério Duque

Formato: 14 x 21 cm
Número de Páginas: 128
Acabamento: Brochura

Lançamento: 2013

Ler Ciranda de Sombras é algo como ler um memorial, é acompanhar a história íntima de um homem por meio da sua relação com seus poemas preferidos e que lhe apontaram o caminho a seguir e lhe amadureceram a pena. É, sem dúvida, uma obra de formação, uma obra que narra a passagem do tempo. Assim, não parece ser mera coincidência este livro começar com uma alegre narrativa da subida de algumas crianças a uma serra (“...subíamos a Serra/como quem imitava a própria vida”) e terminar com quatro elegias que desembocam no poema final, no qual se lê: “Tudo é memória”.

O AUTOR
Silvério Duque
Nasceu em Feira de Santana, Bahia, aos 31 de março de 1978. Exerce profissionalmente a carreira de músico desde os 12 anos, participando, como clarinetista, das Bandas Filarmônicas 14 de Agosto e Maria Quitéria, na cidade de Tanquinho.
Coordenou a escola de música da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense.
É professor universitário, formado pelo Curso de Licenciatura em Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Feira de Santana. Seu primeiro livro publicado foi o opúsculo O Crânio dos Peixes (2002), seguido de Baladas e Outros Aportes de Viagem (2006) e A Pele de Esaú (2010). Seu trabalho também é encontrado nas antologias II Prêmio Literário Canon de Poesia – 2009 e Concurso Feirense de Poesia Godofredo Filho e na revista Dicta & Contradicta 8.




A CRITICA
Absorvidos por essa viagem por espaços e por impressões, somos compelidos a reconhecer a erudição e elegância de Silvério Duque e a admitir o desafio que seus poemas fazem a seus leitores. E esta é característica elementar pertencente a produções artísticas que pretendem ser notáveis: o Desafio. As obras literárias não devem existir para agradar aqueles que as leem, senão para instigar-lhes a sensibilidade e a inteligência.

Nívia Maria Vasconcellos, Folha do Estado,
16 de maio de 2004
.

Já disse e torno a repetir: Silvério é, para mim, entre os novos, o melhor poeta brasileiro que conheço.
Gustavo Felicíssimo, Sopa de Poesia,
10 de outubro de 2008.


Decididamente poeta, e poeta sério, do soneto, do verso medido...
Ildásio Tavares, Tribuna da Bahia,
05 de outubro de 2009. 

lançamento

Editora É Realizações





 

 

 

 


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A educação dos cinco sentidos de Haroldo de Campos


A educação dos cinco sentidos

de Haroldo de Campos

160 paginas
cd de audio

Trinta anos depois de seu lançamento original, a Iluminuras traz de volta A educação dos cinco sentidos, obra poética central na produção de Haroldo de Campos.

Quando se completam dez anos da morte do autor, esta nova edição, preparada por Ivan de Campos, tem acréscimos importantes para uma melhor fruição do livro: textos de Kenneth David Jackson, Andrés Sánches Robaina ajudam a compreender melhor a recepção da obra, tanto no Brasil como no exterior. Encerrando o volume, o relato divertido e saudoso de João Ubaldo Ribeiro sobre um encontro com Haroldo.

Como bônus, acompanha o volume uma gravação inédita com leituras de poemas por Christopher Middleton e Haroldo de Campos.

