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sexta-feira, 11 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Capital recebe a 10ª Primavera dos Livros 2014
Capital recebe a 10ª Primavera dos Livros 2014
A democratização da leitura é foco da ação organizada
pela LIBRE com apoio da Prefeitura de São Paulo e da biblioteca Mario de
Andrade
A Primavera dos Livros, evento de
grande reconhecimento no cenário da literatura nacional, chega a sua 10ª edição
em 2014 e receberá o público entre os dias 10 a 13 de abril, das 9h às 21h, na
Praça Dom José Gaspar. Todas as atividades são gratuitas.
Um dos destaques da programação é
a ampla participação de poetas da cidade, sobretudo da periferia, que
realizarão saraus no evento. A Cooperifa, grande coletivo de saraus da
capital paulistana, também estará presente na celebração.
A linguagem audiovisual é uma
novidade na Libre deste ano e o público poderá ver, entre outras exibições, o
documentário 50 anos do Golpe: “O dia que durou 21 anos”, pela Pequi
Filmes. A música também acompanhará os visitantes: a Big Band Villa Lobos
é um dos destaques da programação.
Diversas oficinas tomarão os
espaços da praça, assim como lançamentos de livros e stands de 38 editoras, que
exibirão suas publicações durante os quatro dias de evento.
Haverá ainda a presença de Juca Ferreira (Secretário
Municipal de Cultura) e César Gallegari (Secretário Municipal de
Educação), prestigiando esse momento tão importante para a literatura
brasileira no dia 10/4, às 11h.
Seguindo o formato de
edições anteriores, a LIBRE, Liga Brasileira de Editoras, que organiza a
Primavera dos Livros, mantém seu desejo e compromisso com a comunicação de
publicações trabalhadas por editoras alternativas, ou seja, aquelas que não se
inserem nos Best Sellers.
Um dos pontos autos da ação promovida pela LIBRE é a bibliodiversidade, um termo análogo a biodiversidade. Seus idealizadores acreditam que não basta o ambiente ser rico e vasto, sendo amplamente necessário que esses “seres” interajam. É essencial compreender a importância da diversidade e da comunicação no ambiente literário - “E é neste enfoque que a Libre trabalha. Com a bibliodiversidade em pauta, queremos fazer com que esse ‘ecossistema’ de livros seja o mais diverso possível, que interajam e circulem para a democratização entre editoras, autores e leitores. Assim, mantemos vivo este circulo literário”, explica Haroldo Ceravolo, presidente da instituição.
A Primavera dos Livros de 2014
conta com o apoio do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social.
Confira a programação completa no site www.libre.org.br
Serviço
10ª Edição da Primavera dos Livros
Do dia 10 a 13 de abril, das 9h às 21h
Todas as atividades são gratuitas
Programação Geral
10/04.
Quinta-feira
Local: Auditório da Biblioteca Mario de Andrade
9h - Abertura oficial da Primavera dos Livros
10h - Liberte a poesia, com Roberta Ferraz
11h - Assinatura do protocolo do Plano Municipal do
Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) com Juca Ferreira (Secretário
Municipal de Cultura) e César Gallegari (Secretário Municipal de Educação)
17h30 - 50 anos do Golpe / Exibição do documentário
“O dia que durou 21 anos” - Pequi Filmes
20h - Democracia na história – 50 anos do Golpe, com
Quartim de Moraes, Milton Pinheiro e Lincoln Secco
Local: Palco da Bibliodiversidade
14h - Refresco de Rimas, com Circo de Trapo
16h - Momento do Sarau da Periferia, com Suburbano
Convicto, Praçarau, Voz do Povo, Vila Fundão e Slam.
18h - Pocket Show música de histórias, com Circo de
Trapo
11/04.
