domingo, 18 de julho de 2010

A ilha deserta de Gilles Deleuze


A ilha deserta
de
Gilles Deleuze


N de Paginas:
384


Quando desaparece um filósofo como Gilles Deleuze, é inevitável que seus admiradores saiam à cata de possíveis “inéditos”. Não haveria em suas gavetas um livro inacabado sobre Marx, ou sobre Plotino? E textos menores? Ou mesmo as cartas, não revelariam confidências picantes sobre sua relação com Lacan, ou mesmo com Guattari, com quem dividiu boa parte de sua produção teórica? A decepção foi inevitável: tudo o que Deleuze quis publicar foi publicado em vida. As instruções testamentárias eram categóricas: não haveria póstumos. Nenhum “segredo” seria revelado, pois não havia segredos – estava tudo ali, na superfície dos textos publicados (“o mais profundo é a pele”). Havia sim, além dos trinta livros escritos ao longo de quarenta anos, vários textos esparsos, porém já publicados: uma resenha aqui, uma entrevista acolá, um prefácio circunstancial – tudo difícil de encontrar, senão impossível. Era hora de juntar tudo isso. David Lapoujade foi incumbido de reunir e organizar esse material, e o fez com cuidado e discrição. Assim, neste volume vemos as marcas de vinte anos da febril atividade filosófica de Deleuze. O leitor encontrará aqui artigos luminosos sobre Bergson, Kant, Nietzsche, Hume. Mas verá também os traços de um confronto, nem que seja cômico, com os movimentos do pós-guerra francês, seja com o estruturalismo, o marxismo, a fenomelogia, a psicanálise. Por fim, terá ainda um testemunho vivo do que foi Maio de 68 para Deleuze, bem como seu encontro com Félix Guattari, com a explosão de uma temática política e subjetiva, inteiramente antenada com a reviravolta vinda da rua. Nessa seqüência heterogênea, pequenas pérolas, como a comovente homenagem a Sartre (“Ele foi meu mestre”), uma conversa ensandecida sobre pintura (“Faces e Superfícies”), ou o enigmático texto que dá título ao volume, preparado para uma revista de turismo (!) – único realmente inédito. Há duas maneiras de desconhecer um grande autor, diz Deleuze – e isso se aplica inteiramente aos textos dessa coletânea. Ora ignorando o caráter sistemático de sua obra, sua lógica profunda (que aqui aparece claramente na gênese ou na recorrência de um conceito como “diferença”), ora ignorando “sua potência e seu gênio cômicos, de onde a obra retira geralmente o máximo de sua eficácia anticonformista”. Com Deleuze, como o mostra o ziguezagueante livro que o leitor tem em mãos, aprende-se que o pensamento é, paradoxalmente, inseparável de sobriedade e de gargalhadas. Mas também, que a solidão do filósofo, sempre povoada, como diz ele, é indissociável da agitação de seu tempo, cuja vitalidade lhe cabe captar e restituir.

Peter Pál Pelbart

UM LANÇAMENTO

As Quatro Linhas


As Quatro Linhas

de Denis Winston Brum
e Daniel Argento

14x21 cm.
112 pág

A bola vai rolar!

Acompanhe os treinos e os esforços de Júnior, Comédia, Dado, Tanque, Cláudio, Miojo e mais dez jogadores de futebol, todos alunos da escola apelidada por eles de “Bentinho”, no interior do Rio Grande do Sul. Cansados das broncas do professor Matias e da implicância de Hique, eles resolveram provar que são bons de bola. Para isso, contam com a ajuda de veteranos do futebol gaúcho, com a torcida de Bê e com a própria garra.
E você? Vai perder esse jogão?

OS AUTORES

Denis Winston Brum nasceu, cresceu e vive em Porto Alegre. Sempre foi fascinado por filmes e livros. Aos dez anos ganhou de seu avô uma edição de Os Três Mosqueteiros. Leu e releu muitas vezes e descobriu sua vontade de escrever. Sua leitura se multiplicou, dos livros de bolso de espionagem até Álvares de Azevedo e Edgar Allan Poe. E sua escrita também. Cursou Publicidade e Propaganda na PUC-RS e especializou-se como redator publicitário. Assim, diversificou e treinou a escrita. Publicou As férias das Fadas e, agora, As quatro linhas: a hora da virada. Continua produzindo contos, novelas infantis, juvenis e adultas. Para ele, escrever é vocação e prazer.