O AUTOR

Haroldo de Campos (1929 - 2003)

Haroldo Eurico Browne de Campos (São Paulo SP 1929 - São Paulo SP 2003). Poeta, tradutor, ensaísta, irmão mais velho do também poeta, tradutor  e ensaísta Augusto de Campos (1931). Lança seu primeiro livro de poesias, O Auto do Possesso, em 1950, pelo Clube de Poesia de São Paulo, ligado à chamada Geração de 45, com a qual rompe no ano seguinte. Com o irmão Augusto e o poeta e ensaísta Décio Pignatari (1927), forma o grupo Noigandres e edita a revista-livro homônima, em 1952. Em 1956, participa da organização da Exposição Nacional de Arte Concreta no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP que, um ano depois, é montada no saguão do Ministério da Educação e Cultura - MEC, no Rio de Janeiro. Em 1958, publica, em Noigandres 4, o Plano-Piloto para Poesia Concreta, novamente com seu irmão Augusto e Pignatari. Juntos, em 1965, lançam também o livro Teoria da Poesia Concreta. Defende a tese de doutorado Morfologia do Macunaíma, em 1972, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP. No ano seguinte, assume a cadeira de semiótica da literatura no programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP, onde permanece até 1989. Publica Galáxias, um de seus textos mais conhecidos, em 1984. Como tradutor de poesia, dedica-se a diversas obras, com especial destaque para os autores de vanguarda, como o poeta norte-americano Ezra Pound (1885 - 1972) e o romancista irlandês James Joyce (1882 - 1941). Sua obra valoriza a utilização de recursos tecnológicos  e a interação da poesia com a música.


Haroldo de Campos, no programa Roda Viva, em outubro de 1996.

 


UM LANÇAMENTO










segunda-feira, 1 de julho de 2013

"Vozes" de Ana Luíza Amaral

"Vozes"

de Ana Luíza Amaral

No de Paginas:120
   
Yara Frateschi Vieira escreve sobre "Vozes" de Ana Luíza Amaral -

"Dois poemas circunscrevem o território poético em que transitam os textos deste último volume de Ana Luísa Amaral: o que lhe serve de abertura intitula-se “Silêncios” e o que o fecha, “Vozes”. Assim, no plural, silêncios e vozes remetem-nos, em primeira instância, a experiências concretas na relação miúda e cotidiana com os seres e objetos, lugares e momentos, emoções e afetos, que, não obstante, nos atingem de forma pontual e única / o fio mais afiado que punhal.

Mas, por outro lado, defrontamo-nos também com o silêncio e a voz, demarcadores de uma linguagem que se reconhece, antes de mais nada, como o lugar da falha, da falta, da incoincidência, e nele aceita instalar-se, exibindo-o, ao mesmo tempo que procura frestas por onde escapar. A inscrição minuciosa da busca desses caminhos, com os seus desvios, correções de percurso e becos sem saída, é não só um tema preferido, mas um procedimento constitutivo da poesia de Ana Luísa Amaral.

Para ele contribuem a violência operada sobre a sintaxe, por meio de elisões e suspensões, ou as alterações bruscas na dicção; para o mesmo fim, trabalham as revisitações de certos poemas, corrigindo-os, ampliando-os ou explicitando sentidos que antes tinham estado subentendidos ­— talvez.

Preferindo, contudo, deixar visível o que neles rasura, e insistindo igualmente no registro da sua própria hesitação ou luta, a poeta rejeita a forma mais discreta que a escrita (ao contrário da fala, que não pode apagar o impróprio) lhe permitiria. Assume, dessa maneira, para usar uma palavra que lhe é cara, a imperfeição como dado ineludível do existir e do dizer.

Além de retrabalhar os seus próprios poemas, revisita também textos de outros autores, às vezes com um grau alto de fidelidade, como na tradução de Rilke; outras, rasurando parcial ou mesmo quase completamente o texto original: reinventa, assim, a trágica história do mítico par amoroso, Pedro e Inês, ao pôr em cena, em tom burlesco, um casal contemporâneo de velhos com as suas mazelas físicas, perdido totalmente o fulgor que ele bem sabe ser doença / de imaginação. Reelabora ainda, na secção “Outras Vozes”, certos temas míticos da história portuguesa, a partir de perspectivas que lhe dita a consciência da modernidade, atenta às explorações de toda ordem: a das novas terras colonizadas ou a das mulheres enquanto protagonistas anônimas, silenciosas e muitas vezes vítimas da história.