Sexta-feira
Local: Auditório da Biblioteca Mario de Andrade
Atividade com os professores da
rede municipal de São Paulo
10h às 12h - Bate-papo com os autores: Roniwalter
Jatobá (Biografias), Jeosafá Fernandes (Era uma vez no meu bairro), Marco
Haurélio e João Gomes (Literatura de cordel)
14h às 16h - Bate-papo com os autores: Adriano
Messias (Literatura fantástica), Deborah Goldemberg (A importância da tradição
indígena na educação) e Marcos Bin (As histórias invisíveis no espaço
urbano) / Mediação: Mirian Paglia Costa
18h - Mesa em homenagem a
Sabotage, com Wilson H Silva, Toni C, Max BO e Lurdez da Luz
Local: Palco da Bibliodiversidade
11h e 14h - Teatro a la carte, com Santa Viscera
16h - Refresco de rimas, com o Circo de Trapo
17h - Momento do Sarau da Periferia com Plenos
Pulmões, Perifatividade, Oquedizemosumbigos e Binh
20h - Show : Lurdez da Luz
12/04.
Sábado
Local: Palco da Bibliodiversidade
9h - Contando histórias para bebês, com Conto em
Cantos
10h - Histórias latinas, com Conto em Cantos
11h – Contos indígenas, com o Três Marias e um
João
12h30 – Apresentação Coral da USP
13h50 - Momento do Sarau da Periferia, com a
presença da Cooperifa e depois todos os coletivos juntos
17h – Voz inventada, com poemas de Manoel de
Barros, com Contos em Cantos
18h30 - Papo sobrenatural, com Ivan Finotti, Adriano
Messias, Manoel Filho e Shirley Souza e Georgette Silen
20h - Show com Saco de Gatos
Local: Hemeroteca da Biblioteca Mario de Andrade
14h - O romance e o conto, com Ovídio Poli Junior,
Alexandre Camargo Malachias, Luis Vassallo e Victor Mascarenhas
15h - Quadrinhos em ação, com Guilherme Kroll,
Walter Tierno, Eloar Guazelli e Celso Oliveira
16h - Literatura infanto-juvenil / ‘modos de fazer’,
com Ovídio Poli Junior, Martinha Fagundes, Magda Starke Lee
13/04.
Domingo
Local: Palco da Bibliodiversidade
9h30 - Manhã de histórias: Rapunzel, contos
brasileiros e contos indígenas, com Três Marias e um João
14h - Momento do Sarau da Periferia, com Burro,
Mesquiteiros, Quilombaque, Brasa e Elo da Corrente
17h - Lançamento – Literarua / Nelson Triunfo do
Sertão Ao Hip-Hop
18h - Ditadura no
Brasil: repressão a organizações e trabalhadores, com Joana Monteleone ,
Marcelo Godoy, Álvaro Bianchi e Paula Sacchetta (CONFIRMAR)
20h -"Música de Protesto na Ditadura
Militar", com Big Band Villa Lobos
Agenda de lançamentos
10/4. Quinta-Feira
Local: Paribar
19h -
Editora: Sundermann
Vale
dos Atalhos, de Sonia Regina Bischain, Anarquismo e Comunismo,
de Evegueni Preobrazhenski e Marx a História de sua vida, de Franz
Mehring
11/4.
Sexta-Feira
Local:
Terraço da Biblioteca da Mario de Andrade
14h
- Editora: Dedo de Prosa
Vampirola
e Vampireca, vamps levadas da breca, de Regina Sormani e com
participação da ilustradora Cris Eich
15h
– Editora: Solisluna
Eclipse
da Lua Azul, de Débora Knittel e Erica Falcão
17h30
– Editora: Língua Falante
Angu
de Sangue, de Marcelino Freire
12/4.
Sábado
Local:
Terraço da Biblioteca Mario de Andrade
13h
– Editora: Musa
O show dos bichos: poesia
antenada para crianças idem, de Fábio Aristimunho Vargas
14h
– Editora: Uni Duni
Uma
palavra em cada pé, de Adriana Araldo
16h
– Editora: Vieira & Lent
Quem
acendeu o ceú?, de Nelson Marcolin
17h
– Editora: Dedo de Prosa
“Pois
ia brincando...", de Gil Veloso
12/4.