Daniel Argento se formou em design gráfico é ilustrador e gosta muito de futebol. Desenha e pinta com tinta acrílica, aquarela, lápis de cor e nanquim, mas é o maior perna de pau. Era o primeiro a ser escolhido pelos colegas para fazer os trabalhos de artes, mas sempre ficava por último na hora em que os goleiros do curso técnico de Design Gráfico da ETEC Carlos de Campos e da graduação em Editoração da USP escolhiam os times. Acha bem mais fácil desenhar um rinoceronte que fazer embaixadinha e outras jogadas bonitas, mas de tanto gostar de futebol acabou melhorando a ponto de fazer meia dúzia de gols por aí, atingindo uma marca engraçada: até hoje, em todos os jogos em que seu time foi eliminado do campeonato, ele marcou gol. Por isso, se você estiver no time dele e ele colocar a bola na rede, redobre sua atenção!

um lançamento

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Meu caminho


Meu caminho
Mon chemin
de Edgar Morin
entrevistas concedidas por ele à jornalista Djénane Kareh Tager

Páginas: 378

Atos e escrita a serviço de um engajamento

Meu Caminho, novo livro de Edgar Morin, apresenta entrevistas concedidas por ele à jornalista Djénane Kareh Tager ao longo de 2008. Nelas, o autor mostra a unidade de uma obra magnífica, marcada pela diversidade e pelas vicissitudes.

Desde o início do livro, o leitor mergulha na vida de Edgard Morin, do engajamento na resistência comunista à sua ruptura com o stalinismo. Ele pertence à geração de intelectuais que ocultaram, sob o calor da ação, a gangrena que constituía o stalinismo, sem aderir, porém, aos dogmas. Essa reflexão pessoal e sua independência constituem as forças que o animam ainda hoje.

Em Meu Caminho, o homem, escritor, sociólogo, inventor do pensamento complexo, ator da vida social, e mesmo política, se liberta, não escondendo as emoções nem as paixões, e revelando ao leitor sua própria experiência na vida, no amor, na velhice e diante da morte.

O amanhã da humanidade está no cerne das reflexões de Edgard Morin. Trata-se de se apoiar sobre todos os aspectos positivos das ciências e técnicas, desenvolvendo a economia solidária e o comércio equitativo. Para ele, a crise econômica é tanto um risco quanto uma chance para a humanidade. Ela pode favorecer as forças retrógradas ou a emergência de soluções positivas que modificarão para sempre o sistema global.

Esse é o caminho de um homem. Esse é o pensamento que se formou no decorrer desse caminho e produziu uma obra maior.

Edgar Morin nasceu em Paris, em 1921, em uma família de nacionalidade italiana, de ascendência judeu-espanhola. Sua adolescência foi marcada pela ascensão ao poder do nazismo, pelos processos stalinistas de Moscou e pela marcha sonambúlica rumo à guerra. Aos vinte anos, com a França sob a ocupação alemã, entrou, simultaneamente, para o Partido Comunista e para a Resistência gaullista. Após a guerra, sua vida prosseguiu na resistência ao stalinismo, à Guerra da Argélia e a todas as barbáries. É doutor honoris causa de várias universidades do mundo e seu trabalho exerce uma forte influência sobre a reflexão contemporânea. Publicou pela Bertrand Brasil outras obras fundamentais: A Cabeça Bem-Feita, A Religação dos Saberes, Ciência com Consciência, Meus Demônios e Amor, Poesia, Sabedoria, O Mundo Moderno e a Questão Judaica e Cultura e Barbárie Europeias.



um lançamento





O Gerente Intermediário


O Gerente Intermediário
Manual de Sobrevivência Dos Gerentes, Supervisores,coordenadores E Encarregados Que Atuam Nas Organizações Bras.

de Wellington Moreira
Páginas: 114


Quando se fala de gestão, o que geralmente se encontra nos livros são casos e ensinamentos voltados para a gestão estratégica da empresa. Em termos de produção, também existe muito material sobre gestão operacional. Mas, e sobre o nível tático da organização (o que fica entre o estratégico e o operacional)? Para suprir esse espaço, o livro O Gerente Intermediário traz lições muito úteis para quem está atualmente no “recheio” das empresas.