A paisagem vulcânica dos Açores surge-lhe como um texto onde se pode ler o princípio / de tudo / como um quadro / negro. Mas, a visita à torre de Galileu (“Galileu, a sua torre e outras rotações”) induz o verso a buscar o avesso da criação (não por acaso avesso é também uma palavra eleita pela poeta, quem sabe pela afinidade etimológica com verso), projetando-a para daqui a cinco bilhões de anos, quando a Terra murchará como maçã / num sótão às escuras; o que sobrar de nós talvez, num acaso feliz, se reorganize para compor o andamento próximo:/ o quinto / movimento — sobre o qual, contudo, o poema silencia."



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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Na Lata Poesia Reunida 1978 - 2013 de Frederico Barbosa







Na Lata

Poesia Reunida
1978 - 2013

de Frederico Barbosa

No de Paginas:
368



O livro Na Lata reúne os poemas escritos entre 1978 e 2013 por Frederico Barbosa, um dos poetas brasileiros mais atuantes das últimas décadas. Traduzindo a tendência à fragmentação e à dispersão da cultura contemporânea, esta obra foi publicada originalmente em veículos diversos: livros, jornais, revistas, sites, blogs, e redes sociais. Assim, o livro Na Lata – Poesia Reunida torna possível ao público leitor encontrar pela primeira vez em um só volume toda a produção do poeta, espalhada, ao longo destes trinta e cinco anos, em tantos meios e locais diferentes.

Considerado por Haroldo de Campos um “poeta dos mais expressivos de sua geração, pelo sentido construtivo e gume crítico de seus poemas” e colocado por Antonio Candido “entre os verdadeiros poetas da sua geração”, Frederico Barbosa não organizou sua poesia completa da maneira tradicional, dividindo-a de acordo com os livros em que primeiro apareceram, respeitando a sua cronologia. O poeta levou em consideração que muitos dos seus poemas jamais apareceram em quaisquer dos seus oito livros, o que tornaria difícil encaixá-los em organização que tomasse como base os livros anteriores. Assim, misturou-os todos e os dividiu em blocos temáticos, procurando jogar uma nova luz sobre cada poema individual.

Informa-nos o poeta na sua apresentação do livro: “Anula-se, assim, qualquer perspectiva de progressão temporal e é ressaltado o diálogo entre os diversos poemas, mesmo se escritos com um lapso de mais de trinta anos. Acrescente-se que muitos dos poemas passaram por retoques ou revisões completas e, assim, justifica-se plenamente a frase com que abro esta apresentação: este é um livro inédito. Os poemas podem ser antigos, mas o livro é novo e sua organização será novidade até mesmo para os raros leitores que já conhecem todos os livros anteriores.”A ambiguidade do título, Na Lata, traduz tanto o método de organização do livro: misturando tudo “na lata” e depois separando os poemas de forma diferente, quanto o conceito que Frederico Barbosa tem divulgado nos últimos anos, de que poesia é a palavra-impacto, é uma composição construtora de efeitos. É a linguagem organizada da forma mais meticulosa possível para fazer sentir, pensar, ser. Ou seja: dizer “na lata”, “sem papas na língua”, e tentar acertar os alvos, as metas, mesmo que inatingíveis.“Nas palavras deste poeta cabem muitas coisas belas e intensas.

Vale a pena percorrer seus círculos.” Assim encerra sua apresentação de Na Lata a grande crítica Leyla Perrone-Moisés. Já o professor de Yale, Kenneth David Jackson, considera que “Na Lata revigora a poesia paulistana com desvario, sátira, concisão e invenção -- com sentidos em rotação.” Segundo a professora Susanna Busato, “Em nove partes o livro se desdobra. Cada uma delas se quer unida por um tema. Mas inútil esse esforço por dividir as rotas de nossa leitura, pois elas se entrelaçam. Nossos “aquis” estão em muitos “alis”, em seu livro. A sequência dos poemas vai construindo uma coerência interna ao livro. Uma arquitetura gráfica que se inscreve em cenas e dilemas. Poesia sem solução. Ironia que adensa a escritura como possibilidade de abismar-se a cada página.” Círculos, rotação, abismo. Qualquer que seja a metáfora, a marca é a de uma poesia viva, que faz sentir e ser: Na Lata.