Sábado
Local:
Paribar
14h
- Editora: Vermelho Marinho
O
maravilhoso mágico de Oz e a maravilhosa terra de Oz, autógrafos com a tradutora
Carol Chiovatto
16h
- Editora: Giz Editorial
As
princesas Negras e outros contos dos Irmãos Grimm, de Goergette Silen,
O estranho apartamento do Professore Clodoberto, de Rosana Rios
17h00
– Editora: Off Flip
À beira do lar, de Luis Vassallo, A
rebelião dos peixes, de Ovídio Poli Junior, O caso do cavalo
probo, de Ovídio Poli Junior e Texturas, de Alexandre
Camargo Malachias
19h30
– Editora: Giz Editorial
Aluado
e outros contos de alumbramento, de Adriano de Messias
20h30
– Editora: Solisluna
Xing
Ling, de Victor Mascarenhas
Marcadores:
as-baobá,
PRIMAVERA DOS LIVROS
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Primavera dos livros de São Paulo começa no dia 22
Será na Biblioteca São Paulo (antigo Carandiru), de 22 a 25/11, a edição paulista da Primavera dos Livros. A Editora Fundação Perseu Abramo participa deste evento, juntamente com mais de 40 pequenas e médias editoras integrantes da LIBRE - Liga Brasileira de Editoras. Os visitantes poderão conhecer os títulos dos catálogos das editoras e ainda comprá-los com descontos especiais. Também estão programadas diversas atrações culturais. Local: Biblioteca São Paulo, Avenida Cruzeiro do Sul, 2630, Santana, São Paulo. Datas e horários: 22 e 23/11 das 10h às 20h; 24 e 25/11, das 10h às 19h.
Marcadores:
editora fundação perseu abramo,
PRIMAVERA DOS LIVROS
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
A Terceiro Nome estará na Primavera dos livros
A Terceiro Nome estará na
Primavera dos livros
Dias 27 a 29 de novembro, das 10h às 22h
Museu da República - Rua do Catete 153 - RJ
Marcadores:
PRIMAVERA DOS LIVROS,
Rio de Janeiro
sábado, 22 de agosto de 2009
PRIMAVERA DOS LIVROS
PRIMAVERA DOS LIVROS
TAMBÉM É MOMENTO DE DEMOCRATIZAÇÃO
- AS DIFERENTES FORMAS DE LER O MUNDO -
LIVROS ONLINE – AUDIO LIVRO – BRAILE
Organizada pela LIBRE – Liga Brasileira de Editoras -, e com entrada gratuita, a Primavera dos Livros, que acontece de 10 a 13 de setembro no Centro Cultural São Paulo, apresentará ao leitor uma mostra de mais de sete mil títulos, oferecidos a preços acessíveis, com descontos de 10% a 40%.
Nesta edição, tendo como tema “as diferentes formas de ler o mundo’, a mostra conta com 56 expositores, representando a produção diversificada das pequenas e médias editoras brasileiras em toda a sua bibliodiversidade. A internet hoje se constitui numa boa ferramenta para os editores independentes divulgarem seu trabalho, pois a rede atinge locais onde é difícil chegar com os livros impressos. Por outro lado, outros públicos, outras mídias se apresentam para o editor como um desafio atual.
Dentro desse contexto, selecionamos algumas editoras que propõem ações que visam democratizar a leitura, seja através da internet, ou então da elaboração de projetos que atinjam públicos distintos, como os deficientes visuais e auditivos.
A Editora Fundação Perseu Abramo, por exemplo, compartilha com seus leitores cerca de 32% de seu acervo pela rede. A Biblioteca Digital, como é chamada, está no ar desde setembro de 2007. Na ocasião, foram disponibilizados 43 títulos de uma só vez. Os critérios utilizados na época para a seleção dos livros foram: a) títulos esgotados, com venda em escala que não compensava priorizar reimpressão; b) títulos com grande estoque e baixo resultado de venda; c) títulos relacionados ao debate político de esquerda, strictu sensu, de interesse localizado entre militantes sociais e partidários; d) títulos com contrato de Creative Commons, a pedido do autor.
”Tivemos que fazer aditivo de contrato com todos os autores -- os 43 livros têm a participação de mais de 100 autores, no total --, para que abrissem mão do pagamento de direitos autorais para o projeto” – ressalta Rogério Chaves, coordenador editorial da Fundação.
Os autores foram convencidos de que estavam apostando, junto com a Editora, nesse novo modo de divulgação do livro, que, possivelmente, resultaria no aumento do número de conhecedores da obra e na sua consequente procura para aquisição do livro impresso. ”É certo que deveríamos ter muito mais leitores, nossa média de livro lido por habitante é irrisória perante outros países, mas é preciso reconhecer que o mercado editorial, do jeito como foi estabelecido, não dá condições de tornar o livro um produto acessível, disponível em todos os lares” – conclui Rogério..