Wellington Moreira, palestrante, consultor e professor, é o autor do livro. Com sua vasta experiência, ele reune todo material que um gestor intermediário precisa para se manter eficiente dentro das organizações. Numa época de grandes exigências para os cargos táticos das empresas, o livro atende a este nível organizacional, que é realmente carente de material específico. Assuntos como a importância do gestor intermediário, estilos de liderança, técnicas de gestão de pessoas e até dicas de como lidar com a carreira são abordados no livro.

Usando de linguagem de rápida compreensão, mesmo para quem nunca antes esteve em cargos de liderança, Wellington consegue passar para os leitores, como diz o subtítulo do livro, um verdadeiro “manual de sobrevivência” para quem está ou pretende estar nos níveis intermediários das melhores empresas.

O Gerente Intermediário serve muito para quem ocupa funções de gerência, mas também é útil para os que almejam promoções na carreira e querem estar preparados para quando elas chegarem, assim como para os que desejam conhecer melhor seus subordinados que atuem como gerentes.

UM LANÇAMENTO







quinta-feira, 15 de julho de 2010

atenção


‘A distância entre a palmada e a violência é bem curta’, garante coordenadora do Unicef em São Paulo

quarta-feira, 14 de julho de 2010

JOGOS VORAZES de Suzanne Collins


JOGOS VORAZES
de Suzanne Collins


Páginas:400


Mistura de ficção científica com reality show, passando pela mitologia e pela filosofia com muita ação e aventura, Jogos vorazes é o novo fenômeno da literatura jovem. Com um mote surpreendente, o livro, que está há mais de 85 semanas na lista de mais vendidos do The New York Times e de outras publicações de prestígio dos EUA, ganhou elogios de Rick Riordan, Stephenie Meyer e outros formadores de opinião e rendeu à autora Suzanne Collins lugar na badalada lista de 100 personalidades mais influentes do ano da revista Time.

Ambientado num futuro sombrio, Jogos vorazes é pioneiro de uma tendência que vem ganhando força no mercado de best sellers juvenis: a dos romances distópicos e pós-apocalípticos. Primeiro volume de uma trilogia, o livro narra uma luta mortal encenada por crianças e transmitida ao vivo para todos os habitantes de uma nação construída sobre as ruínas de um lugar anteriormente conhecido como América do Norte. Com sua narrativa ágil e ousada, Jogos vorazes foi traduzido para mais de 30 idiomas e vem atraindo leitores de diversas faixas etárias.

Constituída por uma suntuosa Capital cercada de 12 distritos periféricos, a nação de Panem se ergueu após a destruição dos Estados Unidos. Como represália por um levante contra a capital, a cada ano os distritos são forçados a enviar um menino e uma menina entre 12 e 18 anos para participar dos Jogos Vorazes. As regras são simples: os 24 tributos, como são chamados os jovens, são levados a uma gigantesca arena e devem lutar entre si até só restar um sobrevivente. O vitorioso, além da glória, leva grandes vantagens para o seu distrito.

Quando Katniss Everdeen, de 16 anos, decide participar dos Jogos Vorazes para poupar a irmã mais nova, causando grande comoção no país, ela sabe que essa pode ser a sua sentença de morte. Mas a jovem usa toda a sua habilidade de caça e sobrevivência ao ar livre para se manter viva. As reviravoltas do jogo e as dificuldades enfrentadas pela protagonista levam os leitores a sofrer junto com ela, enquanto descobrem um pouco sobre seu passado e seu relacionamento com Peeta Mellark, o outro tributo enviado pelo Distrito 12 para lutar nos Jogos Vorazes.

Inspirada pelo mito grego de Teseu e o Minotauro e bebendo nas melhores fontes da ficção científica, Suzanne Collins faz uma dura crítica à sociedade do espetáculo atual e prende a atenção do leitor da primeira à última página com um romance envolvente e perturbador.

A AUTORA
Suzanne Collins
nasceu nos Estados e vive com a família em Connecticut. Ela começou sua carreira escrevendo roteiros infantis para o canal Nickelodeon e atualmente trabalha no terceiro volume da série Jogos Vorazes.