O AUTOR
FREDERICO BARBOSA

Professor de literatura, organizador de oficinas de criação poética e crítica literária, performer de poesia e gestor cultural, publicou oito livros de poesia como Nada Feito Nada (1993, Prêmio Jabuti), Brasibraseiro, em parceria com Antonio Risério (2004, Prêmio Jabuti), e SigniCidade (2009), além de diversas antologias e obras didáticas. Por esta casa, lançou Rarefato, em 1990 e Contracorrente, em 2000. Foi curador da primeira biblioteca temática de poesia do país, a Alceu Amoroso Lima, em São Paulo. É Diretor da Casa das Rosas desde a sua reinauguração como Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura em 2004. Fundou e, entre 2008 e 2010, foi diretor executivo da Poiesis – Organização Social de Cultura, que, durante a sua gestão, administrou a própria Casa das Rosas e o Museu da Língua Portuguesa, reformou e reestruturou a Casa Guilherme de Almeida, instalou a Biblioteca de São Paulo no Carandiru e iniciou a recuperação das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo. É colunista da Rádio Estadão com o quadro Poesia Viva e, a partir de 2012, membro do Conselho Curador do Prêmio Jabuti, da CBL.

Poeta Frederico Barbosa lança o livro

Clique aqui pra ver o video 

O poeta e professor de literatura Frederico Barbosa lança, na casa das Rosas em São Paulo, o livro "Na Lata" pela editora Iluminuras. O livro apresenta todas as produções do poeta, escritas entre 1978 e 2013.

Considerado por Haroldo de Campos "um poeta dos mais expressivos de sua geração", Frederico publicou oito livros e ganhou dois Jabutis. Ele dirige a casa das Rosas desde 2004, além de reformar a casa Guilherme de Almeida e instalar a Biblioteca de São Paulo no Carandiru.

Frederico conversou sobre tudo isso e muito mais com o BandNews TV.

UM LANÇAMENTO




segunda-feira, 3 de junho de 2013

INVICTA- Associação Cultural - Quartas Malditas




Dia 5 Junho | quarta-feira


 21h30


Quartas Mal’Ditas


1ª Avenida


Av. dos Aliados 211


Porto


quinta-feira, 21 de março de 2013

Livro da madrugada de Lelita Oliveira Benoit

 


Livro da madrugada

de Lelita Oliveira Benoit


No de Paginas:
80

Sobre o ivro de Lelita, Maria Lúcia Dal Farra escreve - "Este livro irradia (na esteira de Novalis) a certeza de que poesia e filosofia não se estranham. Que o real é absolutamente verdadeiro porque é poesia e, para o caso, é lirismo de paixão, que transborda por todos os poros, à flor da escrita. Aqui, o amor é o fim último da história do universo que uma pessoa é, a bênção estelar que se exerce no corpo; este, o templo mais sagrado e sublime, a morada, o solar onde a amada aguarda o amado para tocar os céus.

Sua autora, doutora em filosofia, pesquisadora de mão-cheia, opera nesta obra a desoras, como poetisa entre a vigília e o sono, na esfera do puro devaneio, banhada pela luz do provisório e do incerto (peleja entre trevas e luz), na garantia de uma realidade tão absoluta que se torna surreal. A palavra, indecisa entre os seus múltiplos enlaces, revela, nessa ação, a delicada contingência, abrindo-se para os grandes enigmas do lusco-fusco, do intermédio, nesse regime de exceção que o princípio de prazer faz vigorar.