Depois de um ano e oito meses no ar, a Biblioteca Digital da Fundação Perseu Abramo recebeu cerca de 60 mil cadastros para downloads. Destes, 50 mil efetivamente baixaram pelo menos um livro da Perseu. Rogério Chaves revela que pelo programa que lhe dá estatísticas, livros foram baixados em vários países da América do Sul, Europa e em países africanos. Outro número considerável se concentra nas cidades que mal são atendidas por bibliotecas públicas e livrarias.
Sobre a pergunta “disponibilizar o livro online diminui sua venda impressa?”, Rogério tem um bom exemplo: o primeiro livro que disponibilizamos foi Brasil Privatizado, do jornalista Aloysio Biondi. É o nosso campeão de venda, superou a marca de 140 mil exemplares vendidos e está on-line antes mesmo de criarmos a Biblioteca Digital, atendendo um desejo do próprio autor que à época já antevia os benefícios que essa decisão poderia nos trazer.
A Editora Terceiro Nome não só colocou títulos a disposição dos internautas, como escolheu nomes importantes de seu catálogo como Dib Carneiro Neto (Adivinhe quem vem para rezar) e Marta Góes (Um porto para Elisabeth Bishop).
“Movimentar, divulgar e trazer público para nosso site, disponibilizando conteúdos interessantes, foi nossa estratégia, para democratizar e ao mesmo tempo tornar nossa proposta editorial mais visível. Deu certo no primeiro momento, saímos na imprensa, aumentamos a visitação e até vendemos mais desses títulos. O desafio agora é alimentar essa estratégia” - afirma Gustavo Leme, coordenador editorial da Terceiro Nome.
A editora ainda disponibiliza um banco de imagens de São Paulo antigo, de uso exclusivo para trabalhos escolares. As imagens são do livro São Paulo de Piratininga: de pouso de tropas a metrópole, que foi realizado em co-edição com o jornal O Estado de S. Paulo. O mesmo vale para a multimídia A Guerra, por Julio Mesquita sobre a 1° guerra mundial, com muito texto e fotos. Por último, Brasil em foco, esse editado junto com o Itamaraty.
A Editora Peirópolis teve a iniciativa recente de publicar na internet a íntegra de Futuros Imaginários-- das máquinas pensantes à aldeia global, de Richard Barbrook, lançado em abril de 2009, que faz parte de uma linha editorial voltada à cultura e mídia. O livro foi traduzido de forma compartilhada pelo grupo A Classe do Novo, formado por Adriana Veloso, Alexandre Freire, Elisa Tkatschuk, Giuliano Djahjah Bonorandi, Guilherme Soares, Letícia Canelas, Lúcio de Araújo, Paulo José Lara, Ricardo Ruiz, Rose Marie Santini, Sálvio Nienkötter, Simone Bittencourt, Tatiana Wells, Thiago Novaes e Wanderllyne Selva, profissionais da Oscip Descentro, entidade para a qual Barbrook cedeu os direitos autorais, e que os administra seguindo os princípios do software livre. A Peirópolis acolheu a proposta, por acreditar que iria estimular um debate importante sobre cultura e distribuição de informação em novos meios, explica Luciana Tonelli, editora do departamento editorial da Peirópolis. O autor aborda as influências políticas no controle da internet e convoca os usuários a ocuparem a rede de forma transformadora. Segundo Luciana, ainda é cedo para medir o impacto da medida. "Já sabíamos que esse livro não teria uma venda rápida, mas a aposta da editora e do Descentro é que a divulgação online seja positiva, que se converta em mais gente interessada em ter o livro e em mais leitores", diz.
Já a Editora Livro Falante, como o próprio nome diz, é uma editora especializada em audio-livros em português, com títulos que percorrem a literatura brasileira e internacional, com contos, poesias, romances. Entre os destaques da editora, segundo Sandra Silvério, coordenadora editorial, estão, o Contos de Agora, que inclui obras de 21 autores contemporâneos, na voz da atriz Leona Cavalli.