LANÇAMENTO DA

ENTRE VIVOS E MORTOS de Amy Mackinnon


ENTRE VIVOS E MORTOS
de Amy Mackinnon


Páginas:256


Clara Marsh tem uma profissão no mínimo excêntrica. Ela é responsável por remover, transportar e melhorar a aparência de corpos mortos, preparando-os para o velório. Protegida por Linus, dono da Funerária Bartholomew, e pela sua esposa Alma Victorian, ela luta para dar sentido à vida e entender a complexa rede de sentimentos que une as pessoas. Este é o mote do romance Entre vivos e mortos, livro de estreia da norte-americana Amy Mackinnon. Com domínio narrativo surpreendente, a autora aborda com segurança e sensibilidade questões controversas e delicadas, como a convivência com a rotina da morte, a pedofilia e o maus-tratos a crianças e adolescentes.

Cética e presa a duras lembranças, a contida vida de Clara começa a mudar quando ela conhece Trecie, de apenas oito anos. Brincando no salão de um velório, a garota, abandonada, implora por carinho. A vida da garota, no entanto, parece estar cruelmente ligada à de outra garota, cujo corpo, abandonado na floresta e nunca identificado, ganhou o apelido de Flor sem nome. A retomada da investigação em torno deste caso traz à tona mais do que Clara gostaria de encarar – seus próprios fantasmas.

Escrito em primeira pessoa, Entre vivos e mortos traça o perfil da agente funerária Clara de modo contundente. Oscilando entre o passado e o presente, a autora revela aos poucos os paradoxos de sua existência, marcada por traumas de infância, que a levam a se identificar com as crianças que são vítimas de adultos perversos e inescrupulosos. Tudo o que ela deseja no fundo é protegê-las. Mas não se sente capacitada para tal tarefa.

No corpo e na alma de Clara convivem a frieza e o cálculo, indispensáveis na sua profissão, mas também a carência e a necessidade de entregar-se à vida, encarando-a de frente. E é este paradoxo, que mostra as fragilidades de uma mulher tentando o tempo todo negar seus sentimentos, que torna o romance de estréia de Amy Mackinnon extremamente envolvente, capaz de levar o leitor a lê-lo num só fôlego.

A AUTORA
AMY MACKINNON
mora em Boston, com marido e três filhos. Para saber mais sobre a autora, acesse www.amymackinnon.com .


LANÇAMENTO DA

Bullying - Vamos mudar de atitude!



Bullying - Vamos mudar de atitude!


de Jefferson Galdino


24 páginas - Brochura
Formato: 20 x 26 cm

A escola deve ser encarada como um ambiente saudável, onde a criança deve estudar, aprender e fazer amigos. O bullying prejudica esse ambiente.

Por isso devemos pensar que colocar apelidos ofensivos, bater, intimidar, não respeitar as diferenças e outros comportamentos violentos entre os colegas trazem dor e sofrimento, prejudicando não só o aprendizado da criança, mas também o seu desenvolvimento.

Se queremos uma escola legal e harmônica, devemos rever nosso comportamento perante os outros e assim construir um ambiente de paz que ultrapasse as barreiras da escola.

UM LANÇAMENTO



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Bullying - Vamos sair dessa?



Bullying - Vamos sair dessa?
de Miriam Portela
Ilustrações de Toni D'Agostinho


48 páginas - Brochura
Formato: 18 x 26 cm

Gustavo está desaparecido. Quem será que teria sequestrado ou feito algum mal para um cara tão calado como ele?

Por enquanto não há respostas. O que existem são pistas que vão surgindo nesta emocionante história, que envolve muito mais que este mistério.

Brigas de rivais, separação entre pobres e ricos, e dominação nas relações são alguns exemplos de como o Bullying - esta prática de coagir e humilhar as pessoas diferentes dos padrões pré-estabelecidos - pode destruir o ambiente escolar, familiar e profissional.
Guilherme, mais conhecido como Gui, ainda não se deu conta disso.
Gosta de ser o cara malvado, que lidera uma turma da pesada. Suzana, também não. Ela é vítima da humilhação de uma professora. Rique, intimidado pelo pai, encontra o pior caminho, e até se envolve com drogas. Mas até onde isso vai continuar?