Coisa de mulher, acima de tudo, estes poemas evocam uma tresnoitada Mariana Alcoforado, assim como também a Amiga do cancioneiro medieval galaico-português, cuja alba ou alva é a aurora em que este Livro da Madrugada acorda: a despedida do inesperado visitante, a sua partida para o retorno aguardado, o afastamento para o pronto regresso... pelo corredor incomensurável do tempo! Aquilo que o sonho gesta e os impulsos incontroláveis das sensações ditam como escrita ou canto solitário (e incluam-se aí medos, passagens secretas, mistérios, compartilhamentos) é a matéria de que esta obra se nutre. Estrelas no alto, conturbado o coração.

E é no centro desta poética que nasce uma árvore. Seus galhos são pontes, ligações perigosas, pontas do amor que trançam uma rede (um poema a outro se remete) irrigando os vasos comunicantes: galhos frondosos que se enroscam na pele (nesta se enredando), num corpo que é enervações de planta (canais abertos), espraiando por tudo a sua floração, os seus perfumes, as suas raízes, a sua música – a sua semente. A Primavera é então esse novo e antigo lugar para o amor, brotado das entranhas luminosas da reinventada terra prometida, fruto do “saber que cuida” - idílica lavra de palavras. E, então, como não se lembrar das floradas florbelianas, que se esparramam por todos os cantos daquela Charneca em Flor?

Desse modo se visita o imo do corpo (“a fonte das múltiplas águas”), onde é pura a carne e leve o espírito, onde se acha a “dor fincada qual ágata” e onde o coração é apenas “dançarino”. Uma “inteligência silenciosa e branca” a tudo preside e perpassa com uma leveza que invoca os valores do etéreo e do noturno fugaz, sempre em trânsito: nuvens, voos, águias, folhas, ventos, céus, música, bálsamos, brilhos, brisa, luz, perfume: palavras.

Palavras de intensa experiência amorosa, ainda úmidas do prazer e da alegria do amor, jorradas do ritmo da respiração do repouso ou dos “enlaçamentos sensuais”, à tenuidade da lua ou da extrema escuridão – assim o Livro da Madrugada de Lelita Oliveira Benoit. Poemas em prosa que anunciam a “mágica do reconhecimento”, o prodígio do “encontrar o que é em mim mesma igual”. Espelho (ainda que à meia luz) que só a absoluta paixão poética consente. "


Um Lançamento


terça-feira, 19 de março de 2013

CASA DE MÁSCARAS de Péricles Prade



CASA DE MÁSCARAS

de Péricles Prade


No de Paginas:146


Arquiteto do maravilhoso, mestre da lógica do delírio, Péricles Prade nos apresenta agora este Casa de Máscaras, seu novo livro de poemas. A trajetória poética de Péricles teve início em 1963, com Este interior de serpentes alegres. Em 1970 surge o primeiro livro de ficção em prosa, intitulado Os milagres do cão Jerônimo, que parece ser, na obra do autor, o único em que os contos ainda têm uma estrutura que lembra sua forma tradicional. Pois a partir de Alçapão para gigantes (1980), Péricles Prade ingressa definitivamente no círculo mágico de suas criações, quando transcende os gêneros literários e tudo passa a ser, mais que poemas e contos, um universo de múltiplas dimensões dirigido por um feiticeiro com diabólica sensibilidade para a poesia como linguagem do oculto e do sagrado.

Já foi dito que a obra de Péricles Prade é um caso isolado na literatura brasileira. É verdade. Mas ela, a obra, é também contagiante. Seus livros convidam ao delírio, e para falar sobre eles é preciso dar um salto para muito além do racional e dizer coisas que soam loucas. Dá vontade de gritar: “Omphalos! Umbigo do mundo! Esfera cujo centro está em toda a parte e a circunferência em nenhuma!”. E há também uma tendência, quando se procura estender os braços para apalpar referências ao redor, de dizer que se trata de uma literatura de nonsense e logo, logo Lewis Carroll nos vem à mente. Tudo bem, até acho que Péricles tem alguma coisa de Carroll, como tem alguma coisa de quase tudo, mas numa outra direção, sempre numa outra direção.