O clássico Dom Casmurro também está no catálogo da editora, na voz do ator Rafael Cortez. E ainda nos clássicos, só que agora na música clássica, a Livro Falante possui título sobre a história da música clássica. “Os sites de download começam a pipocar aqui e ali, mas há ainda um universo imensurável de material a ser gravado. E é justamente isso que o selo Livro Falante pretende fazer: colocar em áudio o que há de melhor no mundo das letras. Sempre com a melhor qualidade de som e com os melhores intérpretes”. finaliza Sandra Silvério, diretora editorial.
A Sá Editora reapresenta o livro Feche os olhos para ver melhor que editou há quatro anos nas versões em tinta e em Braile. Escrito por Sergio Sá, músico e compositor que nasceu cego, o trabalho foi colocado em livrarias de todo o país, tornando-se o primeiro livro de texto em Braile oferecido no mercado nacional. “Os livreiros surpreendiam-se com a edição, as páginas em branco, lotadas de sinais, totalmente desconhecida para a imensa maioria, mas também já pensavam em um novo público a ser conquistado. Foi também interessante para nós descobrirmos fórmulas de estocagem, embalagem e conservação de um outro tipo de publicação, um desafio”, conclui a editora da Sá, Eliana.
A Editora Mercuryo Jovem, especializada em títulos infanto-juvenis lança durante a Primavera dos Livros a coleção Traça traço. – quatro títulos que contemplam deficientes visuais da pré-escola e das cadeiras fundamentais. São eles O ponto, Vou pular!, Chuuuu!, Era uma vez uma página em branco, todos de autoria de Ana Carmen Nogueira Franco, educadora especializada em deficientes visuais. A autora também foi colaboradora do Projeto Acesso: Centro Brasileiro de Apoio Pedagógico Especializado ao Deficiente Visual.
Ione Nassar, coordenadora editorial da Mercuryo Jovem, abraçou o projeto por entender que não deveria adaptar para crianças deficientes visuais os livros criados e pensados para crianças videntes. “Sabíamos que existem diferenças na deficiência visual: há crianças que nasceram não videntes, há outras que ficaram deficientes nos primeiros anos de vida, conservando, de algum modo, um tipo de memória visual e há também as que têm baixa visão. Nosso desafio era editar livros para as crianças que nunca enxergaram. Como dar a elas a ideia exata de algo que nunca viram? Como a criança que nunca enxergou pode entender uma história, se a história depende da ilustração e se a ilustração traz objetos e animais desconhecidos para ela?”, explica Ione Nassar.
Antes de encontrar respostas para seus questionamentos, Ione Nassar encontrou a educadora Ana Carmen e desse momento, para criar a coleção e concluí-la, foi um passo certeiro e um desejo realizado.
Os textos são escritos em tinta. César Landucci, o designer do Aeroestúdio, com a imprescindível ajuda de Ana Carmen, voltou aos bancos escolares... estudou o alfabeto braille, alfabetizando-se novamente. O texto, “traduzido” para o alfabeto braille, ganhou forma no projeto gráfico, na diagramação das páginas. A gráfica Ananda, parceira do projeto, desenvolveu técnicas de gravação de matrizes, facilitando as próximas impressões, já que a intenção é continuar a produzir livros para o público não vidente.
Nesta edição, tendo como tema “as diferentes formas de ler o mundo’, a mostra conta com 56 expositores, representando a produção diversificada das pequenas e médias editoras brasileiras em toda a sua bibliodiversidade. A internet hoje se constitui numa boa ferramenta para os editores independentes divulgarem seu trabalho, pois a rede atinge locais onde é difícil chegar com os livros impressos. Por outro lado, outros públicos, outras mídias se apresentam para o editor como um desafio atual.
Dentro desse contexto, selecionamos algumas editoras que propõem ações que visam democratizar a leitura, seja através da internet, ou então da elaboração de projetos que atinjam públicos distintos, como os deficientes visuais e auditivos.