Bullying – Vamos sair dessa?, novo livro de Miriam Portela aborda situações que nos questionam sobre a dominação nas relações: pais e filhos, maridos e mulheres, amigos, colegas, professores e alunos, até em relações de trabalho. Há sempre alguém pronto para praticar o Bullying, ou seja, alguém que se acha com o direito de dominar e massacrar os outros. Antes de o mistério do desaparecimento de Gustavo ser solucionado, mergulhe nesta história e descubra o que essa turma fará para superar esse clima de guerra. Beatriz está preocupada com seu amigo Gustavo. Ela não se importa que ele seja diferente. Não se importa que os outros sejam diferentes. Tolerância, paciência e carinho. Será que está aí a chave para desvendar tudo isso? Embarque nesta aventura e descubra!

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Treva alvorada



Treva alvorada
de Mariana Ianelli


N de Paginas:
128



Mariana Ianelli escreve, basicamente, uma poesia do primordial: a solidão primeira, o jardim sem outono, aquele tempo intransitivo fora do mercado mas perene em todos nós. Nos livros anteriores, como neste admirável Treva Alvorada, os versos parecem nascer em algum ponto da imaginação literária onde o lirismo se entrelaça ao mito, à religião, à filosofia para aludir a experiências originárias com significados há muito abolidos ou empalidecidos pela vida moderna. Já no título defrontamos a mais primitiva das oposições míticas — noite/dia, com expansão metafórica para morte/renascimento, alienação/consciência — e essa ambiguidade atravessa o texto sob figuras diversas. É assim que reencontramos, em épocas e geografias indefinidas, Narciso, Abel, cenários antigos e passagens bíblicas, cada um deles envolvido com dilemas ou esperanças cujo drama, em roupagem inédita, revivemos. A deserção, por exemplo, do filho pródigo, com sua “pele macia/ sem rastro de batalha”, vem precisamente de que “não sabia errar”. Pelo equívoco, ele ascende à humildade, para enfim retornar à casa paterna. A errância humana entre sombra e luz, aliás, é o tema da coletânea. Estamos entregues à inquietude, ao desconhecimento, tendo a morte por horizonte. Esse aparente pessimismo, no entanto, é para Mariana um domínio de luta com sentimentos e gestos justamente primordiais como a compaixão, o silêncio, as alegrias do corpo ou a aliança com o absolutamente Outro, também conhecida por fé. Na vitória ou na derrota, palmilhamos a “revanche da galhardia”, pela qual “é inútil desafiar o pó/ E, contudo, desafia-se”. Ou então, quando alcançamos a “paz dos contrários”, reina a “Treva alvorada”, onde “Fecundado, flutuas,/ É a lei da graça.”. Narrativos, portanto mais ágeis, os poemas provocam por algum mistério uma impressão de leveza e profundidade. O cuidado com as palavras é severo mas não exclui, antes reforça, a espontaneidade. Os tons variam do lamento ao cântico, conforme a emoção em jogo. E à potência de reflexão lírica da autora, que percebe coisas assim: “Era um frescor de água profunda/ A tentação do esquecimento”, vêm se associar imagens reveladoras de um universo em contínua radiância, como no verso “A maçã resplandecente no esterco”. Tudo somado, temos a síntese de uma originalidade feita pensamento poético em sua mais forte expressão. Escrito em 2009 durante os meses de enfermidade e passagem do avô da poeta, o pintor Arcangelo Ianelli, Treva Alvorada contém meditações ora pungentes, ora libertárias sobre a morte. São lições de finitude que pertencem à sua decisão, ultracorajosa face à estética contemporânea, de dialogar poeticamente com o sagrado, que vai deixando este mundo seduzido pela própria desintegração. Curiosamente, contra toda a aprendizagem, o último poema termina com a boutade: “Aqui não se morre mais”. Legítima ironia, mas ainda primordial, é no homem o desejo de imortalidade.

Jair Ferreira dos Santos



Absurda leveza que te faz afundar
E não é a morte.

Cumpres tua descida calado

(Uma palavra por descuido
Seria amputar a verdade).
Náufrago do tempo,

Tuas horas transbordam.
Dentro da lágrima,

Imensidão, já não choras.

Estrelas e estrelas,

Copulam a sede e o engenho

De que te alimentas

Como nunca te alimentou

O gosto da carne.
Tua face atônita

Se existisse uma face,

Tuas costas nuas,

Se a nudez fosse do corpo.

Um sorvedouro

Onde a paz dos contrários,

Treva alvorada.

Fecundado, flutuas.

É a lei da graça.


UM LANÇAMENTO