Os dois volumes de Alice são divertimentos lógicos, brincadeiras geniais de um matemático para agradar as suas queridas meninas. Alice pode dialogar com os personagens de seu mundo, pode tentar compreendê-los. Mas o universo de Péricles Prade é, a bem dizer, impenetrável, porque tem múltiplos referenciais, infinitas raízes que estão no solo do Mito e da Magia e que podem ser Alquimia, Cabala, pinturas de Bosch, poemas de Saint-John Perse, singularidades do Caos, gárgulas, leoas feridas, T.S. Eliot, arabescos de um tapete persa, arquétipos e figuras hieráticas, As mil e uma noites, seres imaginários de Borges, jaulas amorosas, Rilke, humor cáustico e cruel, tarântulas, serpentes, corvos, Kafka, unicórnios e, por certo, máscaras. Enfim, uma intertextualidade inesgotável que se expande de livro para livro. E a gente pode igualmente, sem muito esforço, perceber a habilidade com que o autor se apropria das epígrafes, transformando-as em meros complementos de seu discurso.

Perdoe o esforçado leitor por eu não saber dizer com exatidão, como é da praxe das orelhas de livros, do que trata este Casa de Máscaras. Sei apenas que é poesia de sutil transcendência. Em compensação, posso aconselhá-lo a ter cautela e guardar este exemplar em lugar especial de sua biblioteca, pois as criações literárias de Péricles Prade parecem ter caído da árvore onde Deus se esconde, escreveu Silveira de Souza .

Um Lançamento



sábado, 2 de fevereiro de 2013

VISITE VANDALISMO POETICO




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gracias.

marianne.












EduardoCruz

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Centenas de gravuras de William Blake encontradas em biblioteca inglesa


Uma equipe de investigadores coordenada pelo historiador de arte Colin Todd descobriu, na biblioteca John Rylands da Universidade de Manchester, um vasto conjunto de 350 placas gravadas pelo poeta e pintor William Blake (1757-1827).
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sábado, 15 de dezembro de 2012

JUNCO de Nuno Ramos

JUNCO

de Nuno Ramos

No de Paginas:
120

Uma poesia áspera, como a areia da praia, incomoda, que se transfere da mão à boca, que suja a barra da calça e na barra reesfregou o tronco, um enorme estrepe em nosso olho. Olho que vê/lê a poesia dura, feia, mal cheirosa que sai ganindo atrás de nosso carro. A poesia de Nuno é tudo o que se confunde e o que se contrasta, um livro que me deu um soco na boca do estomago com as rimas rilhando como areia em meus dentes, ensanguentados. A poesia de Nuno , POESIA o é!

Flora Süssekind na apresentação da obra de Nuno Ramos nos diz que ..."Antes mesmo de sua publicação em livro, Junco ganhou de alguns de seus leitores um epíteto — “a máquina do mundo cão” — que parece difícil de descolar desse conjunto de poemas em que Nuno Ramos vem trabalhando nos últimos catorze anos. Não é preciso adivinhar a referência à busca do sentido do mundo, à “total explicação da vida” que espantosamente se abre aos olhos de um caminhante solitário, ainda que para se recolher, logo em seguida, e sem desfazer o enigma, como no poema de Drummond. A máquina do mundo se expõe diretamente aí em nota e em recortes brevíssimos, encravados nos textos. E se oferece, ainda, como cena primordial — no meio do caminho da vida — que organiza a paisagem marítima infernal — praia, praia, praia, praia - na qual se opera um misto de junção e tensão figural, que estrutura, em via dupla, mas em mútua interferência, a série poética de Nuno Ramos, entre os restos de um cachorro morto largado no asfalto e os de um cadáver de árvore, junco jogado na areia. E também entre texto e fotografia — pois, ao lado da sucessão de refigurações de cão e junco, reitera-se literalmente, ao longo do livro, a exposição de imagens do tronco na beira do mar e do cachorro morto no chão.