A Editora Fundação Perseu Abramo, por exemplo, compartilha com seus leitores cerca de 32% de seu acervo pela rede. A Biblioteca Digital, como é chamada, está no ar desde setembro de 2007. Na ocasião, foram disponibilizados 43 títulos de uma só vez. Os critérios utilizados na época para a seleção dos livros foram: a) títulos esgotados, com venda em escala que não compensava priorizar reimpressão; b) títulos com grande estoque e baixo resultado de venda; c) títulos relacionados ao debate político de esquerda, strictu sensu, de interesse localizado entre militantes sociais e partidários; d) títulos com contrato de Creative Commons, a pedido do autor.
”Tivemos que fazer aditivo de contrato com todos os autores -- os 43 livros têm a participação de mais de 100 autores, no total --, para que abrissem mão do pagamento de direitos autorais para o projeto” – ressalta Rogério Chaves, coordenador editorial da Fundação.
Os autores foram convencidos de que estavam apostando, junto com a Editora, nesse novo modo de divulgação do livro, que, possivelmente, resultaria no aumento do número de conhecedores da obra e na sua consequente procura para aquisição do livro impresso. ”É certo que deveríamos ter muito mais leitores, nossa média de livro lido por habitante é irrisória perante outros países, mas é preciso reconhecer que o mercado editorial, do jeito como foi estabelecido, não dá condições de tornar o livro um produto acessível, disponível em todos os lares” – conclui Rogério..
Depois de um ano e oito meses no ar, a Biblioteca Digital da Fundação Perseu Abramo recebeu cerca de 60 mil cadastros para downloads. Destes, 50 mil efetivamente baixaram pelo menos um livro da Perseu. Rogério Chaves revela que pelo programa que lhe dá estatísticas, livros foram baixados em vários países da América do Sul, Europa e em países africanos. Outro número considerável se concentra nas cidades que mal são atendidas por bibliotecas públicas e livrarias.
Sobre a pergunta “disponibilizar o livro online diminui sua venda impressa?”, Rogério tem um bom exemplo: o primeiro livro que disponibilizamos foi Brasil Privatizado, do jornalista Aloysio Biondi. É o nosso campeão de venda, superou a marca de 140 mil exemplares vendidos e está on-line antes mesmo de criarmos a Biblioteca Digital, atendendo um desejo do próprio autor que à época já antevia os benefícios que essa decisão poderia nos trazer.
A Editora Terceiro Nome não só colocou títulos a disposição dos internautas, como escolheu nomes importantes de seu catálogo como Dib Carneiro Neto (Adivinhe quem vem para rezar) e Marta Góes (Um porto para Elisabeth Bishop).
“Movimentar, divulgar e trazer público para nosso site, disponibilizando conteúdos interessantes, foi nossa estratégia, para democratizar e ao mesmo tempo tornar nossa proposta editorial mais visível. Deu certo no primeiro momento, saímos na imprensa, aumentamos a visitação e até vendemos mais desses títulos. O desafio agora é alimentar essa estratégia” - afirma Gustavo Leme, coordenador editorial da Terceiro Nome.
A editora ainda disponibiliza um banco de imagens de São Paulo antigo, de uso exclusivo para trabalhos escolares. As imagens são do livro São Paulo de Piratininga: de pouso de tropas a metrópole, que foi realizado em co-edição com o jornal O Estado de S. Paulo. O mesmo vale para a multimídia A Guerra, por Julio Mesquita sobre a 1° guerra mundial, com muito texto e fotos. Por último, Brasil em foco, esse editado junto com o Itamaraty.
A Editora Peirópolis teve a iniciativa recente de publicar na internet a íntegra de Futuros Imaginários-- das máquinas pensantes à aldeia global, de Richard Barbrook, lançado em abril de 2009, que faz parte de uma linha editorial voltada à cultura e mídia. O livro foi traduzido de forma compartilhada pelo grupo A Classe do Novo, formado por Adriana Veloso, Alexandre Freire, Elisa Tkatschuk, Giuliano Djahjah Bonorandi, Guilherme Soares, Letícia Canelas, Lúcio de Araújo, Paulo José Lara, Ricardo Ruiz, Rose Marie Santini, Sálvio Nienkötter, Simone Bittencourt, Tatiana Wells, Thiago Novaes e Wanderllyne Selva, profissionais da Oscip Descentro, entidade para a qual Barbrook cedeu os direitos autorais, e que os administra seguindo os princípios do software livre. A Peirópolis acolheu a proposta, por acreditar que iria estimular um debate importante sobre cultura e distribuição de informação em novos meios, explica Luciana Tonelli, editora do departamento editorial da Peirópolis. O autor aborda as influências políticas no controle da internet e convoca os usuários a ocuparem a rede de forma transformadora. Segundo Luciana, ainda é cedo para medir o impacto da medida. "Já sabíamos que esse livro não teria uma venda rápida, mas a aposta da editora e do Descentro é que a divulgação online seja positiva, que se converta em mais gente interessada em ter o livro e em mais leitores", diz.
Já a Editora Livro Falante, como o próprio nome diz, é uma editora especializada em audio-livros em português, com títulos que percorrem a literatura brasileira e internacional, com contos, poesias, romances. Entre os destaques da editora, segundo Sandra Silvério, coordenadora editorial, estão, o Contos de Agora, que inclui obras de 21 autores contemporâneos, na voz da atriz Leona Cavalli.
O clássico Dom Casmurro também está no catálogo da editora, na voz do ator Rafael Cortez. E ainda nos clássicos, só que agora na música clássica, a Livro Falante possui título sobre a história da música clássica. “Os sites de download começam a pipocar aqui e ali, mas há ainda um universo imensurável de material a ser gravado. E é justamente isso que o selo Livro Falante pretende fazer: colocar em áudio o que há de melhor no mundo das letras. Sempre com a melhor qualidade de som e com os melhores intérpretes”. finaliza Sandra Silvério, diretora editorial.
A Sá Editora reapresenta o livro Feche os olhos para ver melhor que editou há quatro anos nas versões em tinta e em Braile. Escrito por Sergio Sá, músico e compositor que nasceu cego, o trabalho foi colocado em livrarias de todo o país, tornando-se o primeiro livro de texto em Braile oferecido no mercado nacional. “Os livreiros surpreendiam-se com a edição, as páginas em branco, lotadas de sinais, totalmente desconhecida para a imensa maioria, mas também já pensavam em um novo público a ser conquistado. Foi também interessante para nós descobrirmos fórmulas de estocagem, embalagem e conservação de um outro tipo de publicação, um desafio”, conclui a editora da Sá, Eliana.
A Editora Mercuryo Jovem, especializada em títulos infanto-juvenis lança durante a Primavera dos Livros a coleção Traça traço. – quatro títulos que contemplam deficientes visuais da pré-escola e das cadeiras fundamentais. São eles O ponto, Vou pular!, Chuuuu!, Era uma vez uma página em branco, todos de autoria de Ana Carmen Nogueira Franco, educadora especializada em deficientes visuais. A autora também foi colaboradora do Projeto Acesso: Centro Brasileiro de Apoio Pedagógico Especializado ao Deficiente Visual.
Ione Nassar, coordenadora editorial da Mercuryo Jovem, abraçou o projeto por entender que não deveria adaptar para crianças deficientes visuais os livros criados e pensados para crianças videntes. “Sabíamos que existem diferenças na deficiência visual: há crianças que nasceram não videntes, há outras que ficaram deficientes nos primeiros anos de vida, conservando, de algum modo, um tipo de memória visual e há também as que têm baixa visão. Nosso desafio era editar livros para as crianças que nunca enxergaram. Como dar a elas a ideia exata de algo que nunca viram? Como a criança que nunca enxergou pode entender uma história, se a história depende da ilustração e se a ilustração traz objetos e animais desconhecidos para ela?”, explica Ione Nassar.
Antes de encontrar respostas para seus questionamentos, Ione Nassar encontrou a educadora Ana Carmen e desse momento, para criar a coleção e concluí-la, foi um passo certeiro e um desejo realizado.
Os textos são escritos em tinta. César Landucci, o designer do Aeroestúdio, com a imprescindível ajuda de Ana Carmen, voltou aos bancos escolares... estudou o alfabeto braille, alfabetizando-se novamente. O texto, “traduzido” para o alfabeto braille, ganhou forma no projeto gráfico, na diagramação das páginas. A gráfica Ananda, parceira do projeto, desenvolveu técnicas de gravação de matrizes, facilitando as próximas impressões, já que a intenção é continuar a produzir livros para o público não vidente.
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