A trama dupla, no entanto, se sugere o analógico, é para travá-lo em seguida. Mesmo que as fotos os apresentem em disposição quase idêntica, parecendo reforçar comparações, é impossível não ver a matéria diversa de que são feitos animal e caule.

Pois cão é cão e junco é planta. E mesmo que o caule se exponha como cão-lagarto, lambendo algas, e ao cão, no asfalto, se possa ver como junco, lenha, banha, planta, persiste a dissimetria. E é pela insistência nesse paralelismo, mas a distância, das imagens que Nuno Ramos se avizinha, em movimento largamente expansivo, do belíssimo jogo entre bala, relógio e lâmina, rea­lizado por João Cabral de Melo Neto em Uma faca só lâmina.

Acrescentando-se, assim, a um modo cindido de figuração (reduplicado, ainda, entre lágrima e onda) outra tensa articulação — entre o poema narrativo e a composição serial, e entre o formato circunflexo, expressivo, do rosto e o livro silencioso de areia com que se encerra o último poema. "

O AUTOR
Nuno Ramos
Nascido em São Paulo (SP), em 1960, Ramos é autor de O mau vidraceiro (2010), Ó (2008, Prêmio Portugal Telecom), Ensaio geral (2007), O pão do corvo(2001), Cujo (1993) e do recém-lançado livro de poemas Junco. Sua produção literária abrange e mescla diversos gêneros, como ensaio, poesia, conto, crônica e romance. Em paralelo às letras, Nuno Ramos é um premiado artista plástico, tendo participado das bienais de arte de São Paulo e de Veneza e realizado inúmeras exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 2006, recebeu, pelo conjunto da obra plástica, o Grant Award da Barnett and Annalee Newman Foundation






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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O amor e depois de Mariana Ianelli


O amor e depois  

de Mariana Ianelli


No de Paginas:
112


O amor e depois 
(Mariana Ianelli - 1979) 


Era esperado que aos poucos
Definhasse, fosse desaparecendo
Naturalmente levado pelo sono.
Era suposto que por abandono
Morresse -

E não teria o vento nenhum sentido
De ventura, seria apenas
A passagem de uma hora branca,
Entre outras tantas,
Para um coração manso
Que já nada espera nem recorda -

Como se o tempo não devorasse
Também o desconsolo
E dele fizesse exsudar um leve perfume,
Como se não arrastasse
Cada corpo uma penumbra,
Como se fosse possível
Em vida a paz dos mortos.







Adriana Lisboa, na apresentação livro



Conheci a poesia de Mariana Ianelli através de seu livro Fazer silêncio, cujo título já de saída me conquistou: essa exortação,
num mundo extrovertido, um mundo compulsivamente loquaz e
de ruído em excesso, parece mais do que atrevida: é revolucionária, talvez. Será possível, então, uma espécie de escrita silenciosa?
Esta jovem poeta de mão segura confirma que sim. O silêncio
está muitas vezes atrelado a uma frequência íntima de reflexão,
de contemplação, de espera e temperança, qualidades que
encontrei na poesia de Mariana. Uma poesia que não sobra,
que não vaza, nem mesmo quando deslumbra.

Na primeira oportunidade me lancei a seus outros livros já publicados, até ter o privilégio de ler os originais de O amor e depois. Encontrei aqui o mesmo cuidado com as palavras que, como disse Jair Ferreira dos Santos, “é severo mas não exclui, antes reforça,
a espontaneidade.” Uma “dicção ao mesmo tempo culta, comovente e perturbadora,” como quis ainda Antonio Carlos Secchin.

A língua é companheira de Mariana, é um instrumento que ela usa com a habilidade dos mestres. E como todo mestre, ela renova
sua arte. Seus versos, que passam longe do exibicionismo formal
e são antes o peneirar do ouro no rio, trazem imagens como o “halo de majestade / dos tigres à beira da extinção,” no belíssimo “Tigres brancos,” ou confirmam: “O amor, até o amor existe, / “Um lunático mendicante que vadia pela terra / À espera de outra chance.” (“Miragem”).

Mas ela é uma artesã cuja poesia nunca revela a costura.
O domínio incomum que Mariana tem da escrita nos faz acreditar que, afinal, não há esforço no esforço que seguramente empenhou ali. E o tempo todo sua poesia silenciosa mas possante como poucas na cena contemporânea exorta que nossos olhos “estejam vivos e curiosos (...) / E olhem para dentro alguma vez / E o que
vejam / Seja alguma força de sequóia / Presa à terra desde o império de outros tempos” (“Os teus olhos”).

Estaremos à altura da tarefa? Aí está o desafio lançado por Mariana Ianelli. A satisfação que foi para mim a descoberta de sua obra,
há alguns anos, vem agora se aliar à alegria de reencontrá-la neste O amor e depois, sempre surpreendente, e absoluta senhora do
seu ofício.

Não me restam dúvidas de que estes versos vazados pela temática do amor (e do seu fim, e do que vem depois) – mas não apenas isto – exigem que eu seja uma leitora competente, de olhos e ouvidos atentos. Mas só tenho a ganhar com isso. Pois, como lembra o poeta e editor americano Christian Wiman, acercamo-nos da poesia “para poder habitar de modo mais completo nossas vidas e o mundo em que as vivemos – e para que, sendo capazes de habitá-los mais integralmente, sejamos talvez menos aptos a destruí-los.”


A AUTORA


Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007), Treva Alvorada (2010) e O amor
e depois (2012) todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ)
e Rascunho(PR).

Escreveu crônicas para o site Vida Breve. Em 2008 recebeu o prêmio Fundação Bunge (antigo Moinho Santista) - Literatura, na categoria Juventude. Em 2011 obteve menção honrosa da Casa das Américas (Cuba) pelo livro Treva Alvorada. 






CONHEÇA OUTRAS OBRAS DA AUTORA


Titulo:
Treva alvorada
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Mariana Ianelli

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Sinopse:
Mariana Ianelli escreve, basicamente, uma poesia do primordial: a solidão primeira, o jardim sem outono, aquele tempo intransitivo fora do mercado mas perene em todos nós. Nos livros anteriores, como neste admirável Treva Alvorada, os versos parecem nascer em algum ponto da imaginação literária ond...


Titulo:
TRAJETÓRIA DE ANTES
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Sinopse:
“Mariana torna sensual cada verso que toca, mesmo no trágico, na angústia, na agonia. Há nela inocência insana, ironia perplexa diante do abandono (...), da solidão (...), da nostalgia (...).”...


Titulo:
PASSAGENS
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Poesia Brasileira

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“Poeta da condição humana, Mariana Ianelli, nesse Passagens, se faz testemunha lúcida / agônica do atual caos em que mergulhou a brilhante Civilização que herdamos da Tradição. (...)”...


Titulo:
FAZER SILENCIO
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Categoria:
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Sinopse:
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Titulo:
DUAS CHAGAS
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MARIANA IANELLI

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Poesia Brasileira

Sinopse:
“Um livro complexo, que revela um mundo intelectual agitado e revolto e provoca em mim a busca de um significado oculto.”...



Titulo:
ALMÁDENA
Autor:
MARIANA IANELLI
Categoria:
Poesia Brasileira

Sinopse:
“Neste novo livro de uma produção que se consolida e se refina a cada obra, Mariana desdobra-se em doze faces ou segmentos que atravessam a dor, o desconsolo, o desejo e a morte, e seu apurado domínio técnico elabora uma dicção ao mesmo tempo culta, comovente e perturbadora.” ...

 

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